Como mãe de Dinho, do Mamonas, recebeu a notícia da morte precoce do filho aos 30 anos

Célia Alves diz que talento do filho, que morreu precocemente aos 25 anos, vem desde que ele tinha 3 anos

28 fev 2026 - 03h57
Dinho ao lado da mãe, Célia Alves
Dinho ao lado da mãe, Célia Alves
Foto: Arquivo pessoal

A lembrança mais marcante que Célia Alves, de 72 anos, tem de seu filho Alecsander Alves Leite, o Dinho, é a de seu nascimento. "Eu vi aquele menino lindo, pesando quase 5 kg. Eu tinha apenas 17 anos. Era cabeludo, a coisa mais linda. É o momento mais feliz da minha vida, quando ele veio ao mundo para minha alegria. E eu não sabia que ele iria trazer tanta alegria pro povo também", conta em entrevista ao Terra.

  • Essa reportagem faz parte do especial Mamonas Assassinas - 30 anos de saudade, que traz histórias e relembra momentos do grupo que conquistou o Brasil

Dinho morreu no dia de 2 de março de 1996 aos 25 anos, três dias antes do seu aniversário, naquela que viria ser uma das tragédias mais marcantes da música brasileira. No avião, que colidiu com a Serra da Cantareira, estavam ele, os integrantes dos Mamonas Assassinas e a equipe da banda que incluía, inclusive, seu primo Isaac.

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"Eu estava no aeroporto, tinha ido buscar ele. Não foi fácil. Você lá, esperando sair teu filho, na saída do aeroporto. E de repente vem essa notícia. Eu entrei em um pesadelo, todos nós familiares entramos nesse pesadelo. Eu perdi não somente meu filho, mas meu sobrinho Isaac. Éramos duas irmãs com a mesma dor. A dor também era da perda de todos eles, os meninos viviam na minha casa", relata. 

O acidente que matou os Mamonas Assassinas completa 30 anos este mês. O sucesso meteórico da banda durou nove meses. Pouco para o calendário, mas o suficiente para entrar para a história. Dinho, Bento, Samuel, Sérgio e Júlio Rasec quebraram padrões musicais da época e ganharam fãs por todo o mundo. 

O talento de Dinho para música veio de berço. Com três aninhos, ele já cantava e encantava todos ao seu redor. Com o tempo, ele foi integrando o grupo de músicos da igreja evangélica que a família frequentava. Dona Célia achava que o filho seguiria carreira dentro da igreja. A música, no entanto, sempre faz parte da família, indo do avô de Dinho até os tios e primos.

"Eu sempre acreditei que ele ia longe, mas imaginava que seria um sucesso dentro da igreja que ele foi criado. Eu sou cristã e frequento a igreja desde o dia que eu nasci. Quando era pequeno, ele dizia: 'Eu vou ser famoso. Todos um dia vão falar de mim'. E olha nós duas aqui falando dele", recorda. 

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Registros de Dinho na casa de dona Célia Alves
Foto: Arquivo pessoal

Perder um filho tão jovem no auge da fama não foi fácil. Dona Célia conseguiu seguir em frente graças ao apoio dos outros dois filhos, Marcos Adriano e Grace Kelly. Pouco tempo depois da morte de Dinho, ela ganhou uma neta chamada Alecsandra, nome dado em homenagem ao tio. 

"Estes 30 anos foram facéis para ninguém, porque passar pela perda não é fácil para ninguém, ainda mais quando se perde um filho. O Brasil inteiro também perdeu um filho. Os pais choravam como se eles fossem filhos deles. Na minha casa, recebia fãs de todas as idades, até criancinha que mal falava, ia na minha casa na época da perda ali, logo que aconteceu. Eu acabava chorando junto. A saudade fica para sempre então a gente vai vivendo, com a ajuda de Deus, um dia de cada vez", afirma.

A mãe de Dinho revela que ele sempre foi muito criativo e alegre. Do jeito que ele era na televisão e com os fãs, ele era em casa. O sucesso do Mamonas Assassinas pegou todo mundo de surpresa, mas Dona Célia diz que nunca deixou de acreditar que um dia ele ganharia destaque nacional. 

"Eles tinham gravado um LP de vinil como Utopia, mas não fez sucesso. Mas quando passaram a ser Mamonas mudou muita coisa: o ritmo, a música, as letras. Eles não achavam que iam fazer tanto sucesso, mas eu sempre acreditei que ele ia longe. Quando estourou, eles estavam muito felizes", relembra. 

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O vocalista Dinho (Alecsander Alves), do Mamonas Assassinas, é visto durante apresentação da banda em 1995
Foto: Acervo do Estadão

Em 2025, dona Célia lançou o livro Indo Além da Dor, no qual relata o seu luto e em como se apegou a sua fé para lidar com a morte do filho. Além disso, a obra conta com histórias inéditas dos bastidores da vida de Dinho antes da tragédia que abalou o Brasil, com menções à infância e à juventude do artista. 

"Ele tinha um sonho e alcançou. Mas chegou a hora dele. Todo mundo tem a hora de ir. Dói bastante, machuca, você chora de saudade e as lembranças permanecem. Eu tenho uns troféus, guardo muita coisa dentro de casa, mas continuo firme fazendo meu trabalho dentro da igreja, principalmente, e consegui lançar um livro no qual eu conto as histórias dele".

Quase três décadas após a tragédia, os corpos dos integrantes do quinteto foram exumados, em Guarulhos (SP). A iniciativa faz parte de um projeto que busca usar os restos mortais cremados como adubo no plantio de cinco árvores no BioParque Cemitério de Guarulhos, local onde eles estavam sepultados. Cada árvore representará um dos integrantes.

"O cemitério convidou a gente para prestar essa homenagem. A árvore que levará o nome do Dinho é Jacarandá. Os túmulos continuarão lá porque os fãs gostam de visitá-los, mas vai ser legal ter a árvore e um lugar de fotografias porque os fãs merecem. Vão ter fotografias deles e muitas novidades. Quem quiser levar as fotografias depois, eu creio que terá um painel para serem colocadas. Eles merecem todas as homenagens porque trouxeram alegria para nossa nação", finaliza dona Célia. 

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Fonte: Portal Terra
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