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Mais da metade dos alunos tem baixo nível de criatividade no Brasil, diz pesquisa

Brasil está entre os últimos em ranking internacional de criatividade entre estudantes de 15 anos, segundo dado da OCDE

18 jun 2024 - 08h31
(atualizado às 09h43)
Mais da metade dos alunos tem baixo nível de criatividade no Brasil, diz pesquisa
Mais da metade dos alunos tem baixo nível de criatividade no Brasil, diz pesquisa
Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Mais da metade dos estudantes brasileiros de 15 anos apresentou um baixo nível de criatividade na resolução de problemas sociais e científicos. O dado foi divulgado nesta terça-feira, 18, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que avaliou 56 países, e o Brasil ficou em 44º lugar.

Essa foi a primeira vez em que a avaliação internacional de educação incluiu questões para medir a criatividade dos alunos. No Brasil, 54,3% apresentaram baixo nível de criatividade.

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A avaliação também é conhecida como Pisa, sigla em inglês para "Programa Internacional de Avaliação de Estudantes". Ela é considerada uma das mais importantes do mundo, porque mede os conhecimentos de matemática e leitura dos alunos de escolas públicas e particulares.

O Pisa deste ano também mostrou as habilidades dos jovens em identificar figuras geométricas e interpretação de textos mais longos. A prova de 2022 começou a avaliar também a criatividade dos participantes, que precisaram sugerir soluções originais para uma situação-problema. Também foi classificada a capacidade de usar a escrita e a arte para pensar em novas ideias, e se eles têm imaginação para criar histórias fora do padrão.

O Brasil ficou na 44ª posição entre os 56 membros da OCDE e parceiros, atrás do Uruguai, Colômbia e Peru.

Desempenho do Brasil

Em uma escala de 0 a 60, o Brasil somou 23 pontos, 10 abaixo da média da OCDE. A diferença entre os alunos brasileiros mais pobres (19 pontos) e os mais privilegiados (30 pontos) foi de 11 pontos.

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A área de criatividade do Pisa com menor pontuação no Brasil foi a de resolução de problemas científicos.

Abaixo do Brasil, ficaram Arábia Saudita, Panamá, El Salvador, Tailândia, Bulgária, Jordânia, Macedônia do Norte, Indonésia, República Dominicana, Marrocos, Uzbequistão, Filipinas e Albânia.

Ao todo, 54,3% dos alunos brasileiros ficaram entre os níveis 1 e 2 de criatividade, os mais baixos do Pisa. Isso significa que eles conseguem fazer apenas desenhos isolados e simples, de assuntos ligados ao cotidiano. Eles também apresentam ideias óbvias e têm dificuldade de propor mais de uma solução para um problema, segundo a pesquisa.

Critérios

Os alunos responderam 30 questões de criatividade, para avaliar a expressão escrita e artística, além da habilidade de resolver problemas sociais e científicos. Um exemplo dos critérios de correção foi a questão que pedia que o aluno criasse três títulos para a imagem de um grande livro em um jardim.

Um aluno de nível 1 ou 2 daria respostas mais literais, como “O livro grande”, “O livro gigante” e “Um livro gigante no campo”.

Já um aluno mais criativo, de nível mais alto, teria respostas como “A árvore solitária”, “A história perfeita” e “A trilha escrita”

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Países no top 10

  • Singapura (41 pontos)
  • Coreia do Sul (38 pontos)
  • Canadá (38 pontos)
  • Austrália (37 pontos)
  • Nova Zelândia (36 pontos)
  • Estônia (36 pontos)
  • Finlândia (36 pontos)
  • Dinamarca (35 pontos)
  • Letônia (35 pontos)
  • Bélgica (35 pontos)

Média geral da OCDE: 33 pontos

Segundo a OCDE, em todos os países, os alunos com maior condições socioeconômicas tiveram o melhor desempenho em pensamento criativo do que aqueles com menos condições. A diferença foi de 9,5 pontos, em média.

As meninas foram mais criativas do que os meninos no Pisa. 31% delas e 23% deles atingiram o nível 5 de proficiência, nível considerado alto. Os alunos que participam de atividades como artes, teatro e escrita criativa ao menos uma vez por semana também tiveram um desempenho melhor.

Ainda segundo a OCDE, o incentivo dos professores, a valorização da criatividade pelas escolas também são elementos fundamentais para os alunos.

Fonte: Redação Terra
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