Quem é Edvaldo Neto, prefeito afastado na Paraíba sob suspeita de desviar R$ 273 milhões

Edvaldo Neto é suspeito de ligação com grupo associado ao Comando Vermelho e de viabilizar desvios de até R$ 273 milhões; prefeitura não se manifestou

14 abr 2026 - 16h23

O prefeito de Cabedelo, na Grande João Pessoa, Edvaldo Neto (Avante), foi afastado do cargo nesta terça-feira, 14, no âmbito de uma operação do Ministério Público da Paraíba e da Polícia Federal, que busca desarticular um esquema de fraudes em licitações na prefeitura. Ele é suspeito de viabilizar desvios que podem chegar a R$ 273 milhões.

Edvaldo estava à frente da prefeitura de forma interina desde 2025 e foi eleito no domingo, 12, em eleição suplementar realizada após a cassação do prefeito André Coutinho (Avante) e da vice Camila Holanda (PP) pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba por conta de irregularidades no processo eleitoral de 2024. Eles são acusados de compra de votos e envolvimento com facções criminosas. Ambos negam os ilícitos.

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O Estadão pediu manifestação da prefeitura de Cabedelo, que também teve outros três servidores afastados, além do prefeito. O espaço segue aberto.

Edvaldo Neto (Avante) venceu a eleição suplementar em Cabedelo no domingo, 12, após desbancar Walber Virgolino (PL)
Edvaldo Neto (Avante) venceu a eleição suplementar em Cabedelo no domingo, 12, após desbancar Walber Virgolino (PL)
Foto: Reprodução/Redes Sociais / Estadão

Na disputa, ele obteve 61% dos votos, superando o delegado da Polícia Civil Wallber Virgolino (PL). Antes de assumir a prefeitura, Edvaldo era presidente da Câmara Municipal de Cabedelo. Ele foi eleito vereador em 2020, pelo Republicanos, e reeleito em 2024, pelo Avante.

A operação que afastou Neto nesta terça-feira investiga um esquema de fraudes em licitações na prefeitura. Segundo os investigadores, a administração municipal teria sido capturada pela facção criminosa "Tropa do Amigão", apontada como braço do Comando Vermelho na região.

De acordo com as apurações, haveria um "consórcio político-criminoso" formado por agentes públicos, empresários e integrantes do Comando Vermelho, que teria utilizado contratos públicos como instrumento de poder, financiamento e controle territorial.

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O esquema funcionaria por meio da empresa Lemon Terceirização e Serviços Ltda., utilizada para inserir indicados da facção na máquina pública, com contratações direcionadas e desvio de recursos disfarçados como pagamento de mão de obra. Em troca, haveria a manutenção do domínio territorial, com garantia de estabilidade política e redução de conflitos armados. A reportagem busca contato com a empresa citada. O espaço está aberto.

Ainda segundo o órgão, há evidências de um sistema de "troca" entre a facção e a gestão municipal, com oferta de apoio territorial em troca de cargos e contratos.

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