O vice-presidente reeleito, Geraldo Alckmin, rebateu declarações de Donald Trump, que classificou como "estranha" a prorrogação da votação no Brasil, afirmando que a fala é equivocada e desrespeita a soberania nacional e a segurança das urnas eletrônicas. Alckmin também confirmou a continuidade das negociações tarifárias com os EUA e, ao ser questionado sobre assumir o Ministério da Fazenda no próximo mandato, declarou não ter recebido convite, ressaltando que Lula definirá a equipe a seu tempo.
O vice-presidente da República reeleito, Geraldo Alckmin (PSB), rebateu uma declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre as eleições no Brasil. Trump afirmou nesta segunda-feira, 26, que gosta do presidente reeleito brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que se dá "muito bem" com ele, mas que a prorrogação concedida durante as eleições de ontem [domingo] - a prorrogação do horário de fechamento das urnas - foi "muito estranha".
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"Olha, totalmente equivocada, né? Primeiro não se interfere na política de outro país. Essa é uma regra basilar. Segundo, não tem nenhum referencial para dizer isso. Aliás, o Brasil é um exemplo para o mundo de urna eletrônica, de segurança jurídica. Democracia é assim. Você ganha eleição, você perde a eleição, é o povo que decide", disse Geraldo Alckmin nesta segunda-feira, 26, à Rede Vanguarda, afiliada à TV Globo em São José dos Campos (SP).
Alckmin disse ainda que será dado prosseguimento à negociação com os EUA em torno das tarifas aplicadas a produtos brasileiros. "Nós, encerrada a eleição, vamos continuar a negociação com os Estados Unidos para ter um bom acordo. Estamos abrindo mercado, fizemos acordo Mercosul-Singapura, Mercosul-Efta, Mercosul-União Europeia", disse. "Estamos bem encaminhados com o acordo Mercosul-Canadá, tanto é que mesmo com tarifaço americano nós estamos batendo recorde de exportação", completou.
Questionado sobre se aceitaria assumir o Ministério da Fazenda no próximo mandato do presidente Lula, Alckmin afirmou que ainda não recebeu convite e disse que Lula tem tempo para definir os nomes que vão compor o novo governo. A posse do novo governo está marcada para 5 de janeiro de 2027.
"Esse convite não me foi feito e cada coisa tem o seu tempo. Acabou a eleição agora, essa semana. O novo governo começa na primeira semana de janeiro do ano que vem, então tem tempo pro presidente Lula montar o seu ministério", afirmou.
Alckmin acumulou neste mandato, com a Vice-Presidência, o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do qual se desincompatibilizou em abril para concorrer à reeleição. A possibilidade de acumular agora a Fazenda foi noticiada logo depois dos resultados do primeiro turno, no começo de outubro.