Como prevenir e comunicar emergências em ambientes escolares

A Ciência tem se empenhado em definir como agir e o que fazer em todos os tipos de situações de risco e detém as chaves para comunicar isso de forma eficaz às instituições de ensino

27 out 2026 - 11h24
Resumo
A gestão de emergências escolares exige transformar alertas em ações claras, integrando infraestrutura segura, treinamento contínuo e conhecimento do território local. Cada tipo de risco demanda respostas específicas e mensagens objetivas, coordenadas entre autoridades e comunidade escolar. As instruções devem ser acessíveis, adaptadas a cada faixa etária e focadas em orientações práticas sobre o que fazer, priorizando a segurança física e o suporte emocional de alunos e famílias.

"O Plano de Emergência foi acionado". Nos últimos anos, nos acostumamos cada vez mais a ler ou ouvir essa frase. Professores, funcionários da escola, pais, responsáveis e até mesmo alunos de todas as idades. Mas o que essa frase significa, e o que cada pessoa deve realmente fazer ao ouvi-la?

"O Plano de Emergência foi acionado" pode ser uma informação correta, mas insuficiente para uma escola, pois não indica se é preciso permanecer dentro do prédio, sair dele ou suspender o transporte. Desde a tempestade que atingiu Valência, Espanha, em 2024, a ciência tem trabalhado para definir como agir e o que fazer nessas situações de alto risco. Os centros educacionais, por estarem entre os mais afetados devido ao número e à diversidade de pessoas envolvidas, devem estar no centro das atenções da mídia, da administração e da ciência.

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É nesse sentido que em 2025 foi realizado um estudo sobre a DANA de Valência de 2024. DANA - sigla para Depresión Aislada en Niveles Altos, ou Depressão Isolada em Níveis Altos - é um fenômeno meteorológico extremo típico da Espanha marcado por tempestades com chuvas intensas em um curto período de tempo e uma queda brusca das temperaturas. O estudo destaca a necessidade de conectar conhecimento científico, alertas e capacitação do público. Isso exige a conversão de informações sobre o perigo em decisões compreensíveis, sem confundir um alerta com uma ordem de evacuação.

Capacitação na comunidade local para tomada de decisões e comunicação

O quadro internacional de segurança escolar GADRRRES (2022) combina instalações seguras, gestão de emergências e educação preventiva. Essa perspectiva exige treinamento inicial e contínuo na interpretação de alertas, evacuação e confinamento, primeiros socorros, apoio emocional e comunicação acessível, mas também os recursos para implementá-la. Portanto, o corpo docente, a direção, os funcionários de manutenção, da alimentação e do transporte devem saber quem toma as decisões, quem verifica a presença dos alunos e quem informa as famílias.

O conhecimento da área local (o entorno dos alunos) também é importante. É por isso que outro estudo publicado em 2026 propõe trabalhar a percepção espacial por meio da identificação de ravinas, travessias sujeitas a alagamentos, trajetos para a escola etc., o que permite associar o risco a locais familiares. As simulações podem incorporar essas situações e verificar não apenas quanto tempo leva, mas também quem não compreendeu a mensagem ou precisa de ajuda.

Uma resposta diferente para cada risco

As ações devem estar alinhadas com o plano central de emergências e com as instruções dos serviços competentes. Por exemplo, durante um terremoto, dentro de casa, você deve se proteger debaixo de uma mesa resistente, cobrir a cabeça e ficar longe de vidros, sem correr para fora enquanto o tremor ainda estiver ocorrendo. Depois disso, a evacuação deve ser realizada de acordo com o plano e com quaisquer instruções recebidas.

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Em caso de enchente, por outro lado, uma evacuação preventiva só é adequada se as condições climáticas e as rotas forem seguras. Se a área externa já estiver alagada, deve-se evitar atravessar a água e procurar abrigo em áreas elevadas designadas, nunca em porões, desde que o prédio esteja seguro. Mas não se deve pedir às famílias que busquem os alunos por entradas perigosas.

Em caso de pandemia, as medidas dependem do tipo de infecção e da avaliação de saúde (não é necessário copiar automaticamente as medidas aplicadas para a COVID-19). Por exemplo, se a transmissão for respiratória, a ventilação dos ambientes faz parte da prevenção.

E no caso de um possível surto de intoxicação alimentar em massa, deve-se prestar atendimento às pessoas afetadas, entrar em contato com os serviços de saúde e de saúde pública, registrar os sintomas e os horários de início dos sintomas e informar as famílias sem atribuir uma causa que ainda não tenha sido confirmada. Ocorrências graves exigem ligar para o os números de emergência.

Explique de forma adequada à idade, sem esconder o risco

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) explica que o estresse pode dificultar a concentração e a memória. Por esse motivo, durante uma emergência, é melhor dar instruções breves, específicas e ordenadas, já que explicações longas devem ser reservadas para a preparação ou para o pós-emergência. "Tenha extrema cautela" não indica uma ação, ao passo que "Fique longe das janelas" indica.

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O UNICEF, por sua vez, recomenda informações verdadeiras e adequadas à idade, além de ouvir as preocupações dos alunos.

Na primeira infância, isso pode se traduzir em um sinal a cada vez, acompanhado de gestos: "Venha comigo; vamos com o grupo". No ensino fundamental, pode-se acrescentar uma razão simples, como "vamos ficar aqui porque está molhado lá fora". Nos ensinos médio e de formação profissional (técnico), o motivo das decisões deve ser explicado e os alunos devem ser ensinados a verificar quem é o remetente e a data de quaisquer avisos. Já no ensino superior e na formação de adultos, a clareza continua sendo essencial, sem infantilizar nem presumir que o protocolo já seja conhecido.

Por fim, deve ficar claro que a idade não é o único critério, pois pictogramas, mensagens escritas e faladas, traduções e apoio pessoal são necessários de acordo com as necessidades individuais. Durante a preparação, a compreensão pode ser verificada perguntando "mostre-me o que você faria", em vez de simplesmente se contentar com "você entendeu?". Quando alguém está com medo, dizer "eu entendo que você está com medo; estou aqui com você" oferece companhia e apoio sem prometer que nada vai acontecer.

O que a pandemia nos ensinou?

Alguns autores observaram perdas de aprendizagem durante o fechamento das escolas na Holanda na pandemia de COVID-19, maiores em famílias com níveis educacionais mais baixos. A lição para o planejamento é que a continuidade não pode se resumir ao envio de atividades digitais. Os planos de emergência devem prever contato com as famílias, alternativas presenciais e apoio, mesmo quando uma enchente impede a frequência à escola.

A comunicação também deve gerenciar mudanças no cenário, indicando o que se sabe, o que permanece incerto e por que uma medida está sendo alterada. Assim, reconhecer os limites do conhecimento evita que se ofereçam garantias que o governo ou a escola não possam cumprir.

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Uma gestão de crises que forneça instruções úteis

As áreas de Educação, Saúde Pública, Defesa Civil e as prefeituras precisam de mensagens coordenadas, não circulares e contraditórias. Cada alerta deve identificar o remetente, a data e a hora, os centros afetados, a ação necessária, um contato para incidentes e a próxima atualização, diferenciando as instruções para diretores das escolas das destinadas às famílias. Da mesma forma, os alertas não devem ser municipais; devem abranger as áreas afetadas, independentemente dos limites municipais.

Um exemplo hipotético para uma escola com um abrigo interno seguro seria: "Organização, data, 11h, nome da escola: as vias de acesso estão alagadas. Mantenham os alunos nas áreas seguras previstas no plano. Não autorize saídas pelos pontos de acesso alagados. Informe às famílias para que não se desloquem até a escola. Atualizaremos as instruções ao meio-dia pelo canal (nome do canal). Incidentes: (telefone)".

A mesma versão deve ser enviada por meio de vários canais, com alternativas caso a conexão falhe. A direção deve confirmar o recebimento e relatar quaisquer impedimentos ao cumprimento das instruções. Também é necessário explicar como será realizado o reencontro seguro com as famílias e, em seguida, analisar quaisquer incidentes e necessidades emocionais.

Portanto, a qualidade da resposta não é medida pelo número de comunicações, mas por se as pessoas conseguem compreendê-las e agir sem serem excluídas.

Este artigo faz parte de uma série do The Conversation España dedicada a compreender melhor os riscos, as crises e as emergências, bem como o papel fundamental da comunicação no enfrentamento desses desafios. É fruto de uma colaboração com a Cátedra Universidade de Barcelona-Conselho Provincial de Barcelona sobre Comunicação Clara aplicada às Administrações Públicas.

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The Conversation
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Foto: The Conversation

Os autores não prestam consultoria, trabalham, possuem ações ou recebem financiamento de qualquer empresa ou organização que se beneficiaria deste artigo e não revelaram qualquer vínculo relevante além de seus cargos acadêmicos.

Este artigo foi publicado no The Conversation Brasil e reproduzido aqui sob a licença Creative Commons
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