Por que o governo Lula é contra a classificação do PCC e do CV como grupos terroristas?

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira, 28, que as facções criminosas brasileiras serão designadas como terroristas

28 mai 2026 - 21h03
(atualizado às 21h08)
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, debateu o combate ao crime organizado durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, debateu o combate ao crime organizado durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República / Estadão

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira, 28, que passará a classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, uma medida a qual o governo Lula se opõe.

A decisão foi anunciada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e será efetivada no dia 5 de junho. "O CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntas, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, funcionários públicos e civis brasileiros. Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e por todo o país", declarou ele.

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Rubio argumentou que a decisão faz parte de um compromisso dos Estados Unidos em "desmantelar cartéis e organizações criminosas em nossa região e garantir a segurança do povo americano".

O secretário de Estado dos EUA disse ao ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, que o governo americano pretendia classificar as facções brasileiras como terroristas, medida a que o Planalto se opõe.

Integrantes do governo Lula consideram que a designação do PCC e CV como terroristas pode colocar em risco a soberania nacional, pois, com base em interpretações do direito internacional, isso abre margem para pressão de outros países sob o Brasil e, em um cenário extremo, até uma intervenção em território nacional.

Governistas e especialistas também analisam que as organizações criminosas não se encaixam nas definições utilizadas para descrever terroristas. Grupos de terrorismo são classificados dessa maneira por agir com base em motivações ideológicas, religiosas ou identitárias, diferentemente do funcionamento das facções brasileiras, que operam na lógica do lucro.

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Após encontro com Donald Trump no começo do mês, Lula disse ao presidente americano que o combate ao crime organizado é uma prioridade do governo brasileiro e que os EUA poderiam colaborar bilaterialmente nessa questão.

Fonte: Portal Terra
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