O Caoa Changan CS55 chega ao Brasil para disputar o segmento de SUVs médios, oferecendo motor 1.5 turbo de 180 cv e opção híbrida plug-in de 286 cv. O modelo se destaca pelo bom acabamento, espaço interno generoso e painel com telas que somam 24,9 polegadas. Na condução, entrega aceleração rápida, mas incomoda pelo atraso na resposta do acelerador e leve vibração na cabine. A maioria das versões conta com pacote ADAS completo, e a marca mira a liderança da categoria amparada por forte volume inicial de vendas.
A Changan é a segunda marca chinesa trazida pela Caoa ao mercado brasileiro. Com um posicionamento diferente da parceria com a Chery, a joint venture estreou por aqui em março deste ano com a chegada do Uni-T e, logo depois, do CS75.
Neste mês de setembro, o terceiro modelo foi trazido ao Brasil pela fabricante: o CS55, que se posiciona entre os dois SUVs citados acima para disputar o acirrado mercado de SUVs médios do País.
O capô é praticamente plano e há uma tomada de ar na parte inferior do para-choque. As rodas são de 19 polegadas em todas as versões, mas cada uma conta com acabamento exclusivo.
Por fim, a traseira segue a receita com lanternas interligadas por uma barra de LED transversal. Na versão topo de linha com sistema PHEV, o logotipo da Changan passa a ser iluminado para se diferenciar do restante da gama. O para-choque é escurecido e conta com duas saídas de escape — que, infelizmente, não são funcionais.
Motor potente e "já conhecido"
Sob o capô, o CS55 traz de série o motor 1.5 turbo de 180 cv de potência e 29,2 kgfm de torque, associado a uma transmissão automatizada de dupla embreagem (DCT) e sete marchas. É a mesma configuração dos outros dois modelos da Changan à venda no País.
Aqui, porém, vale um detalhe sobre o câmbio DCT. Apesar de a tecnologia não ser conhecida por falhas crônicas na marca, esse tipo de transmissão ficou estigmatizado no Brasil após os problemas enfrentados pelo PowerShift, da Ford, e outros modelos automatizados na década passada. Há, contudo, uma diferença crucial no projeto: o sistema da Ford utilizava embreagem a seco, enquanto a caixa DCT do SUV da Changan é banhada a óleo — incomparavelmente mais robusto e durável. Esse tipo de câmbio, aliás, é utilizado por outros modelos conhecidos do mercado nacional como Renault Kardian, Nissan Kicks e nos SUVs da própria Caoa Chery.
A versão topo de gama com sistema híbrido plug-in, no entanto, combina esse motor 1.5 a um propulsor elétrico para entregar 286 cv e 47 kgfm. Nesse caso, a transmissão é a DHT, de apenas uma marcha.
O conjunto da versão Infinity, dirigida por nós no evento de lançamento, é totalmente a combustão. Nesse primeiro contato, foi possível observar ao volante que este conjunto apresenta bom desempenho e respostas adequadas para um SUV voltado ao uso urbano e rodoviário. O modelo conta com quatro modos de direção: Leve, Normal, Auto e Sport.
Segundo dados divulgados pela Caoa, o 0 a 100 km/h é cumprido em 8,1 segundos — posicionando o CS55 entre os melhores da categoria no quesito. O consumo do conjunto, porém, não é dos melhores: média de 10,4 km/l na cidade e 12,1 km/l na estrada, com gasolina.
Apesar do bom desempenho, o SUV apresenta alguns pontos de atenção. O delay no pedal do acelerador, por exemplo, é perceptível quase a todo momento ao volante. Em situações nas quais você precisa de aceleração instantânea, há alguns instantes até o carro entregar toda a sua força. Outro detalhe importante está nas saídas, que são ligeiramente bruscas — principalmente no anda e para da cidade —, sintoma muito ligado a esse atraso na entrega do torque.
A suspensão, do tipo MacPherson na dianteira e Multilink na traseira, foi tropicalizada para o mercado brasileiro. O CS55 é um carro confortável de rodar, mas há uma trepidação incômoda no assoalho que acaba sendo transmitida para dentro da cabine. É possível senti-la no pé, principalmente no banco do passageiro.
No geral, o lançamento da Caoa Changan apresenta boa dirigibilidade. A direção tem peso adequado e se ajusta (ficando mais leve ou pesada) de acordo com a velocidade. Não é direta como a de um Jeep Compass, mas é o suficiente para agradar a quem está atrás do volante.
Cabine bem equipada e com acabamento de boa qualidade
Na cabine, os olhos se voltam diretamente para o conjunto de telas de 24,9 polegadas (Dual Screen Cockpit) no painel. Ele se divide entre o painel de instrumentos digital (10,3") e a central multimídia (14,6"), que, mesmo em pouco tempo de contato, merece destaque pela alta definição e agilidade de funcionamento.
Grande parte das superfícies do habitáculo é sensível ao toque e possui bom acabamento. O volante de três raios é inédito no SUV e acumula funcionalidades personalizáveis. Porém, na versão Infinity, faltam as aletas para trocas manuais de marcha.
O seletor de câmbio fica posicionado na coluna de direção, abrindo espaço para comodidades no console central. Este, por sua vez, concentra porta-copos e carregador de celular por indução com saída de ar direcionada. Entretanto, a área de indução é revestida por um tecido mais macio (possivelmente suede) que cumpre a função de tentar manter o celular firme, mas passa a sensação de qualidade inferior em relação ao restante do acabamento.
Há também botões físicos para o controle manual de funções do carro — um ótimo diferencial nos tempos atuais, em que os comandos costumam ser concentrados na multimídia. Alguns ajustes do ar-condicionado podem ser feitos por essas teclas, como a temperatura e o acionamento. Porém, faltou um comando para a velocidade do fluxo de ar, ajustável apenas na tela. Comandos como acionamento dos faróis, ajustes dos retrovisores e teto solar panorâmico também estão centralizados no sistema multimídia.
Os bancos são bem revestidos e confortáveis. Os dois assentos dianteiros contam com ajustes elétricos — seis para o motorista (com regulagem lombar) e quatro para o passageiro, além de ventilação e aquecimento. O SUV também traz sistema de som assinado pela Pioneer desde a versão de entrada.
Com 2,65 metros de entre-eixos, vale destacar o espaço interno generoso. A segunda fileira, que conta com túnel central praticamente plano, acomoda três ocupantes com facilidade. Há ainda saídas de ar e portas USB para a segunda fileira.
ADAS completo, mas não em todas as versões
Assim como outros carros da Caoa Changan, o CS55 vem de série com seis airbags e pacote completo de assistências à condução (ADAS) de nível 2 na maioria das versões. O conjunto traz: piloto automático adaptativo, frenagem autônoma de emergência com detecção de pedestres e ciclistas, assistente de permanência em faixa, alerta de colisão frontal e traseira, monitoramento de ponto cego integrado à câmera 540°, alerta de mudança de faixa e alerta de tráfego cruzado traseiro.
Contudo, nem todas as versões do Changan CS55 contam com os sistemas ADAS. A variante de entrada Prime ficou sem o pacote, e a justificativa é o preço: foi a forma que a Caoa encontrou para posicionar a opção inicial abaixo dos R$ 150 mil.
Há outra funcionalidade interessante no modelo: utilizando apenas a chave, você consegue movimentar o SUV para frente ou para trás, recurso que facilita manobras em vagas apertadas.
Intenção de liderar o segmento
Na apresentação do carro, a Caoa não foi modesta e afirmou que o CS55 chega ao Brasil para liderar o mercado de SUVs médios — um posicionamento, no mínimo, ousado.
Ainda assim, a expectativa da marca segue em alta: o modelo registrou mais de 3 mil pedidos e faturamento de R$ 500 milhões desde o início das vendas, no dia 16 de setembro.
Dentre todas as versões do CS55, a variante híbrida pode ser a que mais faz sentido na decisão de compra. Apesar de encarar rivais de peso na faixa de R$ 189 mil — como BYD Song Pro, Jaecoo 7 e GWM Haval H6 One —, a entrega de potência surge como diferencial competitivo.
Ao analisar o custo por cavalo de potência entre as versões do CS55, a variante híbrida se destaca. Com 286 cv a R$ 189.990, cada cavalo sai por cerca de R$ 664. Já a versão de entrada Prime, comercializada pelo valor promocional de R$ 144.990 para seus 180 cv, custa R$ 805 por cavalo. Nessa comparação direta, a opção PHEV entrega uma relação custo-benefício superior.