Com apenas 10 anos, Marcelo Gomes Viana Lopes, foi aprovado em terceiro lugar no curso de Engenharia Mecânica na Universidade de Fortaleza (Unifor). O estudante, que participou do vestibular para testar seus conhecimentos, afirma que se inspira na profissão do pai, o engenheiro mecânico Marcelo Viana Barbosa Lopes, de 57 anos, além de sonhar em se tornar astronauta.
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"Quero ser astronauta no futuro, esse é um sonho que tenho desde pequeno. Meu pai sempre foi uma inspiração para mim, porque ele é engenheiro mecânico formado na Universidade Federal da Bahia (UFBA). E também porque eu entrei para a Equipe Wigpédia de Foguetes, e isso aumentou ainda mais a minha paixão de construir foguetes. Pesquisando, eu vi que engenharia mecânica vai realmente ser muito importante para essa área", diz Marcelinho, como é conhecido e gosta de ser chamado, em entrevista ao Terra.
A ideia de fazer o vestibular surgiu do próprio Marcelinho, apenas para treinar. Mas, para a surpresa da família, ele passou. "Fiquei muito feliz, foi uma gritaria", lembra o garoto ao saber do resultado no mês passado. "Achei a prova um pouquinho mais difícil do que o nível das olimpíadas científicas que eu faço. Fiquei nervoso, mas fiz a prova direitinho, e deu tudo certo", acrescenta ele.
A mãe, a contabilista e advogada Tatiana da Silva Gomes, de 45 anos, celebra a aprovação e rasga elogios: "Fico orgulhosa pelas conquistas do meu filho. Eu imaginei que ele ia passar, porque a gente sempre acredita. Eu conheço o potencial dele, o esforço, ele gosta muito de estudar. A minha surpresa foi no terceiro lugar, eu não imaginava. É uma colocação muito boa para a idade dele, para a bagagem que ele já tem".
Embora tenha sido aprovado, a família não pretende fazer nenhuma aceleração de série nem tentar a matrícula via Justiça. Atualmente, o menino cursa o sétimo ano do ensino fundamental.
Trajetória de Marcelinho
Marcelinho e a família são naturais da Bahia, mas, desde 2024, moram na cidade de Fortaleza, no Ceará. A mudança ocorreu após o menino ganhar uma bolsa de estudo integral no Colégio Farias Brito, uma instituição privada reconhecida pela forte preparação para o Enem e vestibulares concorridos.
Segundo Tatiana, o filho começou a falar com apenas 6 meses de vida e foi alfabetizado com dois anos. Desde muito cedo, a família percebeu o interesse do menino pela área de exatas, principalmente em Matemática, e sempre o apoiaram no desenvolvimento disso.
Aos 6 anos, a família descobriu que ele é uma pessoa com altas habilidades, ou seja, superdotado. Ele passou por vários especialistas e fez exames que indicaram um QI de 138 na Escala Wechsler de Inteligência, superior ao da maioria das pessoas. Hoje, ele faz parte da Intertel e da Mensa, sociedades internacionais que reúnem pessoas superdotadas.
Marcelinho também participa de muitos projetos extracurriculares. Entre eles, é monitor de matemática no Projeto Criança Ensina Criança da Escola Humanizada, projeto de Extensão da Universidade do Estado do Amazonas; é bolsista do Programa de Iniciação Científica Júnior da OBAFOG; participa do Programa de Caça Asteroides do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação em parceria com a NASA/IASC; é membro do Programa Jovens Cientistas Brasil e também da Sociedade de Honra Internacional IJHS, por mérito acadêmico.
Além disso, o estudante já conquistou mais de 150 medalhas em olimpíadas científicas nacionais e internacionais. Sua rotina ainda inclui a prática de vários esportes, como jiu-jitsu, natação e xadrez. "A mãe fazendo a agenda fica doida. É uma agenda cheia, quase todo final de semana tem prova", brinca Tatiana.
Apesar das inúmeras atividades, Marcelinho garante que sempre sobra tempo para brincar e ver os amigos. "Eu gosto de ler, de jogar games, praticar esportes, e gosto de brincar com minha cachorrinha correndo pela casa", afirma.
O baiano também criou um canal no YouTube e uma página nas redes sociais, chamado "Marcelinho Ensina", que usa para ensinar matemática e física a outras pessoas. "Percebi que as ajudas eram muito importantes, que seria legal tentar ajudar os outros, criei a página com a ajuda da minha mãe, que sempre estava ali me apoiando, para começar a fazer divulgação científica e tentar ajudar mais pessoas, para arrastar elas para essa área de estudo", destaca o menino.