Um em cada quatro estudantes brasileiros do ensino médio da rede estadual querem melhorias relacionadas ao ensino e aprendizagem nas escolas públicas como prioridade para o próximo governador do seu Estado, que começará o mandato em 2027. O dado é da pesquisa O que os estudantes pensam sobre a Educação?, realizada pelo Datafolha e encomendada por várias instituições da área de educação.
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Para esse grupo, a qualidade do ensino está relacionada à atuação do professor, uma vez que foi apontada de forma espontânea a necessidade de mudanças que impactem em "aulas diferentes", "dinâmicas em salas de aula", "mais professores", "capacitação de professores", "menos falta dos professores", "reforço", entre outros fatores.
Outra prioridade que os estudantes esperam do próximo governo é mais estrutura escolar. Esse fator foi apontado por 22% dos alunos do ensino fundamental II e por 18% dos do ensino médio. A melhoria na qualidade da merenda foi mais um item citado por 10% dos estudantes de ensino fundamental II e por 8% do ensino médio. Veja os números:
"Os estudantes colocam as oportunidades de aprendizagem no topo de suas expectativas sobre o que é uma boa escola. É um dado que ajuda a reforçar onde deve estar a prioridade absoluta da política pública nos próximos anos: na aprendizagem. O momento de eleições e início de novos mandatos traz uma oportunidade ímpar para se rever caminhos e repactuar compromissos, e o país precisa acelerar muito o ritmo de crescimento dos indicadores de qualidade educacional", afirma Gabriel Corrêa, diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação.
O levantamento foi feito com 5.296 alunos do ensino médio e do ensino fundamental II, nas cinco regiões do país, e investigou a percepção sobre temas como aprendizagem, atuação dos professores, educação profissional, uso de tecnologia, educação em tempo integral e possibilidades de escolha de itinerários no Ensino Médio. A pesquisa foi realizada pelo Instituto DataFolha, a pedido da Fundação Telefônica Vivo Fundação Itaú, Fundação Lemann, Instituto Natura, Instituto Sonho Grande, Instituto Unibanco e Todos Pela Educação.
Professores
Dados da pesquisa também apontam que a percepção dos estudantes sobre a forma como os professores explicam os conteúdos está associada à avaliação que fazem da escola. Entre os alunos que afirmam que os professores explicam bem os conteúdos, 75% avaliam a escola como boa ou ótima. Já entre aqueles que dizem que os professores não explicam bem a matéria, esse percentual cai para 48%.
Ainda em relação aos professores, no ensino fundamental II, 78% consideram que os professores estão motivados para dar aulas enquanto no ensino médio esse número é de 69%.
No ensino médio, 66% dos alunos também concordam totalmente ou em parte que "tem disciplinas que ficam um tempo sem ter professor". No ensino fundamental II, são 61% os estudantes que dizem o mesmo.
Educação profissional e tecnologia
O levantamento ainda mostra que mais de 90% dos estudantes consideram importante ter a oportunidade de fazer um curso técnico ou profissionalizante durante o ensino médio.
No campo das habilidades e dos recursos aplicados em sala de aula que se relacionam também à perspectiva de futuro dos alunos, a tecnologia é percebida como presente na rotina escolar. No entanto, cerca de um em cada três estudantes discorda de que seus professores estejam bem-preparados para utilizar tecnologia em sala de aula.
De acordo com a pesquisa, 70% dos estudantes afirmam que os professores utilizam tecnologia nas aulas pelo menos uma vez por semana. A inteligência artificial aparece entre as ferramentas utilizadas pelos próprios jovens: 71% dizem usar IA com frequência ou às vezes para estudar.
"A pesquisa mostra que a tecnologia e a inteligência artificial já fazem parte da rotina dos estudantes e estão transformando a forma como aprendem. O desafio é garantir um uso cada vez mais pedagógico e responsável, com protocolos claros para o uso da IA nas redes de ensino. Também é fundamental assegurar que as aprendizagens previstas na BNCC Computação cheguem, de fato, às escolas, como direitos de aprendizagem de todos os estudantes do Brasil. Para isso, é essencial fortalecer a formação dos professores para incorporar a tecnologia às práticas educacionais", destaca Lia Glaz, diretora-presidente da Fundação Telefônica Vivo.
Educação em tempo integral
Dos estudantes que estão nessa modalidade, 74% avaliam a escola como boa ou ótima, ante 68% dos estudantes do ensino regular. Entre os benefícios associados, estão mais tempo para aprender, participação em atividades esportivas, artísticas e culturais, preparação para o futuro e mais tempo de estudo para vestibular e Enem.
Já entre os estudantes do ensino médio que dizem que não estão no tempo integral, 20% dizem trabalhar ou exercer atividade para garantir remuneração.