Flávio Bolsonaro endurece discurso contra facções e milícia e volta a defender castração química para estupradores em ato na BA

Em ato no Farol da Barra, candidato afirmou que pretende recuperar territórios dominados pelo crime organizado

17 out 2026 - 19h37
(atualizado às 19h45)
Apoiadores de Flávio Bolsonaro se reúnem no Farol da Barra, em Salvador
Video Player

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a defender a castração química para estupradores e abusadores de mulheres e crianças e prometeu classificar facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, além de milícias, como organizações narcoterroristas. As declarações foram feitas neste sábado, 17, durante um ato de campanha, um comício, no Farol da Barra, em Salvador, na Bahia.

“Eu vou jogar pesado com a marginalidade. Eu vou declarar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas. Eu vou recuperar cada metro, cada rua, cada bairro, cada cidade. Eu vou recuperar cada território e vou devolver para o povo brasileiro”, afirmou diante dos apoiadores.

Publicidade

No discurso, de pouco mais de 15 minutos, Flávio também prometeu ampliar as punições para crimes patrimoniais e defendeu a aplicação de oito anos de prisão para ladrões de celulares. “Ladrão de celular vai começar com oito anos de cadeia e vai ter que trabalhar para pagar sua estadia no presídio”, declarou. Na sequência, afirmou que condenados por estupro e abuso sexual de mulheres e crianças deverão receber castração química.

Promessa de governar para todos

Além das propostas de segurança, Flávio buscou apresentar sua candidatura como um projeto de união nacional. Ao comentar a presença de pessoas que demonstravam apoio a Lula nas proximidades do evento, afirmou que pretende governar também para quem não vota nele.

“O nosso governo não vai ser o governo do ódio, o nosso governo não vai ser o governo da perseguição, o nosso governo não vai ser o governo da escravidão. O nosso governo vai ser o governo da oportunidade, da esperança, da prosperidade, da soberania e da liberdade do povo brasileiro”, disse.

Flávio Bolsonaro (PL) com apoiadores durante ato de campanha em Salvador
Flávio Bolsonaro (PL) com apoiadores durante ato de campanha em Salvador
Foto: Divulgação

Flavio também afirmou que pretende ampliar as oportunidades econômicas e promover a mobilidade social. Em referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), declarou que seu governo buscaria fazer com que pessoas pobres melhorassem de condição financeira.

Publicidade

“Vocês verão o governo que vai fazer o maior programa de mobilidade social do mundo. No meu governo, eu vou fazer de tudo para o pobre ficar rico, enquanto o atual governo faz de tudo para o pobre ficar miserável”, afirmou.

Antes do comício, Flávio recebeu o título de cidadão de Salvador, concedido pela Câmara Municipal. A entrega da honraria havia sido suspensa por uma decisão liminar do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), mas foi autorizada horas antes do evento por uma nova decisão da mesma Corte.

O ato também reuniu aliados de peso de Flavio. Estavam presentes Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), governador reeleito de São Paulo, Nikolas Ferreira (PL-MG), deputado federal mais votado do país, e outros nomes do bolsonarismo. 

O ato tambem contou com a presença do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), e do ex-prefeito ACM Neto, também do Uniao Brasil. Neto afirmou que a Bahia não pertence ao PT. Já Nikolas declarou que “a Bahia acordou” e associou o estado a um possível “renascimento do Brasil”. 

Publicidade

Também houve manifestações do vice na chapa de Flavio, Alfredo Gaspar, contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e palavras de ordem contra Lula.

Ato de Flávio Bolsonaro em Salvador neste sábado, 17
Foto: Divulgação

Clima de tensão entre apoiadores

O ambiente nas imediações do Farol da Barra já era de acirramento antes de Flávio subir ao palanque. A presença de apoiadores de Lula, inclusive moradores da região, provocou provocações e troca de gritos entre os grupos.

Entre as manifestações ouvidas estavam palavras de ordem como “Fora Lula” e “Lula ladrão”, dirigidas ao presidente. Apesar da tensão, não houve registro de confronto físico ou briga entre os participantes, segundo o relato do evento.

A Bahia é um dos principais redutos eleitorais do PT, o que torna o estado estratégico para a disputa presidencial. Ao prometer retirar o partido do comando político baiano, Flávio buscou associar sua candidatura à possibilidade de uma mudança no cenário local.

Publicidade

Até o encerramento do ato, não havia dados oficiais da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) sobre o número de participantes. Integrantes da campanha de Flávio avaliaram, porém, que o evento reuniu mais pessoas do que os atos realizados no primeiro turno, quando o senador não esteve presente.

A avaliação partiu da própria campanha e não havia sido corroborada por uma estimativa oficial de público.

Fonte: Portal Terra
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações