Quem é a amiga de Lulinha que fez mais de 40 visitas fora da agenda a órgãos do governo Lula

Roberta Luchsinger levou empresários e sócio de Lulinha ao Planalto, a gabinetes de ministros e ao BNDES. Governo nega que reuniões tenham gerado desdobramentos contratuais; defesa de Luchsinger diz que ela representa seus clientes de forma regular; defesa de Lulinha afirma que ele não obteve nenhum pagamento por negócios de empresários com o Executivo federal

3 ago 2026 - 16h44

A lobista Roberta Luchsinger fez mais de 40 visitas a órgãos do governo federal desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2023. Luchsinger é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

A Polícia Federal abriu dois inquéritos para investigá-los por suspeita de praticar tráfico de influência em órgãos do governo federal. Por lei, reuniões com autoridades precisam ser informadas nas agendas dos agentes públicos que participam dos encontros.

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O governo nega ter havido desdobramentos contratuais a partir de reuniões de Luchsinger. Em nota, a defesa de Luchsinger afirmou que ela representa, de forma regular, seus clientes em órgãos e agências da administração pública federal, estadual e municipal. A defesa de Lulinha disse que o filho do presidente não obteve nenhum pagamento por negócios de empresários com o governo Lula.

Roberta Luchsinger tem cerca de 26 mil seguidores no Instagram, onde costuma publicar imagens de itens de luxo, viagens internacionais e manifestações políticas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados. Após a condenação de Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ela escreveu: "Hoje é um dos dias mais importantes da nossa democracia. Embora jovem, se mostrou forte. O Brasil venceu! Ditadura nunca mais".

Na biografia do perfil, Roberta utiliza a hashtag #ComLulaPelaJustiçaPeloBrasil. Em 2018, ela foi candidata a deputada estadual pelo PT, declarou patrimônio de R$ 1,5 milhão à Justiça Eleitoral e ficou como suplente. Roberta é herdeira da família que fundou o Credit Suisse - seu avô é Peter Paul Arnold Luchsinger, ex-acionista do banco.

Em 2017, Roberta prometeu doar R$ 500 mil ao então ex-presidente Lula, em dinheiro e objetos de luxo. No mesmo período, ela acumulava uma dívida de R$ 232 mil em taxas condominiais do imóvel onde morava, valor referente a cerca de três anos de inadimplência. Também devia R$ 62 mil a uma loja de decoração, que acionou a Justiça para a cobrança. À época, a Justiça proibiu ela de doar dinheiro a Lula antes que efetuasse o pagamento da dívida. Procurada sobre o assunto, a defesa não retornou.

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Em 2024, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) condenou Roberta a pagar R$ 70 mil por danos morais ao senador Sergio Moro (União-PR) e à deputada federal Rosangela Moro (União-SP) por ofensas publicadas nas redes sociais. A decisão também determinou a exclusão das postagens em até cinco dias, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. A defesa da empresária recorreu da sentença, mas o recurso foi suspenso.

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