A parlamentar australiana Helen Haines, de 65 anos, perdeu uma perna e está em estado crítico após sofrer um atropelamento deliberado em frente ao seu escritório em Wangaratta. O agressor, um homem de 43 anos com histórico em ativismo ambiental, atingiu Haines duas vezes com um veículo e acabou contido por testemunhas com uma faca antes de ser preso. A polícia investiga o caso, ainda sem motivação confirmada, em meio a preocupações com a alta de ameaças contra figuras políticas no país.
Helen Haines, parlamentar independente australiana, permanece em estado crítico após ser atropelada e prensada contra um veículo. Polícia investiga o caso e ainda não apontou a motivação do ataque.A parlamentar australiana Helen Haines, de 65 anos, perdeu uma perna após ser atropelada nesta segunda-feira em um ataque aparentemente deliberado, informou a mídia local nesta terça-feira (20/10). A polícia prendeu um homem de 43 anos, que possui vínculos com campanhas ambientalistas contra o corte de árvores.
A violência política é rara na Austrália, mas as autoridades registraram um aumento constante de ameaças e abusos contra representantes eleitos do país nos últimos anos.
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, afirmou que o ataque foi um "teste ao nosso caráter" e liderou uma onda de apoio a Haines, amplamente elogiada por seus esforços para aumentar a transparência na política e combater a corrupção.
Ela foi atingida por um Toyota Land Cruiser em frente ao seu escritório na cidade de Wangaratta, a pouco mais de 200 quilômetros a nordeste de Melbourne, por volta das 15h35 (horário local) de segunda-feira.
Testemunhas relataram à emissora nacional ABC que ouviram um estrondo e viram uma mulher prensada entre dois carros. Ela estava pegando objetos no porta-malas de seu veículo quando o ataque ocorreu, disse Albanese. O motorista fez um retorno para voltar até ela após passar pelo local, acrescentou. "Está claro que foi um ato deliberado", afirmou.
Estado crítico
Haines permanece em estado crítico no Hospital Alfred, em Melbourne, para onde foi levada de helicóptero após o atropelamento.
O homem detido pelo atropelamento é morador da localidade rural de Tarrawingee, próxima a Wangaratta. Ele foi membro ativo do grupo ambientalista Save Our Strathbogie Forest ("Salve a Floresta de Strathbogie"), que se opõe ao corte de árvores, embora não mantivesse contato com o grupo desde a pandemia, segundo a ABC.
Desde 2019, Haines tem concentrado sua atuação parlamentar na melhoria dos serviços de saúde regionais, no acesso à moradia, na ação climática e na transparência institucional. Em 2022, ela também defendeu, perante o Parlamento, o fim gradual do corte de florestas nativas e a transição para uma indústria florestal baseada em plantios.
O ministro do Interior, Tony Burke, afirmou nesta terça-feira que, de acordo com os depoimentos colhidos, o motorista fez uma manobra, prensou Haines contra o próprio veículo dela, engatou a marcha a ré e a atropelou novamente.
Uma testemunha no local, identificada pela mídia local como Ricky Jefferies, interveio para retirar o motorista do veículo e contê-lo até a chegada da polícia. Segundo seu relato, o homem portava uma faca, que foi encontrada e apreendida pelos agentes.
Motivo do ataque não foi confirmado
Até o momento, as autoridades não confirmaram o motivo do ataque nem se o episódio teve relação com a atividade política da deputada. A polícia de Victoria conduz a investigação com o apoio da Polícia Federal Australiana e da Organização Australiana de Inteligência de Segurança (ASIO).
As autoridades consideram que se trata de um incidente isolado e, por ora, não identificaram ameaças relacionadas ao ocorrido.
Haines representa, desde 2019, a circunscrição de Indi. Albanese pediu uma redução no tom do confronto político diante do aumento das ameaças contra representantes públicos. Segundo Burke, as denúncias de ameaças e assédio nesse âmbito subiram de 951 em 2024 para 1.067 em 2025.
A Polícia Federal analisa possíveis acusações contra o detido, incluindo a de causar lesões a um funcionário público da Commonwealth, crime que pode acarretar pena máxima de dez anos de prisão.
md/cn (EFE, AFP, AP)
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