Conhecemos o papamóvel brasileiro: veja como a Chevrolet transformou uma S10 em carro santo

O Jornal do Carro conheceu e explica os detalhes do carro oficial do Papa que atenderá a visita do pontífice na América do Sul ainda em novembro. Desenvolvidas a partir da versão esportivada Z71 de cabine dupla, duas unidades da picape foram transformadas no país em apenas 24 dias

4 nov 2026 - 05h40
Resumo
A General Motors do Brasil e a Engesig converteram, no prazo recorde de 24 dias, duas picapes Chevrolet S10 Z71 em papamóveis para a viagem do Papa Leão XIV à América do Sul em novembro de 2026. Alinhado às normas do Vaticano, o projeto transformou os veículos em cabine simples e reforçou o chassi para manter a rigidez. A traseira ganhou piso plano com assento papal, degrau retrátil e cobertura transparente, preservando o motor 2.8 turbodiesel original de 207 cv e a tração 4x4 para terrenos difíceis.

Uma operação de engenharia automotiva mobilizou o departamento de projetos especiais da General Motors nas últimas semanas: a conversão em tempo recorde da Chevrolet S10 na mais nova plataforma de transporte para as viagens do Sumo Pontífice, Papa Leão XIV.

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Duas unidades idênticas do modelo, montadas sobre a versão de apelo aventureiro Z71 com cabine dupla, passaram por extensas modificações estruturais para servir de Papamóvel durante a expedição papal na América do Sul, confirmada para ocorrer entre os dias 6 e 17 de novembro de 2026. A expedição do Pontífice dura ao todo 12 dias e cobre três países em sequência: Uruguai, Argentina e Peru.

O grande destaque da preparação ficou por conta do prazo de execução. Enquanto a transformação completa de um veículo de grande porte com especificações de visibilidade, segurança e acessibilidade papal costuma exigir cerca de 90 dias de trabalho contínuo, a equipe responsável no Brasil concluiu todo o processo de adaptação das duas picapes em 24 dias.

Segundo Luiz Gustavo Moraes, gerente sênior de engenharia de produto, responsável pelo Papa Móvel baseado na S10, foi desafiador fazer mudanças estruturais tão significativas em tempo recorde. "A gente transformou uma picape cabine dupla em simples e todo o reforço estrutural que envolvia a coluna C foi deslocada para a parte de baixo do assoalho como forma de manter a rigidez torcional da carroceria", diz Moraes.

"Contamos com o apoio da Engesig, empresa que há muitos anos nos atende na preparação de veículos especiais. Juntos, desenvolvemos as duas unidades em prazo recorde, de apenas 24 dias," complementa Moraes.

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O engenheiro afirma ainda que sabe que o papamóvel não vai encarar nenhuma trilha pesada no fora de estrada, mas esse reforço estrutural garante que a carroceria terá o mesmo comportamento esperado da cabine antes da transformação, portanto um veículo perfeitamente capaz de atravessar obstáculos e de trafegar em terrenos acidentados, condição que deve ser encarada no Peru.

Importante esclarecer que foram desenvolvidas duas unidades para a visita papal ao Peru, pelo fato de que não haveria tempo hábil suficiente para o deslocamento entre as extremidades do país no período de seis dias que o Papa está programado para visitar o país.

Transformação estética

O papamóvel foi criado pelo Vaticano e portanto é o país que tem a autoridade sobre o desenvolvimento de um novo papamóvel e por isso houve a integração entre profissionais de diferentes áreas da GM e da Engesig, além de alinhamento contínuo com as equipes técnicas do Vaticano.

No local onde seria originalmente a caçamba e a segunda fileira de bancos foi desenvolvido um piso plano com carpete com o assento papal, dois assentos para os acompanhantes, escada escamoteável elétrica para acesso e duas estruturas laterais para acomodar os seguranças.

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O veículo também recebeu uma cabine especial com estrutura metálica e painéis transparentes, concebida para proteger os ocupantes do vento e das condições climáticas sem comprometer a visibilidade dos fiéis durante os deslocamentos.

"Um dos requisitos do Vaticano foi garantir a comunicação direta entre o Papa e o motorista. Para isso, desenvolvemos uma abertura no teto acima da primeira fileira de bancos e realizamos reforços estruturais na cobertura para preservar a rigidez e a segurança do conjunto", explica Luiz.

Todas as alterações seguiram os parâmetros técnicos, segundo a marca, e foram submetidas a avaliações de funcionamento e segurança. Na configuração utilizada como base do projeto, a picape mantém o motor 2.8 turbodiesel de 207 cv e 52 kgfm de torque, além da tração 4x4 com reduzida e não houve nenhuma limitação de velocidade.

Esta é a segunda vez que a Chevrolet desenvolve projetos envolvendo a visita de Pontífices na América do Sul. Em 2018, a GM desenvolveu um Papamóvel para as visitas do Papa Francisco à Colômbia.

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A evolução do Papamóvel

O conceito do veículo oficial para saudar multidões passou por transformações profundas ao longo dos séculos:

  • Início do século XX (As Carruagens e os Primeiros Automóveis): Tradicionalmente, os papas eram transportados na sédia gestatória, um trono suntuoso erguido sobre os ombros de carregadores. O primeiro veículo a motor doado a um pontífice foi um Itala 20/30, em 1909, mas foi somente na década de 1930, sob o pontificado de Pio XI, que os automóveis passaram a substituir oficialmente as carruagens e os cortejos a pé.
  • A Era dos Utilitários e Conversíveis: Com o aumento das viagens internacionais nas décadas de 1960 e 1970, surgiu a necessidade de veículos abertos e mais elevados para que o pontífice pudesse ser visto à distância. Modelos como Toyota Land Cruiser e picapes adaptadas começaram a figurar nas aparições públicas.
  • A Virada da Segurança (Pos-1981): O atentado sofrido por João Paulo II em 1981, na Praça de São Pedro, mudou radicalmente o projeto desses veículos. A partir dali, ganharam força os papamóveis fechados por cúpulas de vidro à prova de balas, quase sempre montados sobre utilitários ou chassi de SUVs pesados.
  • Aproximação e Carros Populares: Nos últimos anos, os pontífices vêm priorizando o contato direto com o público e veículos de produção local dos países visitados. Com isso, picapes cabine dupla e utilitários abertos adaptados — como a brasileira Chevrolet S10 — ganharam protagonismo pela altura do solo, facilidade de embarque e grande proximidade com os fiéis.
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