TCU arquiva representação de Flávio Bolsonaro contra ex-nora de Lula

Para ministros do órgão, a ação não trazia 'elementos suficientes' de uso de recursos federais para justificar abertura de investigação

8 jun 2026 - 14h24
(atualizado às 14h40)

O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu arquivar representação protocolada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que pedia a investigação de Carla Ariane Trindade, ex-nora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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O senador pedia que o tribunal apurasse possíveis "ilegalidades" no repasse de recursos entre o Ministério da Educação e a empresa Life Tecnologia Educacional, ligada a Carla. O caso é investigado pela Polícia Federal e foi alvo de operação no ano passado.

No acórdão publicado pelo TCU, os ministros da Segunda Câmara do órgão entendem que a representação de Flávio não continha elementos suficientes para justificar a abertura de uma investigação, uma vez que não apresentava documentação capaz de "individualizar fatos, identificar procedimentos licitatórios ou contratos específicos ou delimitar possíveis responsabilidades."

Ministros do Tribunal de Contas da União decidiram que representação não preenche critérios de admissibilidade
Ministros do Tribunal de Contas da União decidiram que representação não preenche critérios de admissibilidade
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado / Estadão

"A mera menção a valores vultosos, a supostos esquemas de favorecimento ou a possíveis interferências externas, sem lastro em processos administrativos concretos, não preenche os requisitos de admissibilidade", diz o acórdão.

O documento cita ainda que consultas realizadas pela unidade técnica em bases oficiais não identificaram licitações, contratos ou pagamentos envolvendo a empresa no âmbito federal e que a competência fiscalizatória do tribunal se restringe à aplicação de recursos federais.

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Durante as apurações, o TCU localizou Ata de Registro de Preços vinculada a uma licitação da Prefeitura de Hortolândia (SP) para aquisição de materiais educacionais. Como o edital da licitação indica como origem dos recursos o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que não recebeu complementação da União em 2025 e 2026, o tribunal entendeu que a competência nesse caso seria do Tribunal de Contas estadual.

Diante disso, o TCU remeteu os documentos relativos ao certame ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), "para que avalie a conveniência e a oportunidade de promover ação de controle acerca dos fatos relatados".

Relembre investigação da PF

Em novembro do ano passado, a PF deflagrou a Operação Coffee Break para apurar liberação de recursos do MEC para a Life Tecnologia Educacional, suspeita de fraudes.

A empresa recebeu cerca de R$ 70 milhões para fornecimento de kits e livros escolares para três prefeituras do interior de São Paulo. Segundo a PF, o material vendido era superfaturado e os valores eram desviados para empresas de fachada.

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De acordo com a investigação, o dono da empresa, André Mariano, contratou Carla Ariane para obter vantagens junto ao governo federal. Ela foi casada com Marcos Cláudio Lula da Silva, filho da ex-primeira dama Marisa Letícia e filho adotivo do presidente Lula. Na época, Carla não se manifestou.

A Polícia Federal aponta Carla como suspeita de defender os interesses privados de Mariano junto a órgãos públicos, principalmente na busca por recursos e contratos. As apurações continuam.

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