O novo Caoa Changan CS55 chega ao mercado com preços entre R$ 144.990 e R$ 189.990, destacando-se na versão Infinity (R$ 154.990). Maior que rivais como Jeep Compass, ele aposta no amplo espaço interno, porta-malas de 525 litros e motor 1.5 turbo de 180 cv. O SUV traz interior tecnológico, pacote ADAS nível 2 e suspensão bem adaptada às vias brasileiras, além de cabine silenciosa. Com foco em custo-benefício, o modelo mira a liderança do segmento, tendo apenas o consumo de combustível como ponto de atenção.
A Caoa Changan é a segunda joint venture da empresa brasileira em parceria com uma fabricante chinesa. A primeira, como a maioria deve saber, é a Chery, que hoje já está consolidada e posicionada como uma das montadoras mais importantes do País.
A chegada da Changan, no entanto, traz um novo leque de produtos para o mercado nacional. A ofensiva iniciou com a estreia do UNI-T, um SUV com pegada mais esportiva, e em seguida veio o CS75, um modelo um pouco maior e mais refinado.
E a terceira aposta da marca recaiu sobre "as rodas" do CS55, um SUV de porte médio maior que Jeep Compass e Toyota Corolla Cross, mas com preços extremamente agressivos. A ideia da marca é tornar o modelo um best-seller no segmento de médios do País, e o meu objetivo hoje é te contar se ele tem cacife para isso ou não.
Disponível em três versões — Prime, Infinity e PHEV —, o CS55 começa nos R$ 144.990 na versão de entrada e vai até R$ 189.990 na variante híbrida plug-in topo de linha. A variante com a qual nós tivemos contato foi a intermediária Infinity, vendida por R$ 154.990. E já adiantando: é a que mais tem atributos para atrair o consumidor e ser a mais vendida entre as três.
Bom, antes de mais nada, é importante apresentar para você as credenciais do CS55. Vamos começar por suas dimensões: no total, são 4,55 metros de comprimento, 1,86 metro de largura, 1,67 metro de altura e entre-eixos de 2,65 metros. E contra números não há argumentos. O porte do CS55 é um dos seus grandes diferenciais frente a outros modelos do segmento de SUVs médios. Para efeito de comparação, ele é 15 centímetros maior que um Jeep Compass, 4 centímetros mais largo e tem ainda 2 centímetros a mais de entre-eixos.
O seu porte é acompanhado de um design alinhado à linguagem visual da Changan. O principal atrativo está na frente: uma enorme grade vazada em formato de favo de mel. O visual se completa por um conjunto óptico em formato de "C" invertido e uma barra de LED responsável por interligar os faróis — uma mera lembrança aos modelos da Kia de nova geração. O capô, contudo, é bem plano e dá ao SUV um quê maior de robustez.
Assim como o capô, o CS55 tem uma linha de cintura alta, mas os vincos que passam pela lateral da lataria não o deixam com um aspecto "quadradão". Os retrovisores são pintados em preto brilhante, ao contrário das maçanetas, que são da mesma cor da carroceria e possuem um design mais simples — o que será comum de ver em carros chineses daqui para frente após a proibição de puxadores embutidos a partir de 2027 na China.
O Changan CS55 vem calçado em pneus 225/55 R19 da Pirelli. As rodas são de 19 polegadas em todas as versões. Na Infinity, que nós testamos, o desenho é de cinco raios e o acabamento é diamantado.
A traseira, por fim, mantém a tendência de mercado com lanternas interligadas totalmente em LED. O logo da Changan fica posicionado bem no centro. O para-choque tem apliques em preto e aqui temos a primeira penalidade do CS55: saídas de escape falsas. Apesar de não ter um apelo esportivo, saídas funcionais trariam ao SUV o refino do qual a Caoa Changan pretende dispor no Brasil.
Espaço interno como diferencial
Como é de se esperar por conta dos 4,55 metros de comprimento e 2,65 metros de entre-eixos do Changan CS55, o espaço interno é um dos seus principais diferenciais frente aos seus concorrentes no segmento de SUVs médios no País.
Por ser um modelo familiar, o CS55 oferece ótimo espaço de porta-malas, com 525 litros de capacidade total e até 1.415 litros com a segunda fileira rebatida. A marca só não especificou se o volume foi medido no padrão VDA, o mais adotado no mercado brasileiro. A título de comparação, o Jeep Compass entrega 410 litros no padrão VDA e 476 litros na medição líquida.
Para quem vai atrás, o conforto é privilegiado. O espaço para pernas, pelo menos para mim, que tenho 1,78 m, é mais do que suficiente. Com o banco do motorista ajustado na minha posição de dirigir, há uma distância de cerca de 15 a 20 centímetros entre o joelho e a parte de trás do assento. O espaço para a cabeça é ainda maior e a sensação de profundidade é aumentada pelo teto panorâmico que se estende até a metade da segunda fileira.
Além do espaço, os assentos são muito confortáveis e contam com uma espuma de boa espessura. Praticamente tudo é revestido de couro sintético, até mesmo os revestimentos de apoio de braço nas portas.
Há apenas dois detalhes que devem ser relatados: a posição do assento da segunda fileira é um pouco elevada e o assoalho é um pouco mais alto, provavelmente por conta de o projeto do carro já contemplar a bateria do sistema híbrido disponível na versão topo de linha. O túnel central, contudo, é praticamente plano, privilegiando o espaço para as pernas de quem vai no banco do meio. Vale destaque também a saída de ar-condicionado dedicada e uma tomada USB do tipo C.
Muita tela, poucos botões
Assim como outros carros chineses, o Caoa Changan CS55 segue à risca o minimalismo na cabine, sobretudo na primeira fileira. Há uma única peça para as duas telas principais: o cluster digital de 10,3" e a central multimídia de 14,6". O funcionamento de ambas é muito bom, assim como a definição da imagem.
O quadro de instrumentos concentra as informações principais do carro e pode ter seu layout alterado de acordo com a seleção do modo de condução. No Sport, por exemplo, ele muda de cor (para vermelho e preto) e adiciona na tela velocímetro e conta-giros. Na maior parte do tempo, o layout é azul, mostrando apenas a velocidade e outros detalhes.
O principal da cabine é a central multimídia, não apenas por seu tamanho e definição, mas porque praticamente tudo o que você pode alterar está concentrado dentro dela. Abertura da tampa do porta-malas, ligar ou desligar os faróis, abertura do teto solar e até mesmo ajustes dos retrovisores: tudo isso é realizado pela tela.
Para facilitar um pouco a vida de quem está ao volante, a Changan adicionou dois botões personalizáveis no volante (identificados por uma estrela). Sendo assim, é possível, por exemplo, selecionar o ajuste de posição dos retrovisores por ele. Mas ainda é necessário recorrer à central para personalizar essa função.
Para não dizer que não há nenhuma funcionalidade que possa ser acionada por botões táteis, o console central possui alguns comandos para ajuste de temperatura do ar (que é de duas zonas) e também o seu acionamento. Faltou um terceiro voltado para o fluxo de ar. Este último só pode ser alterado na central multimídia pela barra fixa posicionada na parte inferior da tela.
Porém, mesmo com essa barra fixa, alguns ajustes voltados à ventilação só podem ser mexidos dentro da central. O próprio fluxo de ar só pode ser aumentado ou diminuído dentro da área dedicada ao ar-condicionado da tela. O mesmo vale para a ventilação e aquecimento dos bancos, disponível tanto para o banco do motorista quanto para o do passageiro.
E há ainda um agravante em relação à barra fixa: quando o Apple CarPlay está em funcionamento, ela não aparece mais na tela e é necessário arrastar o dedo para cima para conseguir acessar essas funcionalidades.
Os assentos, assim como na fileira de trás, são extremamente confortáveis e mais do que suficientes para suportar viagens longas. O banco do motorista conta com 6 ajustes elétricos, função de memória e ajuste lombar, enquanto o do passageiro tem 4 ajustes elétricos.
Valem alguns outros destaques pela cabine, como o acabamento soft-touch de boa qualidade por quase todo o habitáculo, carregador de celular por indução, dois porta-copos no console central, compartimento com saída de ar-condicionado dedicada e sistema de som com 8 alto-falantes da Pioneer. A lista de equipamentos da versão Infinity, aliás, contempla elementos refinados e vistos somente em carros mais caros. Exatamente por conta disso a considero a mais interessante da linha.
0 a 100 km/h abaixo dos 9 segundos
A versão Infinity, assim como a versão de entrada Prime, utiliza o conjunto 1.5 turbo de 180 cv e 29,2 kgfm de torque aliado a um câmbio automático de dupla embreagem (DCT) de sete velocidades. É exatamente a mesma configuração dos outros modelos vendidos pela Caoa Changan no Brasil, portanto já um pouco mais "conhecida". A diferença da linha do CS55 em relação aos seus irmãos de marca está na versão topo de linha com sistema PHEV. Apesar de ainda não termos tido contato, ela combina o mesmo motor 1.5 turbo a outro propulsor elétrico para entregar 286 cv e 47 kgfm. A transmissão é do tipo DHT de apenas uma marcha.
Indo direto ao ponto, o conjunto presente nas versões a combustão do CS55 é mais do que suficiente para disponibilizar um bom desempenho tanto na cidade quanto na estrada. Afinal, ele vai de 0 a 100 km/h em cerca de 8,1 segundos, de acordo com os dados divulgados pela fabricante.
Ao volante, a posição para dirigir é bem agradável e o banco é muito confortável, como já foi destacado. Por ter um capô plano e uma cintura alta, a sensação é de que você está em uma posição bem alta na condução, mas não gera aquela insegurança por falta de visão. Primeiro porque o campo é bem amplo e segundo porque o modelo conta com sistema de câmeras 360º.
Apesar da sensação, o CS55 tem ângulos de entrada (20º) e saída (27º) dentro do padrão do segmento, assim como a sua altura em relação ao solo, que é de 18,8 cm. Para efeito de comparação, vale citar o Jeep Compass, que tem números melhores: 21,5º de entrada, 30,7º de saída e vão livre de 20,5 cm. Porém, o CS55 se mostrou mais do que capaz de suportar os aclives das ruas da cidade de São Paulo.
Agora, falando propriamente sobre a condução, o SUV da Caoa tem bons pontos de destaque e algumas falhas que me incomodaram um pouco durante o tempo em que estive com o carro.
Como já mencionado, o motor 1.5 turbo de 180 cv é suficiente para um carro familiar. Na cidade, seu comportamento é típico de um SUV de porte médio: tem saídas suaves — apesar de eu ter demorado um tempinho para me acostumar com o peso do pedal do acelerador para não sair de forma brusca —, os freios a disco nas quatro rodas (sendo ventilados na dianteira e sólidos na traseira) também correspondem muito bem e, na estrada, as retomadas e ultrapassagens são feitas com tranquilidade.
Um ponto importante que vale atenção são os modos de condução e direção do carro. O comportamento dinâmico do CS55 muda (muito) de acordo com o que você seleciona na central multimídia. Particularmente, a combinação do modo Sport (condução) e Auto (direção) foi a que mais me agradou.
No total, são três modos de condução (Eco, Normal e Sport) e quatro modos de direção (Leve, Normal, Sport e Auto). O primeiro é responsável por alterar o comportamento dinâmico do carro, enquanto o segundo altera o peso da direção.
Nos meus primeiros contatos, utilizei mais as combinações de modo Eco + Leve/Normal. Esse conjunto, porém, me desagradou principalmente na questão do turbo lag do pedal do acelerador. Senti que o motor demorava um pouco para entregar potência e tornava as saídas um pouco mais bruscas do que eu gostaria. Mas não pense que isso é um problema exclusivo do CS55. A grande maioria dos modelos a combustão vendidos atualmente sofre com isso, sobretudo em versões mais potentes.
Esse problema, contudo, foi sanado com o uso do modo Sport na condução. A entrega de potência se tornou muito mais linear e as acelerações foram entregues quase que instantaneamente.
A direção também se mostrou mais adequada no modo Auto, que ajusta o seu peso de acordo com a demanda do próprio carro. O modo Leve, como o próprio nome já diz, é macio até demais e torna a comunicação entre volante e roda menos direta, enquanto os outros dois modos (Normal e Sport) não têm muito o que adicionar. O Normal tem um peso adequado, enquanto o Sport entrega o que propõe: uma direção mais pesada, voltada para a esportividade.
Em relação à segurança, o CS55 vem de série com seis airbags e pacote completo de assistências à condução (ADAS) de nível 2 na maioria das versões. O conjunto traz: piloto automático adaptativo, frenagem autônoma de emergência com detecção de pedestres e ciclistas, assistente de permanência em faixa, alerta de colisão frontal e traseira, monitoramento de ponto cego integrado à câmera 540°, alerta de mudança de faixa e alerta de tráfego cruzado traseiro.
Nem todas as versões do Changan CS55, porém, contam com os sistemas ADAS. A variante de entrada Prime ficou sem o pacote, e a justificativa é o preço: foi a forma que a Caoa encontrou para posicionar a opção inicial abaixo dos R$ 150 mil.
Suspensão muito bem tropicalizada
O Caoa Changan CS55 vem montado com uma suspensão do tipo MacPherson na dianteira e Multilink na traseira. E a tropicalização desse conjunto merece elogios, pois se comporta muito bem nas nossas ruas esburacadas.
Diferente dos outros modelos vendidos pela joint venture, o CS55 teve mais tempo de desenvolvimento e já foi pensado para o mercado nacional.
Diferente de outros carros chineses, o CS55 não tem aquela suspensão "pula-pula" que desagrada e causa até náuseas para quem está na cabine. Ela também não é tão firme a ponto de transmitir qualquer pequeno aclive para dentro do habitáculo. O SUV tem um bom curso de suspensão e supera com tranquilidade os buracos.
Outro detalhe que vale ser citado, mas não envolve suspensão, é o silêncio da cabine. Os vidros laterais dianteiros são duplos e laminados (tecnologia Silent Glass), o que ajuda diretamente a conter o barulho de fora e manter o habitáculo sempre silencioso.
O maior ponto de atenção: o consumo
O consumo do CS55 é um ponto de atenção desde o anúncio do carro e a divulgação dos números nos testes do Inmetro. A média é a seguinte:
- Gasolina: 10,4 km/l na cidade e 12,1 km/l na estrada
- Etanol: 7,3 km/l na cidade e 8,3 km/l na estrada
Estes números, no entanto, não estão muito distantes dos seus principais rivais: Toyota Corolla Cross, que faz 11,2 km/l na cidade e 13 km/l na estrada com gasolina, e Jeep Compass, que faz uma média de 10,1 km/l na cidade e 12,1 km/l na estrada, também com gasolina.
Porém, o consumo pode ser um ponto de atenção pois nessa faixa de R$ 155 mil já temos alguns modelos híbridos com preços muito próximos, mesmo que sejam de outras categorias. Destaque para dois: Omoda 5 HEV e BYD Atto 2, que fazem médias de mais de 15 km/l na cidade.
Durante o tempo em que estive com o CS55, decidi fazer um trajeto urbano com trânsito de cerca de 14 km para ver a sua média. Foram cerca de 32 minutos de trajeto da Mooca, Zona Leste de São Paulo, até a redação do Jornal Estadão (Zona Norte).
Dentre ruas de bairros e uma Marginal Tietê razoavelmente lotada, o consumo médio fechou em 9,3 km/l com gasolina, cerca de 1,1 km/l a menos que a média do Inmetro. Porém, era esperado por conta do trânsito que estava cheio, mas não totalmente parado.
O CS55 pode se tornar um dos SUVs médios mais vendidos do País?
A resposta para essa pergunta é um tanto quanto difícil de responder. O CS55 tem alguns diferenciais importantes e que trazem para ele um "charme", como seu porte e espaço interno, motorização competente, sistema ADAS bem completo a partir da versão intermediária e muito mais.
Em seu lançamento em setembro, o modelo recebeu cerca de 3.000 pedidos em 3 dias, de acordo com a Caoa.
O posicionamento do CS55 é muito parecido com o do Caoa Chery Tiggo 7, seja em porte ou até preço. Hoje, o Tiggo já é um dos SUVs médios mais vendidos do País e, no mês passado, depois de receber a linha 2027, chegou à marca de 4.102 unidades emplacadas. Portanto, se o Changan CS55 conseguir cair no gosto do consumidor como o seu "primo" distante, é provável que ele consiga números de vendas mensais expressivos.
As duas versões mais baratas do modelo, Prime e Infinity, mergulham também em uma faixa de preço muito acirrada, onde há a presença desde modelos subcompactos topo de linha (como VW Tera e Jeep Avenger) até versões de SUVs compactos. E a versão intermediária é a que ganha maior atratividade por ter equipamentos que somente SUVs médios mais equipados possuem.