Crescimento de Renan, Caiado e Zema faz aliados de Flávio apelarem por ‘união na direita’

Discurso de união marcou evento que lançou Flávio ao Planalto, mas adversários do mesmo campo político seguem na corrida presidencial

29 jul 2026 - 04h58
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, Flávio Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas em evento do PL
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, Flávio Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas em evento do PL
Foto: Reprodução/Youtube/Partido Liberal

A convenção nacional do Partido Liberal (PL), que confirmou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República, foi marcada por discursos em defesa da "união" do campo da direita. Realizado no último sábado, 25, no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, em São Paulo, o encontro teve discursos de lideranças políticas paulistas, como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), e o deputado estadual André do Prado (PL), candidato ao Senado, que defenderam a união da direita em torno do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante seus pronunciamentos, os participantes defenderam a união do campo político para eleger Flávio e ampliar a presença da direita em cargos eletivos pelo país. Nunes e Prado também fizeram críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e citaram a importância de conquistar maioria no Senado.

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O apelo por uma convergência da direita ocorre em meio a uma disputa interna pela liderança desse eleitorado. Além de Flávio Bolsonaro, outros nomes do mesmo campo político estão na corrida presidencial, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato da esquerda, permaneça à frente nas pesquisas de intenção de voto, esses nomes passaram a aparecer com mais intenções de votos nos levantamentos recentes.

A pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira, 27, mostra uma oscilação no cenário da direita: enquanto Flávio Bolsonaro apresentou recuo, outros nomes registraram avanço nas intenções de voto. Na simulação de primeiro turno, o presidente Lula aparece com 42%, ante 40% na pesquisa anterior, enquanto Flávio oscilou para baixo para 33%, contra 34% no levantamento passado. Ronaldo Caiado registra 6%, seguido por Renan Santos, com 5%, e Romeu Zema, com 3%. No levantamento divulgado em 13 de julho, Caiado aparecia com 5%, empatado tecnicamente com Renan Santos e Romeu Zema, que registravam 4% cada.

Além disso, o levantamento aponta que Caiado ganhou espaço em um eventual segundo turno e aparece em empate técnico com o presidente Lula. Nesse cenário, Lula soma 45% das intenções de voto, contra 43% do ex-governador de Goiás. Os eleitores que declararam voto branco, nulo ou que não escolheriam nenhum dos candidatos representam 10%, enquanto 2% não souberam responder.

Na pesquisa Datafolha divulgada em 24 de julho com relação ao primeiro turno, Caiado oscilou de 3% para 4% nas intenções de voto em relação ao levantamento anterior, enquanto Zema passou de 2% para 3%. Renan Santos manteve 3%. Nesse mesmo cenário, Lula liderava com 40%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 32%.

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Pedidos por união em torno de Flávio

Em seu discurso no evento do PL, Ricardo Nunes afirmou que a confirmação da candidatura de Flávio Bolsonaro representa um momento histórico e dá início à “onda azul que vai salvar o país”. A expressão faz referência ao termo utilizado pelo presidente da Argentina, Javier Milei, para simbolizar o avanço da direita em diferentes países da América Latina. O argentino esteve presente na convenção do PL.

Defendendo a união do campo político, o prefeito de São Paulo afirmou que o grupo tem condições de vencer a eleição e pediu que sejam evitadas disputas internas entre nomes da direita. "A gente tem tudo para ganhar essa eleição. A gente precisa de união, o time é esse, está montado. A gente unido, sem errar, todo mundo caminhando para a mesma direção", afirmou o prefeito de São Paulo. "Aí vem um cara falar que é mais de direita que o outro. Parem de divisão, está decidido. Nós precisarmos estar todos unidos e todos juntos”, pediu.

Também presente no evento, Milei foi responsável pelo discurso mais longo da convenção. O presidente argentino fez críticas ao governo Lula, associou governos de esquerda ao socialismo e pediu votos para Flávio Bolsonaro. Durante a fala, atacou ainda o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a quem chamou de "lixo careca".

Apesar do discurso por união, Flávio chegou à convenção em um cenário de incerteza sobre apoios. Com PP, Republicanos e União Brasil indicando neutralidade na corrida presidencial deste ano, o senador não conta, até o momento, com coligações partidárias, palanques regionais consolidados ou um vice definido. Além disso, Michelle Bolsonaro não participou presencialmente do evento: a ex-primeira-dama enviou um vídeo exibido aos presentes, no qual citou Flávio apenas uma vez durante uma fala de cerca de quatro minutos.

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Sem alianças fechadas, Flávio conta com 'presença' de Jair Bolsonaro e Michelle para conquistar eleitores
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Disputa por espaço na direita

Enquanto o PL busca consolidar a candidatura de Flávio, outros nomes da direita sinalizam que a disputa pelo espaço político segue aberta. Ao ser oficializado candidato pelo PSD, Ronaldo Caiado deixou claro que o senador será um dos principais alvos de suas críticas caso avance para um eventual segundo turno. No domingo, 26, ao ser questionado sobre a hipótese de Flávio ser o único representante da direita na eleição, o ex-governador de Goiás fez críticas ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

"Sobre o que é o representante da centro-direta no Brasil, é o significado de princípios. Quem rouba com a mão esquerda ou quem rouba com a mão direita é ladrão. Rouba, não é representante do povo", afirmou Caiado. "Qual a diferença que tem? Você não vai colocar alguém [na Presidência] que tenha tanto que explicar da sua vida que não tenha tempo de defender o seu interesse da população."

Na sequência, sem citar o senador nominalmente, Caiado afirmou que o Brasil não precisa de um candidato com “surpresas” frequentes, em referência às suspeitas envolvendo o Banco Master. "O pessoal mais jovem me disse: ‘é o candidato Kinder Ovo, uma surpresinha todo dia’. Não adianta." Kinder Ovo é um doce voltado ao público infantil que traz um brinquedo surpresa dentro.

Diferentemente de Caiado, Romeu Zema não fez críticas a Flávio Bolsonaro durante a convenção do Novo que oficializou sua candidatura à Presidência. O ex-governador de Minas Gerais, no entanto, já havia elevado o tom contra o senador em declarações anteriores e descartado a possibilidade de compor uma chapa como vice, hipótese que chegou a ser considerada nas articulações da direita. Ao manter a própria candidatura, Zema passou a disputar o mesmo eleitorado de Flávio na corrida presidencial.

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Caiado acusa Lula e Flávio de 'agressões' e 'roubarem com mão direita e esquerda' em evento partidário
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Fonte: Portal Terra
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