Espanhóis são os primeiros a deixar o cruzeiro nas Ilhas Canárias para quarentena hospitalar. Resgate se prolongará até segunda-feira.Começou neste domingo (10/05) o desembarque dos mais de cem passageiros a bordo do cruzeiro MV Hondius, afetado por um surto de hantavírus, nas Ilhas Canárias. A operação de resgate no porto de Granadilla de Abona deverá se prolongar até amanhã, segundo autoridades espanholas.
Os primeiros a desembarcar eram os 14 espanhóis a bordo. Eles seriam recebidos por um avião militar espanhol e levados para um hospital de Madrid, onde ficarão em quarentena.
Sem permissão para atracar, a embarcação permanece ancorada. O desembarque conta com uma lancha do porto para o transporte de passageiros até o solo e com veículos militares, para levá-los até o aeroporto de Tenerife Sul.
Diversos países enviaram aviões para a repatriação de cidadãos de outros países. Há pessoas de mais de 20 nacionalidades diferentes a bordo.
Desembarque por nacionalidades
Para este domingo, está previsto o desembarque de 29 pessoas de diversas nacionalidades que serão levadas à Holanda. Também serão repatriados cidadãos de França, Canadá, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.
Os passageiros só podem deixar o navio quando seus aviões estiverem prontos para decolar.
O último voo de repatriação deverá decolar na segunda-feira à tarde, com destino à Austrália, em que viajarão outras seis pessoas de várias nacionalidades.
A operação acontece em zonas isoladas do porto industrial de Granadilla e do aeroporto Tenerife Sul, sem qualquer contato com a população local.
Está também isolado o percurso de cerca de 10 quilômetros entre o porto e o aeroporto.
Continuarão no navio os 43 membros da tripulação, que seguirão viagem na segunda-feira até a Holanda, país onde está registrada a propriedade do MV Hondius.
Sob isolamento por 42 dias
A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou no sábado que considera todas as pessoas a bordo do cruzeiro como "contatos de alto risco". Elas ficarão em observação por 42 dias.
Ao mesmo tempo, a agência das Nações Unidas vem tentando tranquilizar o público, afirmando que o risco de uma disseminação mais ampla é "absolutamente baixo". O hantavírus em circulação no navio era da cepa Andes, da América do Sul, única transmissível entre humanos.
Este é um vírus perigoso, mas apenas para a pessoa que está realmente infectada", disse o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, durante uma coletiva de imprensa em Genebra, acrescentando que o surto "não é uma nova covid".
Não há relato de mais pessoas a bordo com sintomas de hantavírus. Três passageiros morreram desde o início do surto. Outras cinco pessoas deixaram o navio sob suspeita de infecção, das quais três foram confirmadas.
O chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou à Espanha no sábado para supervisionar a operação junto com autoridades espanholas.
Ht (Lusa, Reuters)