Neste sábado, 29, vão ao ar as primeiras propagandas eleitorais gratuitas para presidente nas TVs e rádios do País. Os dois principais candidatos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), deverão dividir seus programas entre propostas e exploração de pontos de desgate do adversário. No caso do petista, também deve haver a comparação entre a atual gestão federal com o governo Bolsonaro. As informações foram apuradas pelo jornal Estadão em conversas com integrantes das campanha.
Momento da Decisão vai colocar frente a frente os principais candidatos à Presidência no dia 14 de setembro, às 22h, em debate promovido pelo Terra e outros 10 veículos
O que esperar da campanha de Lula para TV e rádio
Lula deverá divulgar os resultados do governo e fazer uma comparação entre sua gestão e a de Jair Bolsonaro, com o intuito de defender o legado de seu terceiro mandato apresentar a eleição como uma escolha entre a continuidade do projeto petista e o retorno do bolsonarismo. Além disso, o presidente quer se apresentar como defensor da soberania nacional e dos interesses do País.
Com relação à economia, o petista também gravou peças falando sobre o fim da chamada "taxa das blusinhas”, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a PEC que prevê o fim da escala 6x1.
Lula também mira o eleitorado feminino, fatia em que se descola de seu opositor nas intenções de voto -- em eventual segundo turno, de acordo com o Datafolha, ele tem 50% das intenções entre este público, contra 40% de Flávio.
Para além das propostas e resultados, a campanha de Lula também deve fazer ataques a Flávio Bolsonaro. Para isso, serão exploradas polêmicas da trajetória política do senador, como o caso das rachadinhas em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), e a compra de uma mansão de R$ 6 milhões em Brasília.
As inserções também deverão abordar as nomeações de familiares de um ex-PM apontado como miliciano para o seu gabinete na Alerj e as mensagens do caso Master entre Flávio e Vorcaro sobre o financiamento do filme Dark Horse.
Nos vídeos, o presidente aparece em tom descontraído e usa um chapéu-panamá. O acessório também está na fotografia que será exibida na urna eletrônica e viralizou nas redes sociais.
O que esperar da campanha de Flávio para TV e rádio
Flávio Bolsonaro buscará associar sua imagem à do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e explorar pontos de desgaste do governo Lula. Nesta segunda frente, a economia ocupará espaço central nos programas do senador no horário eleitoral. O objetivo é desgastar o governo com a mensagem de que a melhora apontada pelos números não chegou ao cotidiano da população.
O endividamento das famílias, o preço dos alimentos e o aumento do custo de vida estão entre os temas abordados, assim como as dificuldades dos pequenos comerciantes e os pedidos de recuperação judicial apresentados por grandes varejistas e outras empresas. A campanha gravou peças em supermercado e em frente a uma varejista que fechou recentemente.
Outro eixo que terá presença nos programas é a segurança pública. O presidenciável deve defender a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas e associar o tema ao medo cotidiano nas ruas. As peças deverão abordar tanto áreas sob domínio do crime organizado quanto o impacto de roubos e furtos na rotina da população.
A campanha de Flávio também está atenta ao eleitorado feminino, que deverá ser representado por aparições do candidato ao lado da mulher, Fernanda Bolsonaro. O intuito é reduzir a rejeição desse público a ele.
Com relação aos ataques a Lula, Flávio Bolsonaro deve ainda explorar o tema da corrupção e as investigações envolvendo Lulinha. A campanha deverá fazer um paralelo entre esses casos com o Mensalão, o Petrolão e a prisão de Lula em 2018. O objetivo é reavivar aquele antipetismo que impulsionou Bolsonaro em sua eleição.
Os ataques, porém, não deverão dominar os programas. Para calibrar o tom e evitar ampliar a rejeição a Flávio, o marqueteiro Duda Lima deverá submeter parte das peças a pesquisas qualitativas e fazer ajustes ao longo do horário eleitoral. O objetivo é explorar os pontos de desgaste de Lula sem comprometer a imagem mais moderada que a campanha tenta construir para o senador.
Como será o horário eleitoral?
Embora 12 candidatos estejam aptos a disputar a Presidência da República, apenas quatro terão espaço nos blocos de propaganda no rádio e na televisão: Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Ronaldo Caiado (PSD).
A campanha de Lula terá a maior fatia do horário eleitoral de rádio e TV, com 5 minutos e 31 segundos por dia de exibição, enquanto Flávio contará com 4 minutos e 20 segundos.
Ronaldo Caiado terá 2 minutos e 2 segundos à sua disposição, enquanto Augusto Cury somará 35 segundos. A propaganda presidencial será veiculada às terças, quintas e sábados, nos mesmos dias reservados às campanhas para deputado federal.