Uma pesquisa divulgada pela Atlas/Bloomberg, nesta sexta-feira, 31, aponta que 43,3% dos brasileiros avaliam que a principal motivação do governo do presidente Donald Trump ao aplicar a sobretaxa de 25% sobre o Brasil é a política externa, com o objetivo de interferir no resultado das eleições presidenciais.
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Outros 39,6% concordam com a justificativa oficial dada pelos Estados Unidos e acreditam que a medida tem o foco econômico, para proteger os interesses comerciais dos norte-americanos. O levantamento ouviu 5.021 pessoas entre os dias 22 e 27 de julho.
Os eleitores também projetam impactos diferentes nas tarifas dependendo do resultado das eleições presidenciais de 2026. Caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja reeleito, 42% acreditam que as taxas vão aumentar. Se o senador Flávio Bolsonaro (PL) for eleito, 45% avaliam que as tarifas diminuiriam.
A pesquisa aponta ainda que 53% consideram provável ou muito provável que o governo Trump tente interferir no pleito brasileiro. A imagem do presidente norte-americano é vista de forma negativa por 57,4% dos entrevistados.
A tarifa entrou em vigor no dia 22 de julho e deve atingir cerca de 18% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano, com um impacto estimado em US$ 7,4 bilhões pelo governo federal.
Ainda segundo os dados da pesquisa, 59,4% dos entrevistados consideram a medida injustificada, enquanto 33,1% a veem como justificada.
A maior diferença de percepção pode ser vista a partir do espectro político: enquanto 99,3% da esquerda lulista considera a tarifa como injustificada, 86,2% da direita bolsonarista a considera justificada.
Da mesma forma, o levantamento mostra um cenário dividido sobre a responsabilidade pelas sanções. Para 45,4%, a família Bolsonaro é a principal responsável pelas tarifas impostas desde 2025. Já 41,5% atribuem a culpa ao governo do presidente Lula.
Novamente, a grande maioria da esquerda lulista (97,2%) põe a culpa nos Bolsonaros, e a grande maioria da direita bolsonarista (98,2%) culpa o atual governo brasileiro pelo novo tarifaço.
Sobre o fracasso nas negociações, 50,6% apontam que o governo de Donald Trump não tinha interesse real em um acordo comercial e agiu por motivação política. E outros 46,2% avaliam que o governo Lula utilizou o tema de forma eleitoreira e não negociou corretamente.
Pix e concessões comerciais
A investigação do Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR) que embasou a tarifa acusou o Brasil de práticas comerciais envolvendo o Pix e o mercado de etanol. A pesquisa Atlas/Bloomberg indica que a maioria da população é contrária a ceder às exigências americanas nestes pontos.
Para 71% dos entrevistados, o governo brasileiro não deve incluir o Pix nas negociações. Outros 58% são contra zerar as tarifas sobre o etanol americano. Em relação à postura geral nas tratativas, 44,2% defendem que o governo Lula não deve ceder a nenhuma exigência dos EUA.