O candidato a presidente Renan Santos (Missão) criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) durante o lançamento de sua campanha à Presidência, mas rejeitou os rótulos de "antipetista" e de "terceira via". Na área de segurança pública, prometeu "matar quem roubar". A pena de morte é proibida no Brasil para crimes comuns e não pode ser alterada nem mesmo por emenda constitucional.
Renan disse que Flávio Bolsonaro é "farsante, fraco e corrompido" e, ao fim do seu discurso, o chamou também de "mongoloide". A Lula, direcionou a alcunha de "cachaceiro senil". Depois, pediu ao público "perdão pelos insultos proferidos na campanha".
O presidenciável também criticou o que chamou de "governadores que nunca tiveram postura de líder" e o senador Sérgio Moro (União Brasil), a quem chamou de "vassalo". Para Renan, o ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PL) "aceitou ser um escravo daqueles que destruíram sua maior obra, que foi a Lava Jato".
Renan Santos é candidato a presidente em chapa com Aroldo Medina. O tenente-coronel da reserva da Brigada Militar do Rio Grande do Sul foi o primeiro a discursar no evento. O candidato a vice comparou Lula e Flávio Bolsonaro a "vassouras velhas", que não funcionam bem, e afirmou que, uma vez eleito, Renan vai "limpar o Brasil".
Ao final do evento, o postulante a vice presenteou o companheiro de chapa com um Espadim de Tiradentes.
O candidato à Presidência ainda estabeleceu como meta a redução do número de homicídios para menos de 10 mil ao ano, prometeu realizar um ajuste fiscal e proteger a venda de terras raras, e defendeu que professores possam "punir alunos rebeldes".
O candidato do Missão registrou 7,8% das intenções de voto na última pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada na quarta-feira, 29, na terceira posição atrás de Lula, com 49,2%, e Flávio, com 42,9%.
Apesar das críticas aos programas assistenciais, Renan negou que acabará com iniciativas como o Bolsa Família. "Isso seria cruel", disse o candidato em coletiva de imprensa. Segundo o presidenciável, as propostas de geração de empregos em regiões carentes não são excludentes a programas assistenciais.
Durante a coletiva, o candidato afirmou que, se eleito, não travará uma "guerra" contra o Supremo Tribunal Federal (STF), mas cobrará um comportamento "republicano" da Corte, mesmo predicado que considerará em suas nomeações ao Supremo.
O presidenciável defendeu a adoção de um código de conduta para os magistrados.Além do STF, Renan afirmou que admite compor de forma "republicana" com partidos políticos nos ministérios.
Ato marcado por ingressos e venda de suvenires
O evento do Missão foi marcado pela venda de suvenires como forma de arrecadação de recursos para a campanha dos candidatos da sigla.
Os ingressos mais básicos para o ato, que ocorreu no Komplexo Tempo, centro de convenções na Mooca, zona leste de São Paulo, foram vendidos a R$ 94, enquanto outras categorias saíram por até R$ 7 mil, incluindo, além da entrada no evento, acesso a um mezanino com visão privilegiada, "open bar" e um almoço com lideranças da legenda.
Os suvenires vendidos variaram de itens de moda a pelúcias de onça, mascote da legenda. Além disso, também foi anunciada uma edição "de luxo" do Livro Amarelo, obra que reúne o ideário do partido e serviu de base para o plano de governo de Renan Santos. A versão mais cara do livro, como parte de um 'kit para patronos', foi a R$ 7 mil.