Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a defender a castração química para estupradores e abusadores de mulheres e crianças e prometeu classificar facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, além de milícias, como organizações narcoterroristas. As declarações foram feitas neste sábado, 17, durante um ato de campanha, um comício, no Farol da Barra, em Salvador, na Bahia.
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“Eu vou jogar pesado com a marginalidade. Eu vou declarar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas. Eu vou recuperar cada metro, cada rua, cada bairro, cada cidade. Eu vou recuperar cada território e vou devolver para o povo brasileiro”, afirmou diante dos apoiadores.
No discurso, de pouco mais de 15 minutos, Flávio também prometeu ampliar as punições para crimes patrimoniais e defendeu a aplicação de oito anos de prisão para ladrões de celulares. “Ladrão de celular vai começar com oito anos de cadeia e vai ter que trabalhar para pagar sua estadia no presídio”, declarou. Na sequência, afirmou que condenados por estupro e abuso sexual de mulheres e crianças deverão receber castração química.
Promessa de governar para todos
Além das propostas de segurança, Flávio buscou apresentar sua candidatura como um projeto de união nacional. Ao comentar a presença de pessoas que demonstravam apoio a Lula nas proximidades do evento, afirmou que pretende governar também para quem não vota nele.
“O nosso governo não vai ser o governo do ódio, o nosso governo não vai ser o governo da perseguição, o nosso governo não vai ser o governo da escravidão. O nosso governo vai ser o governo da oportunidade, da esperança, da prosperidade, da soberania e da liberdade do povo brasileiro”, disse.
Flavio também afirmou que pretende ampliar as oportunidades econômicas e promover a mobilidade social. Em referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), declarou que seu governo buscaria fazer com que pessoas pobres melhorassem de condição financeira.
“Vocês verão o governo que vai fazer o maior programa de mobilidade social do mundo. No meu governo, eu vou fazer de tudo para o pobre ficar rico, enquanto o atual governo faz de tudo para o pobre ficar miserável”, afirmou.
Antes do comício, Flávio recebeu o título de cidadão de Salvador, concedido pela Câmara Municipal. A entrega da honraria havia sido suspensa por uma decisão liminar do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), mas foi autorizada horas antes do evento por uma nova decisão da mesma Corte.
O ato também reuniu aliados de peso de Flavio. Estavam presentes Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), governador reeleito de São Paulo, Nikolas Ferreira (PL-MG), deputado federal mais votado do país, e outros nomes do bolsonarismo.
O ato tambem contou com a presença do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), e do ex-prefeito ACM Neto, também do Uniao Brasil. Neto afirmou que a Bahia não pertence ao PT. Já Nikolas declarou que “a Bahia acordou” e associou o estado a um possível “renascimento do Brasil”.
Também houve manifestações do vice na chapa de Flavio, Alfredo Gaspar, contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e palavras de ordem contra Lula.
Clima de tensão entre apoiadores
O ambiente nas imediações do Farol da Barra já era de acirramento antes de Flávio subir ao palanque. A presença de apoiadores de Lula, inclusive moradores da região, provocou provocações e troca de gritos entre os grupos.
Entre as manifestações ouvidas estavam palavras de ordem como “Fora Lula” e “Lula ladrão”, dirigidas ao presidente. Apesar da tensão, não houve registro de confronto físico ou briga entre os participantes, segundo o relato do evento.
A Bahia é um dos principais redutos eleitorais do PT, o que torna o estado estratégico para a disputa presidencial. Ao prometer retirar o partido do comando político baiano, Flávio buscou associar sua candidatura à possibilidade de uma mudança no cenário local.
Até o encerramento do ato, não havia dados oficiais da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) sobre o número de participantes. Integrantes da campanha de Flávio avaliaram, porém, que o evento reuniu mais pessoas do que os atos realizados no primeiro turno, quando o senador não esteve presente.
A avaliação partiu da própria campanha e não havia sido corroborada por uma estimativa oficial de público.