A educação deixou de ser apenas um sistema de formação para se tornar o principal pilar de uma sociedade em rápida transformação. Esse é o ponto de partida da trilha de educação do São Paulo Innovation Week, que que será realizado entre 13 e 15 de maio, na capital paulista.
"A educação hoje é atravessada por um processo contínuo de aprender, desaprender e reaprender, como indivíduos, organizações e países", afirma Iona Szkurnik, curadora da trilha Educação e Futuro do Trabalho no SPIW. "A inteligência artificial acelera esse cenário e expõe fragilidades estruturais dos modelos que herdamos. O desafio já não é tecnológico; é humano, cultural e sistêmico."
A juíza Vanessa Cavalieri, titular da vara da infância e juventude do Rio de Janeiro, que tem se destacado na discussão sobre impactos do mundo digital no desenvolvimento de crianças e adolescentes, vai participar de dois painéis. Em um deles, conversará com a jornalista e roteirista Mariliz Pereira Jorge sobre gênero e feminicídio.
Em outro, debaterá a implementação do ECA Digital, a nova lei brasileira de proteção de menores de idade no ambiente digital, com a repórter especial e colunista de educação do Estadão, Renata Cafardo.
A perspectiva global aparece na fala de Saulo Montrond, um empreendedor de Cabo Verde, pesquisador e estrategista de inovação com atuação em países do Sul Global, que discute como novas fronteiras de desenvolvimento estão redefinindo a produção de tecnologia — e a formação de pessoas.
Para abordar um problema persistente no País, a dificuldade de garantir aprendizagem para todos, o SPIW terá um bate-papo com os dois dos principais nomes do terceiro setor em educação do Brasil: a presidente-executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz, e o diretor-presidente da Fundação Lemann, Denis Mizne.
A programação também abre espaço para o futuro da formação profissional. O presidente do Insper e pesquisador em educação, Guilherme Martins, divide o palco com Iona Szkurnik para discutir se o Brasil está preparando pessoas para a era da inteligência artificial — ou para um mundo que já deixou de existir.
O economista Marcos Lisboa, ex-presidente do Insper e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, também falará sobre quais reformas o Brasil precisa enfrentar para não desperdiçar o potencial da inteligência artificial como alavanca de produtividade.
Discussões sobre neurociência
O evento vai discutir ainda quais as descobertas recentes da neurociência que explicam como o cérebro humano aprende e como isso pode impactar a educação no Brasil, com o neurocientista Roberto Lent, professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, e Etienne Lautenschlager, doutora em neurociência, mestre em educação matemática, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Em outro painel, Maria Helena Guimarães de Castro, ex-secretária executiva do Ministério da Educação e ex-secretária de Educação de São Paulo, e Priscilla Tavares, professora da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EESP), debatem como a IA está transformando as avaliações no Brasil e no mundo.
Ao reunir diferentes perspectivas, o evento parte de uma premissa clara: a educação deixou de ser um tema restrito à escola e passou a ocupar um papel central no desenvolvimento econômico e social.
"Não se trata de buscar respostas fáceis, mas de tomar decisões melhores", afirma Iona. "Porque tudo começa, e se renova, com educação."