Desabamento de mina de coltan mata ao menos 200 na RD Congo

31 jan 2026 - 14h06

Local da tragédia responde por 15% da produção mundial de tântalo, metal essencial para fabricação de smartphones, carros elétricos e aviões. Extração ocorre sob condições insalubres, com túneis escavados à mão.Um deslizamento de terra provocou o colapso de diversas minas de coltan na República Democrática do Congo , deixando ao menos 200 mortos - inclusive mulheres e crianças -, informaram neste sábado (31/01) lideranças de uma área do país sob controle rebelde.

Tragédia aconteceu nas minas de Rubaya, controladas pela milícia rebelde M23, que é apoiada por Ruanda (imagem de arquivo)
Tragédia aconteceu nas minas de Rubaya, controladas pela milícia rebelde M23, que é apoiada por Ruanda (imagem de arquivo)
Foto: DW / Deutsche Welle

O coltan é um minério do qual é extraído o tântalo, metal raro crucial para a fabricação de eletrônicos portáteis, como smartphones e laptops, além de baterias para carros elétricos , componentes de aviação e foguetes.

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A cobiça pelo recurso tem provocado conflitos sangrentos na região, e a mineração ocorre em condições extremamente insalubres, inclusive mediante trabalho infantil.

A tragédia ocorreu na quinta-feira nas minas de Rubaya, controladas pela milícia M23, em decorrência das chuvas. As minas respondem por mais de 15% da produção mundial de tântalo.

Acredita-se que o número de mortos vá subir, já que a informação de quem está no local é de que muitas pessoas ainda estariam debaixo da lama.

"A população local busca seus próprios mortos diante da falta de assistência. Veem-se obrigados a se virar por conta própria", afirmou o presidente da sociedade civil de Masisi, Telesphore Nitendike, à agência de notícias EFE.

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O governo de Kivu do Norte, sob controle rebelde, afirma ter suspendido temporariamente as atividades nas minas e ordenado a realocação de famílias que viviam em barracos erguidos em seu entorno.

Túneis cavados com as próprias mãos

Um ex-mineiro afirmou à agência de notícias Associated Press que o local sofre com deslizamentos frequentes porque os túneis são cavados à mão e que sua estrutura é extremamente precária e sem manutenção.

"As pessoas cavam em qualquer lugar, sem controle ou medidas de segurança. Em um único buraco, pode haver até 500 mineiros, e porque os túneis correm paralelamente, um colapso pode afetar vários buracos de uma vez", disse Clovis Mafare.

Rubaya está situada em uma área rica em minerais, e que por décadas é pivô de violentos conflitos entre forças do governo e grupos armados , inclusive o M23, que é apoiado pelo país vizinho de Ruanda.

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O retorno do M23 à região, em maio de 2024, exarcebou uma crise humanitária que já era aguda. Um relatório da ONU afirma que os rebeldes cobram desde então taxas sobre todo o minério vendido e transportado em Rubaya, o que lhes gera uma receita de ao menos 800 mil dólares por mês.

A RD Congo é uma das principais fornecedoras de coltan. Em 2023, era responsável por cerca de 40% do minério produzido no mundo, segundo dados americanos.

Região há décadas mergulhada em crise humanitária

O leste da RD Congo está afundado em uma das maiores crises humanitárias do mundo, que produziu mais de 7 milhões de deslocados, dos quais 300 mil tiveram que fugir de suas casas em dezembro passado.

Apesar de o governo do país ter assinado um acordo com Ruanda mediado pelos Estados Unidos - em troca do acesso de Washington a minerais críticos -, os confrontos continuam a acontecer e a provocar mortes de civis e militares.

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ra (AP, dpa, EFE)

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