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MG: Betim anuncia vacinação de estudantes de 12 a 14 anos

Prefeito da cidade mineira diz que uso de lote da Pfizer objetiva retomada integral das aulas

15 jun 2021 19h54
| atualizado às 20h07
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Profissional de saúde segura frasco da vacina Pfizer/BioNTech REUTERS/Ricardo Moraes
Foto: Reuters

Em uma medida inédita no País, a prefeitura de Betim, na Grande Belo Horizonte, decidiu aplicar a vacina da Pfizer contra a covid-19 em estudantes de 12 a 14 anos da rede pública municipal a partir desta quarta-feira, 16.

A mudança de rumo em relação ao Programa Nacional de Imunização, que orienta a vacinação com base nas idades mais avançadas e em grupos com comorbidades, ocorre quatro dias após a autorização pela Anvisa de uso do imunizante em adolescentes de 12 a 15 anos no Brasil.

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"Na escala de grupos de risco, nós estamos em dia em Betim. Recebemos um lote de 6 mil doses que correspondem a cerca de 50% do grupo do ensino fundamental. Estamos prevendo receber um outro lote na próxima semana, decidimos reservar esses lotes da Pfizer, única homologada para essa idade de 12 a 14 anos, para poder garantir a volta às aulas 100% segura", disse o prefeito de Betim, Vittorio Medioli, ao Estadão.

A medida recebeu críticas. A consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia Raquel Stucci, professora da Unicamp, condenou o que chama de "descontrole na política de vacinação no País" e considerou a ação da Prefeitura de Betim "equivocada".

"É certo que nós temos um total descontrole na imunização no País, há municípios em que não completaram nem a primeira dose nos grupos de risco. A impressão que eu tenho é que a cidade optou por desviar (vacinas), eu tenho dificuldade de aceitar. Acho que eles estão absolutamente equivocados sobre a importância dessa faixa etária como prioridade para vacinação", disse a especialista.

Raquel Stucci afirmou ainda que o ideal seria que o município, que atualmente vacina pessoas na faixa etária dos 59 anos, incluísse no calendário cidadãos com idade imediatamente inferior. "São essas pessoas que estão lotando os hospitais", comentou.

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Após ouvir a infectologista, a reportagem procurou novamente o prefeito de Betim para que comentasse as críticas. Ele negou que esteja ocorrendo um "desvio" de doses e disse que a vacinação dos outros grupos prossegue. "Nós estamos descendo de 59 anos e estamos subindo agora com os adolescentes. Estamos numa guerra contra o vírus e entendemos que a nossa estratégia está dentro da lei", afirmou Medioli.

"Temos uma preocupação real em garantir uma volta às aulas 100% segura. Esses meninos são os maiores vetores e são assintomáticos. Além disso, estão na faixa etária do maior índice de analfabetismo funcional e já perderam um ano inteiro", justifica o prefeito de Betim.

A expectativa do município é vacinar todos os 18 mil alunos com a primeira dose em três semanas - 700 são da rede particular e 4 mil da estadual. O retorno semipresencial dos alunos às escolas de Betim está programado para agosto.

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Em nota, o Ministério da Saúde informa que "a ampliação da vacinação para adolescentes a partir dos 12 anos, com o imunizante da Pfizer, está em discussão na Câmara Técnica Assessora em Imunização e Doenças Transmissíveis".

No texto, a pasta "reforça que, neste momento, a prioridade é vacinar todos os grupos prioritários estipulados pelo Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 e imunizar toda a população acima de 18 anos". No entanto, os gestores locais do SUS têm autonomia para seguir com a própria estratégia de vacinação.

Mãe de João Gabriel Rodrigues Nani, 12 anos, a bióloga e servidora pública Laís Sabrina de Melo Rodrigues, defende a inclusão dos adolescentes no programa. "A vacina traz esperança, não acho que esteja desfavorecendo outros grupos", disse ela. Sem comorbidade, João Gabriel é aluno da rede municipal de Betim e deve ser vacinado na próxima semana em função da região onde estuda.

"Temos visto jovens e idosos saudáveis morrendo de doença, a vacina tem que chegar para todos. Isso aumenta a esperança da gente de deixar os meninos voltarem pra escola", argumenta Laís.

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