O que estão compartilhando: trecho do Jornal Nacional que informa que o número de pessoas que passam fome no Brasil aumentou para 33 milhões.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. A reportagem do Jornal Nacional, na verdade, foi exibida em 8 de junho de 2022. O "atual governo" citado no telejornal, portanto, não é o de Luiz Inácio Lula da Silva, mas o de Jair Bolsonaro.
Saiba mais: A postagem publicada no Instagram omite a data da reportagem do Jornal Nacional e edita o vídeo para induzir o entendimento de que os dados apresentados são atuais.
Naquele dia, havia sido divulgado um levantamento da rede Penssan, que reúne pesquisadores de universidades e instituições de todo o País. Segundo o relatório, o número de pessoas que passavam fome no Brasil havia aumentado para 33 milhões. O estudo informava que o Brasil voltava a um patamar registrado na década de 1990.
Em um trecho da reportagem destacado na postagem, o repórter diz: "A pesquisa lembra que o Consea, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar, que permitia a participação da sociedade na elaboração de políticas públicas contra a fome, foi extinto no primeiro dia do atual governo". A referência era à gestão de Bolsonaro. Um dos órgãos responsáveis por monitorar políticas de segurança alimentar e nutricional no País, o Consea foi extinto por Bolsonaro ao assumir a Presidência, em 1º de janeiro de 2019. Lula reativou o Consea quando voltou ao governo para o terceiro mandato, em 2023.
Sob o governo Lula, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU) anunciou em julho de 2025 que o Brasil estava fora do Mapa da Fome. O País ficou abaixo do patamar de 2,5% da população em risco de subnutrição ou de falta de acesso à alimentação suficiente, critério usado para considerar se uma nação está ou não no mapa da fome.
Também são de 2025 os dados oficiais mais recentes sobre o tema. No dia 10 de outubro daquele ano, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), divulgada pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que 6,4 milhões de brasileiros viviam em situação de insegurança alimentar grave.
O levantamento de então mostrava melhoria na insegurança alimentar leve (queda de 18,2% para 16,4%); moderada (de 5,3% para 4,5%); e grave (de 4,1% para 3,2%).
Este conteúdo desinformativo também foi checado por Reuters e Aos Fatos.