O candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta segunda-feira, 26, que pedirá a cassação da chapa do seu adversário, o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que venceu o segundo turno da eleição presidencial no domingo, 25.
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"O que aconteceu nesse domingo da eleição não foi normal, todo mundo viu. Pela primeira vez na história do Brasil, um ministro do STF — no caso, ex-advogado do Lula —, provocado pelo próprio PT, atropelou o TSE e tomou uma decisão que prorrogou as eleições até às 7 horas da noite. O que aconteceu nesse intervalo de tempo, ninguém consegue entender. Isso precisa ser esclarecido. Ninguém sabe exatamente o impacto disso", disse o candidato derrotada em vídeo publicado pela sua campanha.
A declaração de Flávio contraria o que ele afirmou durante a sabatina da TV Globo, no dia 16 de outubro, quando afirmou que, independente de qual fosse o resultado, ele iria respeitar a decisão dos eleitores. No entanto, no domingo, após o término da apuração, ele cogitou a possibilidade de pedir uma anulação da reeleição do presidente Lula.
No vídeo, Flávio acusou o presidente de ter injetado "quase meio trilhão de reais de dinheiro público" para comprar votos. Não há provas de que o presidente reeleito tenha realizado tal feito.
"Agora, imagina se fosse o contrário: um ministro indicado pelo Bolsonaro tomando uma decisão que mudou a regra do jogo, já com o jogo encerrado. Qual seria a reação do PT? Qual seria a reação de parte da imprensa? Qual seria a reação do mundo? O Lula reconheceria a vitória? Com certeza não. Além disso, o Lula injetou quase meio trilhão de reais de dinheiro público para fazer a maior compra de votos da história das eleições no Brasil", disse.
Diversas cidades brasileiras sofreram com a falta de transporte público no domingo de eleições, incluindo Salvador (BA) e a capital paulista. Em razão disso, tanto o PT quanto o PL pediram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a prorrogação do horário de votação, que passou de 17h para 19h. A decisão foi acatada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin depois que o PT recorreu ao Supremo.
"Essa é a maior prova que a reeleição tem que acabar. A disputa não deveria ser um 'vale-tudo' por parte de quem quer se manter no poder, como fez o meu adversário. O que ele fez foi um abuso do poder político e econômico sem precedente, um total desequilíbrio na disputa eleitoral. Isso tudo sem falar no complexo industrial de fake news que eles criaram, com a difusão ilegal e em massa de mentiras para aterrorizar a população brasileira", acrescentou.
Mesmo afirmando no início do mês que respeitaria a decisão das urnas, Flávio reafirmou que entrará com uma ação para pedir a cassação da chapa do presidente Lula.
"Então, eu vou pedir, sim, a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu. A lei tem que valer para todo mundo, a competição tem que ser justa e igual — o que não aconteceu. Não fui eu que perdi, foi o sistema que ganhou", concluiu.