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Matrículas em EAD crescem, mas perdem fôlego; evasão atinge 41,6%

Retenção de estudantes continua sendo um desafio mais intenso na educação a distância; Mapa do Ensino Superior no Brasil foi divulgado

19 mar 2026 - 13h02
(atualizado às 13h43)
Matrículas em EAD crescem, mas perdem fôlego; evasão atinge 41,6%
Matrículas em EAD crescem, mas perdem fôlego; evasão atinge 41,6%
Foto: Freepik

A taxa de evasão no ensino superior brasileiro continua elevada, principalmente na modalidade educação a distância (EAD), aponta a 16ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil, divulgada nesta quinta-feira, 19, pelo Instituto Semesp. Em 2024, a evasão total na EAD chegou a 41,6%, enquanto nos cursos presenciais foi de 24,8%.

Na EAD, a rede privada é a principal responsável pelo aumento da taxa, registrando uma evasão de 41,9% em 2024. Esse, inclusive, é o maior percentual registrado na série histórica – iniciada em 2014 – do setor privado na modalidade. Os cursos EAD da rede pública apresentam, por sua vez, taxa de evasão de 32,2%.

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Já nos cursos presenciais, a rede privada tem evasão de 26,6%, percentual que representa uma leve queda em relação a 2023. No entanto, a taxa fica acima da média de evasão dos cursos presenciais da rede pública, que é de 21,4%.

Segundo a pesquisa, os números mostram que a retenção de estudantes continua sendo um desafio mais intenso na educação a distância. Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior no Brasil, cita alguns agravantes que explicam a alta taxa de evasão na EAD.

"Um deles é a idade mais tardia que o estudante entra. É uma pessoa que já está há alguns anos fora da educação e vai ter maior dificuldade de acompanhar o curso, ainda mais se for para a área de exatas", afirma Capelato em entrevista coletiva nesta quinta-feira.

"Paralelamente a isso, temos um momento do EAD baseado no assíncrono. O estudante vai para um modelo de muitas atividades assíncronas, por isso consegue baixar a mensalidade. É um modelo que tem um sucesso nesse sentido, mas que para a questão da evasão é complicado, porque o aluno tem que ser autônomo, tem pouca gente acompanhando ele. Esse é um ponto importante para a evasão na EAD ser maior que o presencial", acrescenta o diretor executivo do Semesp.

Crescimento em EAD perde fôlego

Embora as matrículas nos cursos de EAD tenham superado, pela primeira vez na série histórica, o volume de matrículas em cursos presenciais no ensino superior brasileiro em 2024, o levantamento aponta que o crescimento na modalidade perdeu fôlego.

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Em 2024, 50,7% dos alunos do ensino superior estavam matriculados em cursos EAD. Isso equivale a 5.189.391 estudantes na modalidade. Já 49,3% das matrículas (5.037.875 alunos) estão em cursos presenciais, sendo que 63,3% delas estão na rede privada -- que é a que tem impulsionado a retração da modalidade, com queda de matrículas nos últimos 10 anos.

Conforme dados compilados desde 2014, houve um declínio contínuo no total de matrículas em cursos presenciais no Brasil na última década, uma redução de aproximadamente 22,5% entre 2014 e 2024. De 2023 para 2024, a queda foi de apenas 0,5%, o que indica uma trajetória de estabilização.

Já a EAD teve uma grande expansão nos últimos 10 anos, com o total de matrículas saltando 287%, sendo que 95,9% dessas matrículas estão concentradas na rede privada. Porém, conforme o levantamento, o crescimento na modalidade subiu apenas 5,6% em 2024, bem abaixo dos patamares anteriores.

O Mapa do Ensino Superior no Brasil é uma publicação anual produzida pelo Instituto Semesp, centro de inteligência analítica e levantamento de dados estatísticos educacionais, e traz vários indicadores do setor, como matrículas, instituições, ingressantes, cursos, perfil dos estudantes, financiamento estudantil e tendências do ensino superior nas redes privada e pública.

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Em 2024, 50,7% dos alunos do ensino superior estavam matriculados em cursos EAD
Foto: Freepik

Veja também outros pontos do levantamento:

Matrículas

  • Ensino superior brasileiro voltou a crescer entre 2023 e 2024, mas em ritmo mais moderado do que anos anteriores. Em 2024, o País alcançou 10.227.266 estudantes matriculados, um aumento de 2,5% no período; 
  • Rede privada tem 8.162.199 matrículas, o equivalente a 79,8% do total;
  • Rede pública reúne 2.065.067 alunos, cerca de 20% das matrículas;
  • Crescimento das matrículas foi impulsionado principalmente pela rede privada, que registrou aumento de 3,2% nas matrículas entre 2023 e 2024, enquanto a rede pública apresentou leve retração de 0,2%;
  • Em 2024, 66,8% dos novos alunos ingressaram em cursos EAD, já 33,2% optaram por cursos presenciais;
  • Entre os anos 2023 e 2024, o número de concluintes em cursos presenciais caiu 6,9%.

Taxa de escolarização líquida nacional

  • O acesso dos jovens segue limitado. Em 2024, a taxa de escolarização líquida, que corresponde aos alunos de 18 a 24 anos matriculados no ensino superior, permaneceu baixa, em 20,8%, praticamente estagnada em relação ao ano anterior. O levantamento usa dados do Censo para calcular a taxa;
  • Segundo a pesquisa, "o resultado é um cenário em que o ingresso do público mais jovem permanece como desafio, seja pela necessidade de políticas públicas mais eficazes, seja pelas dinâmicas próprias de organização e expansão do setor".

Instituições de ensino e docentes

  • No total, o Brasil tem 2.561 instituições de ensino superior (IES), sendo 2.244 privadas e 317 públicas;
  • Entre 2023 e 2024, houve uma redução de 0,7% no número total de instituições;
  • Ensino presencial tem média aproximada de 22 estudantes por docente, já na EAD sobe para cerca de 177 alunos por professor. 

Perfil dos estudantes

  • Alunos mais jovens preferem cursos presenciais, enquanto EAD atende principalmente o público adulto que busca conciliar os estudos com a vida profissional;
  • Em 2024, do total de matrículas da faixa etária de até 24 anos, 70,3% estavam nos cursos presenciais. Na faixa etária com 25 anos ou mais, 67,2% frequentam cursos EAD.
  • Mulheres são maioria no ensino superior, representando 59,5% das matrículas. Homens correspondem a 40,5%;
  • O panorama racial do ensino superior sofreu notável transformação entre 2014 e 2024, marcada pelo aumento da participação de pretos e pardos, mas população amarela e indígena tem baixa representatividade. Na rede pública, a soma de pretos e pardos atingiu 49,4% em 2024.
Fonte: Portal Terra
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