Zema diz que dialogará com parlamentares, mas não 'comprará mercenários'

Ex-governador de Minas Gerais disse não ter planos de reeleição e que pretende implementar governo de reformas

4 ago 2026 - 10h17
(atualizado às 12h57)

O ex-governador de Minas Gerais e candidato a presidente Romeu Zema (Novo) afirmou nesta terça-feira, 4, que, se eleito, implementará um governo de reformas em diálogo com o Congresso, mas não "comprará mercenários".

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O presidenciável prometeu implementar reformas na administração pública e na Previdência Social. Questionado sobre como iria gerir a coalizão no Congresso necessária para a aprovação dessas medidas, Zema afirmou que trouxe os deputados estaduais de Minas Gerais para sua base sem recorrer ao "toma lá, da cá". "Se for para ficar comprando mercenário, não concordo", disse o ex-governador.

Romeu Zema
Romeu Zema
Foto: Divulgação via G4 / Estadão

A declaração ocorreu durante sabatina promovida pela empresa de educação executiva G4 em parceria com o portal O Antagonista.

Além dele, foram entrevistados nesta manhã, em separado, os candidatos Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Flávio Bolsonaro (PL). O senador participou do encontro de forma remota. Entre os nomes mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto, Lula foi convidado, mas não compareceu.

Governo de reformas em quatro frentes

Zema afirmou não ter planos de reeleição e que não se importa em implementar medidas que avalia necessárias, embora impopulares. "Não me importo em ser o 'boi de piranha'", disse o candidato do Novo.

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Ele afirmou ainda que pretende atuar em quatro frentes. A primeira seria um amplo programa de desestatização. "Privatizar tudo. Para mim, não tem vaca sagrada. Correios, tudo. Não tem o que não privatizar", disse. Segundo ele, o Estado deve concentrar esforços nas áreas de segurança pública, saúde e educação, em vez de exercer atividade empresarial.

A segunda frente seria uma reforma administrativa para, nas palavras de Zema, "dar racionalidade ao Estado". O candidato também prometeu propor uma nova reforma da Previdência, por considerar insuficientes as mudanças aprovadas em 2019 diante do aumento da expectativa de vida da população.

A quarta medida seria uma revisão dos programas sociais. Zema defendeu a manutenção do Bolsa Família, mas afirmou que existem fraudes no programa e beneficiários que rejeitam oportunidades de trabalho e de retomada dos estudos.

Zema prometeu definir o vice "até amanhã" e antecipou que o companheiro de chapa será um correligionário. Dessa forma, a chapa à Presidência do Novo será "puro-sangue".

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'Tem alguém criticando tanto o Supremo quanto eu?', diz Zema

Durante a sabatina, Zema fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-governador prometeu "mudar o comportamento" da Corte e defendeu mudanças na forma de indicação de membros do Tribunal. "Tem alguém que está criticando o Supremo tanto quanto eu? Inclusive, estou respondendo a uma ação do Gilmar Mendes. Eu não tenho o rabo preso, não. Minha vida já foi vasculhada e não encontraram nada", afirmou.

O candidato do Novo propõe que os nomeados ao Supremo tenham uma idade mínima de 60 anos. Além disso, o indicado pelo presidente deverá partir de uma lista de três nomes.

Em um bate-volta sobre temas diversos, Zema declarou-se favorável à redução da maioridade penal, contrário à restrição do aborto nos casos previstos em lei e a favor da pena de morte para crimes como assassinatos em série e estupros. A pena de morte é proibida no Brasil para crimes comuns e não pode ser alterada nem mesmo por emenda à Constituição.

O candidato também afirmou ser contrário ao montante destinado ao Fundo Especial de Financiamento de Campanhas, o Fundão Eleitoral, embora não seja contrário ao modelo de financiamento público. Zema também defendeu a desvinculação de gastos obrigatórios para saúde e educação.

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