Temer diz que sem Moraes talvez não houvesse eleições em 2022 e que não se arrepende da indicação

Ex-presidente diz que ministro teve uma coragem jurídica e até pessoal extraordinárias

17 mar 2026 - 20h42

SÃO PAULO - O ex-presidente Michel Temer (MDB) defendeu nesta terça-feira, 17, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de críticas de que o magistrado teria "pesado a mão" na sua atuação diante de casos como o inquérito das fake news e nas ações penais envolvendo a trama golpista em torno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Eu o nomeei e confesso, não me arrependo, porque digo a vocês, se não fosse ele no passado recente, nós talvez não tivéssemos eleições no País", disse Temer. "Ele teve uma coragem jurídica e até pessoal extraordinárias."

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As declarações foram feitas durante o Fórum Pensa Brasil, promovido pelo canal BandNews TV. Também participou o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.

Michel Temer ao lado de seu então ministro Alexandre de Moraes
Michel Temer ao lado de seu então ministro Alexandre de Moraes
Foto: Dida Sampaio/ Estadão / Estadão

Temer indicou Alexandre de Moraes ao STF em 6 de fevereiro de 2017, para preencher a vaga aberta após a morte do ministro Teori Zavascki em um acidente aéreo.

"Interessante que não é só redes sociais, a crítica vem de um setor com mais credibilidade, que é a imprensa brasileira", continuou o ex-presidente. "Quando se fala que a 'liberdade de expressão tem que ser plena', tem que ser plena, tanto é plena que a imprensa critica muitas vezes o que o Supremo faz."

A defesa de Temer a Moraes vem no momento em que o ministro está envolto em polêmicas em razão da revelação de relações com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso por fraudes financeiras. Conforme revelou a colunista Malu Gaspar, do jornal "O Globo", as mensagens eram destinadas ao ministro Alexandre de Moraes. O ministro, porém, negou, sem explicar se teve alguma conversa com Vorcaro.

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O Estadão confirmou com pessoas a par da investigação que Moraes e Vorcaro conversaram no dia da prisão. Segundo o presidente da CPI do INSS, carlos viana, a mensagem de Vorcaaro questionando se o interlocutor teria conseguido "bloquear", enviada naquele dia, teve como destino um telefone funcional do STF.

Além disso, o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, tinha contrato com o Master que previa atuação no BC, na Receita e no Congresso e que previa o pagamento de R$ 3,6 milhões por mês, ao longo de três anos, o que poderia totalizar R$ 129 milhões.

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