Crise entre EUA e Irã testa papel diplomático de Omã

31 mai 2026 - 07h05

País conhecido por mediar tensões no Oriente Médio se tornou alvo de ameaças de Trump após rumores sobre suposto acordo para regular a navegação no Estreito de Ormuz. Analistas consideram ataque improvável.Considerado um mediador de peso e com relações estabelecidas entre diferentes forças no Oriente Médio, Omã se viu, na última quarta-feira, diante da incomum possibilidade de ser arrastado de vez ao conflito entre Estados Unidos e Irã, após o presidente americano Donald Trump ameaçar um ataque militar contra o pequeno país localizado no extremo sul da Península Arábica.

Conhecido como "Suíça" do Oriente Médio, Omã é pressionado por diplomacia iraniana e ameças americanas
Conhecido como "Suíça" do Oriente Médio, Omã é pressionado por diplomacia iraniana e ameças americanas
Foto: DW / Deutsche Welle

Trump reagia a uma reportagem da mídia estatal iraniana, segundo a qual existiria um rascunho de um acordo entre Omã e Irã para restabelecer o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. O texto apócrifo previa que os dois países regulassem conjuntamente a navegação nessa via marítima.

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"Omã vai se comportar como todo mundo ou teremos de explodir aquilo", respondeu Trump ao ser questionado se aceitaria um acordo desse tipo.

Menos de um dia depois, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que o país poderia se tornar alvo de tarifas americanas. "Omã, em particular, deveria saber que o Tesouro dos EUA vai atingir de forma agressiva quaisquer atores envolvidos, direta ou indiretamente, na facilitação de pedágios no estreito, e quaisquer parceiros dispostos a cooperar serão penalizados", escreveu no X.

A ameaça incomum tem como alvo um país que há décadas mantém abertos canais diplomáticos na região, o que lhe cunhou o apelido de "Suíça" do Oriente Médio. "Omã tradicionalmente sempre desempenhou um papel de mediador entre os Estados árabes do Golfo e o Irã", afirma Marcus Schneider, diretor do projeto regional de Paz e Segurança no Oriente Médio da Fundação Friedrich Ebert, em Beirute, em entrevista à DW.

Também para Stefan Lukas, fundador da empresa de análise Middle East Minds, essa é a principal particularidade do país. "Omã é um dos poucos Estados remanescentes na região que ainda mantém uma relação relativamente estável com quase todas as partes envolvidas nos conflitos", disse Lukas à DW.

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Posição geográfica estratégica

Com sua localização ao sul do Estreito de Ormuz, Omã ocupa uma posição-chave. Ao mesmo tempo, o sultanato mantém boas relações tanto com Washington quanto com Teerã e, por isso, tem sido repetidamente palco de conversas confidenciais, como as primeiras negociações no início do ano. No fim, elas fracassaram devido à profunda desconfiança de ambos os lados.

Para Omã, a situação é delicada. O país tenta preservar seu papel de mediador neutro, mas se vê cada vez mais espremido entre os lados. Entre os países do Golfo, o sultanato sempre manteve as relações mais estreitas com Teerã, enquanto também tem acordos com os EUA que abrem acesso às forças americanas aos seus portos e aeroportos.

Omã depende de relações comerciais estáveis com China, Índia, Europa e os países vizinhos. Ao mesmo tempo, Washington aumenta a pressão política, enquanto a proximidade da guerra ameaça a segurança do país. "Desde o início da guerra, Omã está entre os países do Golfo que mais pressionam pela desescalada", afirma Schneider.

Pouco indica, no entanto, que Omã de fato busque um controle conjunto do Estreito de Ormuz com o Irã. "O Irã tem apresentado cada vez mais o estreito como uma via marítima comum iraniano-omanense", diz Schneider. Em Omã, porém, essa ideia é vista com ceticismo. Uma participação ativa em medidas desse tipo iria contra os interesses dos demais países do Golfo.

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Lukas também considera pouco críveis as reportagens iranianas, já que o projeto seria "pouco realista". O governo em Mascate não teria "absolutamente nenhum interesse em um controle conjunto com o Irã". O decisivo, segundo ele, é garantir uma navegação segura e sem interrupções no estreito.

Até o momento, o sultanato não se manifestou oficialmente sobre a ameaça americana. No passado, o país indicou que aceitaria administrar Ormuz com o Irã devido à sua posição geográfica, mas nunca acatou a possibilidade de "controlar" o estreito.

Contra qualquer escalada

Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos veem há anos o papel especial de Omã com sentimentos ambíguos. Por um lado, se beneficiam dos canais de diálogo com Teerã; por outro, encaram com desconfiança o curso independente adotado por Mascate.

Ao mesmo tempo, cresce entre os países do Golfo a percepção de que uma estabilidade duradoura não pode ser alcançada contra o Irã, mas apenas com o Irã. "O Irã veio para ficar", cita o Center for Strategic and International Studies (CSIS), referindo-se a uma frase difundida entre políticos da região.

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O instituto argumenta que interdependências econômicas podem, no longo prazo, ser a forma mais eficaz de dissuasão. Nesse contexto, a política de diálogo de Omã parece, para muitos observadores, menos um caminho isolado e mais um possível modelo para o futuro.

Para Omã, essa evolução é particularmente importante. Poucos países da região se beneficiam tanto quanto o sultanato de relações estáveis com o maior número possível de atores. "Sobretudo Omã se vê especialmente exposto por causa de sua localização geográfica no Estreito de Ormuz", afirma Schneider.

Reação negativa às ameaças de Trump

As ameaças de Trump contra Omã também lançam luz sobre a situação dos EUA. "As recentes ameaças de Donald Trump estão sendo recebidas de forma extremamente negativa na região", diz Schneider. A retórica agressiva prejudica a credibilidade de Washington, pontua.

Lukas também vê nisso, sobretudo, um sinal de crescente insegurança. "A reação de Trump às reportagens permite tirar conclusões mais sobre a situação na Casa Branca", afirma. Ao mesmo tempo, os recentes ataques iranianos teriam reforçado dúvidas sobre as garantias de segurança oferecidas pelos EUA aos países do Golfo.

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Apesar disso, um ataque americano contra Omã é considerado extremamente improvável. Schneider cita conversas com especialistas omanenses que interpretam as ameaças mais como uma expressão de frustração em Washington. Um ataque militar contra um parceiro e mediador de longa data enfraqueceria ainda mais a influência dos EUA na região.

Lukas também considera pouco provável um ataque militar americano contra Omã, dada a importância política e estratégica do sultanato como canal de diálogo entre as partes em conflito. Um ataque, em sua avaliação, não atingiria apenas Omã, mas restringiria de forma significativa as possibilidades diplomáticas dos EUA em toda a região.

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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