O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é alvo de suspeitas de manter uma sociedade oculta com a casa de apostas Best Bet, segundo a revista piauí. A suspeita tem como base vínculos bancários do parlamentar com o empresário Willer Tomaz, apontado como amigo próximo do senador, e conexões entre empresas ligadas ao empresário e à plataforma de apostas.
Segundo a piauí, as ligações do caso se iniciam em janeiro de 2023, quando Willer Tomaz criou a Cathedral Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. No mês seguinte, o grupo empresarial do advogado abriu, no Brasil, a Rede Loto Ltda., que passou a operar com o nome fantasia Best Bet.
A Cathedral Holdings era a controladora formal da empresa de apostas. Em maio daquele ano, a Best Bet conseguiu autorização da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) para explorar o mercado de apostas.
Na época, a loteria estadual havia concedido licenças a empresas do setor, em um cenário no qual a regulamentação federal, das apostas ainda não estava plenamente estabelecida. A autorização permitiu que a Best Bet entrasse no mercado e começasse a explorar o negócio.
A reportagem também destaca a relação de Tomaz com o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e com Flávio Bolsonaro. O presidente da Loterj responsável pela autorização, Hazenclever Cançado, havia sido indicado ao cargo por Flávio, segundo informações citadas pela revista.
Empresa ligada à Best Bet tinha conta com Flávio
Ainda em 2023, Tomaz criou outra empresa na Ilha da Madeira: a Alcazar Holdings, que também tinha uma estrutura empresarial no Brasil. Conforme a reportagem, a Alcazar e a Cathedral, controladora da Best Bet, apresentavam o mesmo proprietário formal, Willer Tomaz, o mesmo administrador e o mesmo endereço em Portugal.
Os registros contábeis das duas companhias também indicavam movimentações financeiras que levantaram suspeitas sobre uma possível relação de financiamento entre elas. É nesse ponto que aparece o vínculo bancário com Flávio Bolsonaro. O senador estava cadastrado como usuário máster da conta da Alcazar no Santander, ao lado de Tomaz. Os dois eram os únicos usuários com esse nível de acesso.
A ligação entre as empresas e a conta bancária é central para a suspeita investigada pela PF: a Cathedral controlava formalmente a Best Bet, enquanto a Alcazar tinha vínculos societários e administrativos com a Cathedral. Flávio, por sua vez, tinha acesso privilegiado à conta da Alcazar junto com Tomaz. Essa sequência de relações levou os investigadores a apurar se o senador era um sócio oculto da casa de apostas.
A reportagem afirma que Flávio foi excluído da condição de usuário máster da conta bancária em 22 de maio de 2025, após uma solicitação enviada ao Santander por uma funcionária de Tomaz.
O senador negou a ligação e afirmou que "nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas".
Além do vínculo bancário, a PF teria identificado viagens conjuntas, uso de jatinhos e movimentações financeiras entre Flávio e Tomaz.
Naquele período, o senador estava em Portugal com o empresário. No dia seguinte, os dois viajaram com suas famílias para Nice, na França, em um jato contratado em nome da Cathedral, empresa controladora da Best Bet.
A saída de Flávio da conta ocorreu quatro meses depois de uma decisão do ministro André Mendonça, do STF, que restringiu a atuação da Best Bet ao território fluminense. A empresa havia perdido, assim, a possibilidade de operar nacionalmente e encerrou as atividades em meados de 2025.
O Terra buscou a assessoria do candidato à Presidência para comentar as apurações. O espaço segue aberto.