O Parlamento do Peru aprovou, nesta terça-feira (17), a destituição de José Jerí do cargo de Presidente da República. A decisão foi consolidada com 75 votos favoráveis, 24 contrários e três abstenções, encerrando uma gestão interina de apenas quatro meses. Jerí é o terceiro líder consecutivo a ser removido do posto pelo Congresso, em um cenário de alta rotatividade no Poder Executivo que contabiliza oito presidentes nos últimos oito anos.
O estopim para a saída de José Jerí foi o escândalo denominado "Chifagate". O episódio teve início em janeiro, quando imagens registraram o então presidente em uma reunião não declarada com o empresário chinês Zhihua Yang, detentor de concessões em projetos de energia no país. O encontro ocorreu em um restaurante típico tarde da noite e não constava na agenda oficial da presidência.
Jerí havia assumido o comando do país em outubro de 2024, após a destituição de Dina Boluarte. Na ocasião, a antecessora perdeu o apoio de partidos de direita devido a investigações de corrupção e índices de insatisfação popular. Como Boluarte não possuía vice-presidente, Jerí, na qualidade de presidente do Congresso, ascendeu à chefia de Estado por linha sucessória constitucional.
A estratégia parlamentar para a remoção não seguiu o rito tradicional de impeachment, que exige 87 votos em um universo de 130 legisladores. O Congresso optou pela moção de censura, mecanismo que demanda apenas maioria simples. Ao perder o título de presidente do Congresso, Jerí perdeu automaticamente a fundamentação jurídica que o mantinha na Presidência da República de forma interina. Em pronunciamento, o político afirmou que respeitará o resultado da votação.
Com a vacância do cargo, o Peru aguarda a definição de um novo nome para liderar a transição até as eleições gerais, marcadas para 12 de abril de 2026. O atual presidente do Congresso, Fernando Rospigliosi, recusou-se a assumir a Presidência da República.
Dessa forma, os parlamentares devem eleger uma nova mesa diretora para o Legislativo nesta quarta-feira (18). O escolhido assumirá o comando do país, repetindo o modelo de sucessão ocorrido em 2020 com Francisco Sagasti. O prazo para a apresentação de candidaturas encerra-se às 18h (horário local) desta terça-feira.