Zema diz que carta de Bolsonaro é 'mais que normal' e Caiado afirma que Flávio 'explora' o pai

Pré-candidatos à Presidência, que disputam votos da direita com filho de Jair Bolsonaro, criticaram decisão de Moraes de proibir visitas do senador ao ex-presidente; ministro do STF entendeu que medida cautelar foi descumprida

14 jul 2026 - 17h15

Os ex-governadores Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás, criticaram a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de proibir visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar.

Publicidade

Em entrevista à rádio CBN Santos nesta terça-feira, 14, Zema afirmou que a comunicação por carta entre uma pessoa detida e familiares é prática corriqueira e não representa risco. "É algo mais do que normal, é verificável, ninguém vai mandar dentro de uma carta uma faca, uma pistola, droga, etc. É papel", disse.

Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (PSD-GO) são pré-candidatos à Presidência
Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (PSD-GO) são pré-candidatos à Presidência
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Nesta segunda-feira, 13, o ministro do STF suspendeu por 90 dias o direito de visita do senador ao pai. A decisão foi motivada por uma transmissão ao vivo feita por Flávio no sábado, 11, em que ele exibiu uma carta manuscrita pelo ex-presidente, com a defesa da pré-candidatura do parlamentar à Presidência. Segundo Moraes, Flávio descumpriu a medida cautelar que proíbe Bolsonaro de usar as redes sociais, inclusive por meio de terceiros.

"É você querer tolher o direito do ser humano de se comunicar com filhos, esposa e família", afirmou Zema.

Para questionar a decisão de Moraes, o pré-candidato à Presidência pelo Novo citou o caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso em 2018. Na época, Lula se comunicou e se posicionou em favor do então candidato à Presidência Fernando Haddad (PT) durante o período em que esteve detido. Para Zema, o episódio mostra "dois pesos e duas medidas" por parte do STF.

Publicidade

Zema questionou o mérito da decisão de Moraes de analisar o conteúdo da carta. "O ministro do Supremo está perdendo tempo avaliando carta que alguém que está detido envia ou não envia. Isso, para mim, é coisa para juízes de primeira instância, para desembargador, e não para Supremo Tribunal Federal", disse.

O pré-candidato citou ainda o contrato entre Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, e o Banco Master, de Daniel Vorcaro. "Isso num país sério já teria sido impeachment. Eu falo que lá no Japão tem um código de honra muito grande, o código samurai. Lá, se um político tivesse feito isso, ele já teria pego uma espada enfiado no ventre ou dado um tiro", disse.

Zema poupou críticas a Flávio Bolsonaro, que também manteve relação com o banqueiro. O pré-candidato mineiro mantém postura dúbia sobre o envolvimento do senador: já defendeu "página virada" e a união da direita, mas também disse publicamente que Flávio não é confiável.

Já Caiado afirmou que Flávio e Moraes estão "jogando o mesmo jogo". O bolsonarismo, segundo o pré-candidato goiano, se aproveita do episódio para movimentar a base às vésperas da eleição. O ministro do STF, por sua vez, pauta o debate público com decisões sobre a carta e as visitas ao ex-presidente. "Um se alimenta do outro", afirmou Caiado, ao criticar o que chamou de disputa que não trata de temas relevantes para a população.

Publicidade

Para o ex-governador de Goiás, o episódio deveria ficar em segundo plano diante de questões como endividamento das famílias, avanço do crime organizado e falta de investimento em tecnologia.

Caiado também criticou diretamente o uso da imagem de Jair Bolsonaro pelo filho. "Eu acho que preciso parar e respeitar o ex-presidente Jair Bolsonaro e deixar de explorar o pai, deixar de explorar a figura do ex-presidente", disse. Segundo ele, "liderança não se transfere, a liderança se constrói". As declarações foram dadas em entrevista para a rádio Nova Brasil também nesta terça.

Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se