Rodar com caminhão elétrico já é mais barato do que com diesel em 2026, mas isso não significa que a tecnologia seja a melhor opção para todo tipo de operação. Na prática, o custo por quilômetro, embora relevante, não determina sozinho a viabilidade no transporte de cargas.
Levantamento do Estradão feito com base em dados de mercado, órgãos reguladores e especificações técnicas de montadoras mostra que o elétrico tem vantagem clara no consumo de energia, enquanto diesel e biocombustível seguem mais competitivos em operações de longa distância, onde escala, autonomia e infraestrutura ainda pesam mais.
Caminhão elétrico tem melhor custo por km
Nos caminhões pesados, o custo de energia elétrica varia entre R$ 1,20 e R$ 1,60 por quilômetro rodado, considerando consumo médio de 1,5 a 2,0 kWh/km em modelos de grande porte.
Já o diesel S10, com preço médio de R$ 7,58 por litro segundo a Agência Nacional do Petróleo, tem custo entre R$ 3,29 e R$ 3,79 por km, a depender da eficiência do veículo. O valor ainda sobe com o uso de Arla 32, obrigatório em motores Euro 6.
O biocombustível, na mistura atual (B15) definida pelo Conselho Nacional de Política Energética, apresenta custo semelhante ao diesel, variando entre R$ 3,35 e R$ 3,85 por km, com leve perda de eficiência e possível aumento de manutenção.
Na média, a diferença de custo pode chegar a cerca de 60% a favor do elétrico.
O custo por quilômetro é apenas uma parte da conta. O painel abaixo mostra onde o caminhão elétrico já venceu — e onde ainda perde — na comparação com diesel e biocombustível em 2026.
Diesel, biocombustível e elétrico: custo por km em 2026
Estradão — dados de mercado 2026
Diesel, biocombustível e elétrico: custo por km em 2026
Comparativo de custo operacional, infraestrutura e viabilidade dos três tipos de caminhão no Brasil.
Elétrico
R$ 1,40/km
intervalo: R$ 1,20 a R$ 1,60
Média calculada pelo Estradão a partir de dados de mercado
Diesel S10
R$ 3,54/km
intervalo: R$ 3,29 a R$ 3,79
Média calculada pelo Estradão; preço do litro: ANP (R$ 7,58)
Biocombustível (B15)
R$ 3,60/km
intervalo: R$ 3,35 a R$ 3,85
Média calculada pelo Estradão; mistura B15: CNPE
Custo por km — comparativo visual
Elétrico Diesel S10 Biocombustível B15 Elétrico R$ 1,40 −60% Diesel S10 R$ 3,54 referência Biocombustível B15 R$ 3,60 +2%Médias calculadas pelo Estradão. Preço do diesel S10: ANP (R$ 7,58/litro). Mistura B15: CNPE.
Simulador — custo total por distância percorrida
Selecione a distância:
500 km 1.000 km 2.000 km 3.000 km 5.000 km menor custo
Elétrico
R$ 700
R$ 1,40/km (média Estradão)
combustãoDiesel S10
R$ 1.770
R$ 3,54/km (média Estradão)
intermediárioBiocombustível B15
R$ 1.800
R$ 3,60/km (média Estradão)
menor custoElétrico
R$ 1.400
R$ 1,40/km (média Estradão)
combustãoDiesel S10
R$ 3.540
R$ 3,54/km (média Estradão)
intermediárioBiocombustível B15
R$ 3.600
R$ 3,60/km (média Estradão)
menor custoElétrico
R$ 2.800
R$ 1,40/km (média Estradão)
combustãoDiesel S10
R$ 7.080
R$ 3,54/km (média Estradão)
intermediárioBiocombustível B15
R$ 7.200
R$ 3,60/km (média Estradão)
menor custoElétrico
R$ 4.200
R$ 1,40/km (média Estradão)
combustãoDiesel S10
R$ 10.620
R$ 3,54/km (média Estradão)
intermediárioBiocombustível B15
R$ 10.800
R$ 3,60/km (média Estradão)
menor custoElétrico
R$ 7.000
R$ 1,40/km (média Estradão)
combustãoDiesel S10
R$ 17.700
R$ 3,54/km (média Estradão)
intermediárioBiocombustível B15
R$ 18.000
R$ 3,60/km (média Estradão)
Simulação baseada nas médias calculadas pelo Estradão. Valores reais variam conforme eficiência do veículo, topografia e condições de operação.
Por que o elétrico ainda não ganhou escala
Custo inicial do veículo
Elétrico até 3× mais caro Diesel referênciaFonte: dados de mercado, 2026.
Participação da frota elétrica de caminhões no Brasil
Frota elétrica atual 0,4%Fonte: Mirow & Co.
Projeção para 2030 (cenário otimista) até 8%Fonte: EPE e Anfavea (intervalo de 1,9% a 8% conforme o cenário).
Diesel — participação projetada em 2030 mais de 85%Fonte: Mirow & Co.
Principais gargalos
Carregadores insuficientes
Poucos carregadores DC têm potência e espaço físico adequados para caminhões de médio e grande porte.
Rede elétrica limitada
Muitas rodovias não têm acesso a redes de média ou alta tensão, necessárias para carregadores de alta potência.
Tempo de adequação longo
Reforço de rede e subestações podem levar de 6 a 24 meses, encarecendo e retardando a expansão da malha de recarga.
Fonte: ANEEL; Mirow & Co.
Perda de carga útil
Baterias pesadas reduzem em até 2 toneladas a capacidade de carga, impactando operações com grãos e minério.
Quanto tempo para pagar o custo extra da compra
320.000 km ≈ 3,2 anos rodando 100 mil km/anoA cada quilômetro rodado, a economia no combustível vai compensando o preço mais alto na compra. Após 320 mil km, o custo extra já foi recuperado.
Fonte: Scania (quilometragem de equilíbrio); CNT (média de 100 mil km/ano).
Elaborado pelo Estradão com base em dados de mercado, ANP, CNPE, Scania, Mirow & Co., EPE, Anfavea e CNT. Os intervalos de custo por km são estimativas para 2026 e variam conforme eficiência do veículo, topografia e condições de operação.
Uma das críticas históricas ao caminhão elétrico é a perda de carga útil causada pelo peso das baterias. Em dezembro de 2024, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) publicou a Resolução nº 1.015, que aumenta em 1 tonelada a capacidade de peso no eixo dianteiro de caminhões e ônibus com propulsão alternativa ao diesel — incluindo elétricos, a gás e híbridos. Com isso, esses veículos passam a operar com até 7 toneladas no eixo dianteiro. A medida busca tornar as tecnologias alternativas mais competitivas frente ao diesel em termos de capacidade de carga.
Conta não fecha só no abastecimento
Apesar da vantagem no custo por km, o caminhão elétrico ainda enfrenta barreiras relevantes no Brasil. O principal entrave é o custo inicial: em 2026, um modelo pesado pode custar até três vezes mais que um equivalente a diesel.
Além disso, a infraestrutura de recarga ainda limita a expansão. Hoje, apenas 0,4% da frota de caminhões no país é elétrica , com concentração em operações urbanas e de grandes empresas.
Estudos indicam que, mesmo com crescimento, a participação deve chegar a no máximo 6% a 8% até 2030, mantendo o diesel como predominante no transporte rodoviário.
Quando o elétrico começa a compensar
Dados técnicos da Scania indicam que caminhões elétricos pesados já operam com consumo entre 1,45 e 1,75 kWh/km, em condições controladas de carga e topografia.
Na prática, o ganho operacional não vem apenas da energia mais barata. A manutenção também pesa: a ausência de componentes como óleo e sistemas complexos reduz o custo ao longo do tempo.
Ainda assim, o ponto de equilíbrio frente ao diesel só é atingido após cerca de 320 mil quilômetros rodados, ou aproximadamente três anos e meio de operação intensa, segundo projeções da própria fabricante.
Diesel e biocombustível seguem mais viáveis na estrada
Mesmo com avanços tecnológicos, o diesel continua sendo a principal escolha no transporte de longa distância.
A maior autonomia, a facilidade de abastecimento e a manutenção da capacidade de carga — sem o peso adicional das baterias — garantem vantagem em rotas rodoviárias.
Nos modelos elétricos, a perda de até duas toneladas de carga útil pode afetar diretamente o faturamento em operações com cargas densas, como grãos e minério.
Já o biocombustível avança como alternativa intermediária, aproveitando a infraestrutura existente e reduzindo emissões sem alterar significativamente a operação.
O que define o custo real em 2026
A comparação entre diesel, biocombustível e elétrico mostra que não existe uma tecnologia única mais barata para todas as aplicações.
O elétrico já venceu no custo por quilômetro, mas ainda não ganhou escala. O diesel segue dominante por atender melhor às exigências operacionais do transporte de cargas no país.
Na prática, a escolha depende do tipo de operação: rotas urbanas e previsíveis favorecem a eletrificação, enquanto longas distâncias ainda exigem soluções baseadas em combustão.