Eleito senador pelo Rio Grande do Sul com mais de 3,4 milhões de votos, Marcel van Hattem (Novo) afirmou que iniciará seu mandato, em fevereiro de 2027, trabalhando pelo impeachment do ministro Gilmar Mendes e de outros integrantes do STF. A investida contra magistrados da Corte foi uma de suas principais bandeiras de campanha, com foco inicial em Alexandre de Moraes. A declaração contra Mendes ocorreu em resposta a uma publicação do ministro na rede social X sobre as eleições.
Eleito senador pelo Rio Grande do Sul, Marcel van Hattem (Novo) afirmou que pretende iniciar os trabalhos na Casa, em fevereiro de 2027, defendendo o impeachment do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e de outros integrantes da Corte.
"E no dia primeiro de fevereiro de 2027 começamos os trabalhos pelo seu impeachment e pelo de alguns de seus colegas. Democracia e instituições voltarão a funcionar plenamente", escreveu Van Hattem em resposta a uma publicação feita pelo ministro no X.
A declaração ocorreu após Gilmar comentar o primeiro turno das eleições deste ano. O ministro afirmou que os brasileiros deram exemplo de "maturidade democrática" e destacou que, mesmo em disputas apertadas, os resultados das urnas foram respeitados. Também elogiou a atuação da Justiça Eleitoral e a segurança do sistema eletrônico de votação.
Van Hattem foi eleito ao Senado pelo Rio Grande do Sul no domingo, 4, com 3.449.053 votos, ou 30,08% dos votos válidos. O também deputado federal Ubiratan Sanderson (PL) ficou com a outra vaga em disputa no Estado, com 3.453.316 votos, ou 30,11%.
A pressão pela abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo foi uma das bandeiras adotadas por Van Hattem durante a campanha ao Senado. Em entrevista à Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) na semana passada, antes do primeiro turno, o então candidato afirmou que o ministro Alexandre de Moraes seria sua prioridade entre os integrantes da Corte contra os quais pretende defender a abertura de processo.
Questionado sobre qual pedido deveria ser analisado primeiro pelo Senado, Van Hattem citou Moraes "pelo número de pedidos e pelo conjunto da obra". Na ocasião, ele também fez uma distinção em relação ao ministro André Mendonça, a quem disse que era preciso "proteger" e classificou como "um dos poucos" integrantes do Supremo que, em sua avaliação, cumprem o papel de magistrado.
A declaração foi dada em meio ao embate entre Mendonça e Moraes no caso do Banco Master. Mendonça, relator do caso, havia retirado o sigilo de relatório da Polícia Federal que mencionava mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro destinadas a um contato identificado como Moraes. O ministro Alexandre de Moraes criticou a divulgação e apontou exposição seletiva das informações.
Na publicação desta quarta-feira, 6, Van Hattem incluiu nominalmente Gilmar Mendes entre os ministros que pretende mirar na próxima legislatura, que começa em fevereiro de 2027.