A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atualizou as normas para a comercialização de suplementos alimentares que contêm cúrcuma, popularmente conhecida como açafrão. O fato mais impactante da nova regulamentação, publicada no Diário Oficial da União (DOU), é a identificação de possíveis danos ao fígado associados ao uso desses produtos em altas concentrações. De acordo com informações do Estadão, a decisão foi motivada por relatos documentados de lesão hepática induzida por substâncias que possuem curcumina em níveis elevados. É importante destacar que o risco não se aplica ao uso tradicional da planta como tempero na culinária diária, que permanece considerado seguro pelos especialistas.
O médico hepatologista Rogério Alves, do Hospital Samaritano Higienópolis, explica que a cúrcuma possui propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias benéficas quando consumida em pequenas quantidades na alimentação. No entanto, o cenário muda quando se trata de suplementação. "Já há relatos bem documentados de lesão hepática induzida por esse tipo de suplemento", comenta o especialista. Segundo ele, esses produtos apresentam uma capacidade de absorção muito superior pelo organismo, o que pode sobrecarregar o sistema hepático. A relatora do processo na Anvisa, Daniela Marreco, defende que a nova instrução normativa é uma resposta direta aos alertas científicos recentes sobre a segurança desses compostos bioativos.
Com a nova norma, torna-se obrigatória a inclusão de advertências claras nos rótulos dos suplementos. O aviso deve informar que o produto não deve ser consumido por gestantes, lactantes, crianças e pessoas que sofram de doenças hepáticas, biliares ou úlceras gástricas. Outra mudança técnica importante estabelece que os limites de consumo da curcumina passem a ser calculados pela soma de seus três principais componentes, chamados de curcuminoides totais. Além disso, a Anvisa incluiu os tetraidrocurcuminoides na lista de ingredientes permitidos, mas proibiu que esse novo componente seja misturado ao extrato natural da planta no mesmo produto para evitar sobrecarga.
Os sintomas de intoxicação hepática causados pelo uso indevido desses suplementos de cúrcuma costumam aparecer algumas semanas ou meses após o início do consumo. Rogério Alves alerta que os pacientes devem ficar atentos a sinais como cansaço excessivo, náusea, perda de apetite e coceira pelo corpo. Mudanças na cor da urina e o amarelamento da pele e dos olhos, condição conhecida como icterícia, são sinais graves que exigem auxílio médico imediato. "O ideal é procurar avaliação médica para investigação", reforça o médico. Pessoas com doenças preexistentes, como cirrose, são consideradas as mais vulneráveis e podem desenvolver quadros agudos graves caso utilizem essas substâncias sem a devida orientação profissional.