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Enem: Portões dos locais do 2° dia de prova são fechados

O segundo dia ocorre após uma abstenção registrada de 26% entre os 3,1 milhões de candidatos inscritos. Prova começou às 13h30

28 nov 2021 12h19
| atualizado às 13h44
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Os portões de acesso aos locais de prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foram fechados às 13h (horário de Brasília) em todo o País. A aplicação do segundo dia começou às 13h30 e segue até 18h30 deste domingo, 28, quando os candidatos terão de responder a questões de matemática e ciências da natureza.

O segundo dia ocorre após uma abstenção registrada de 26% entre os 3,1 milhões de candidatos inscritos. O número total de estudantes deste ano é o menor desde 2005, como mostrou o Estadão. As dificuldades impostas pela pandemia e as suas repercussões socioeconômicas afastaram milhares de alunos do exame, que é o principal caminho de acesso à universidade no País.

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A estudante Flávia Lavyne Santos Ferreira, de 17 anos, chegou uma hora antes da abertura dos portões em Salvador, onde a chuva foi apenas um problema secundário, depois de um ano conturbado de estudos. Ela é estudante da rede pública de ensino e não conseguiu se adaptar às aulas remotas, está fazendo a prova pela primeira vez e quer estudar odontologia.

"Eu tenho uma filha de dois anos, foi bastante dificil. Dentro da escola eu tinha um foco maior, mas em casa a minha filha não entende que estou ali, mas não posso estar à disposição dela enquanto estou em aula. Mas também é por ela que estou aqui, a educação vai transformar as nossas vidas", comentou.

Já Eronaldo Silva Santos, de 40 anos, já fez o Enem mais de dez vezes e não desiste. "Estou aqui por um sonho, um projeto de vida, já trabalho, já tenho uma vida mais estabilizada, mas os sonhos nunca morrem e o ensino superior nunca vai deixar de ser um sonho e meu projeto de vida.

Alexia Fernanda De Oliveira Moraes, que sonha em estudar medicina e está fazendo o Enem pela terceira vez. Ela quer a Universidade Federal da Bahia e está confiante.

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"Fiz um cursinho EAD, estudei em casa, estou nervosa porque é inevitável, mas fui bem na semana passada e sei que irei bem hoje. Quando o nervosismo apertar, irei até o banheiro, lavo o rosto e focarei na prova novamente. Quero cuidar das pessoas através da medicina e quero ser uma médica negra. Quero mostrar para outros jovens negros que a medicina também é uma possibilidade para nós."

A Bahia foi o Estado com maior número de estudantes que declararam carência e que se autodeclararam pretos ou pardos. Segundo o IBGE, Salvador é a cidade mais preta do País, com 744 mil habitantes autodeclarados pretos.

Pensando nesses estudantes, quarenta professores do coletivo Afronte, iniciativa antirracista, se voluntariaram para fazer um aulão pré-vestibular intensivo, durante o mês de novembro e acompanharam a entrada de alguns desses estudantes que estão fazendo a prova na tarde deste domingo, no Colégio Central, em Salvador.

"Nós que fomos frutos da vitória das cotas, que fomos os primeiros das nossas famílias à ingressar numa universidade e tivemos nossas vidas completamente transformadas pela educação, sabemos a importância da entrada dos estudantes negros nas universidades para a transformação do País, por isso, nos unimos para ajudá-los", comentou Priscila Costa, coordenadora do Aulão Enem Popular.

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Primeiro dia

O primeiro dia do exame, no domingo passado, trouxe um trecho da música Admirável Gado Novo, de Zé Ramalho, questões sobre racismo, desigualdade de gênero, temática indígena e sobre a luta de classes, a partir de um texto de Friedrich Engels, coautor do Manifesto Comunista, com Karl Marx. Incluiu, ainda, um item com a música Sinhá, de Chico Buarque, além de trechos de outros cantores nacionais.

Já o tema da Redação foi "Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil". O Enem 2021 está sendo marcado por polêmicas envolvendo tentativa de controle sobre o conteúdo da prova e crise com os servidores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pelo exame.

A prova ocorre com previsão de medidas de segurança contra a covid- 19. Assim como na edição de 2020, o uso de máscara facial é obrigatório desde a entrada até a saída do local de provas. Participantes que estejam com covid-19 ou com outras doenças infectocontagiosas não devem comparecer ao exame e podem solicitar a reaplicação na Página do Participante.

Movimentação de estudantes na Universidade Paulista (Unip), na cidade de Campinas, em dia de Enem
Foto: DENNY CESARE/CÓDIGO19 / Estadão

 

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