PT retira referência a 'caso Master' de manifesto divulgado pelo partido, a pedido do Planalto

Referências a Bolsonaro e reforma do sistema financeiro também foram retiradas do documento

24 abr 2026 - 21h47

BRASÍLIA - A pedido do Palácio do Planalto, o PT tirou o nome do Banco Master e do ex-presidente Jair Bolsonaro do manifesto "Construindo o Futuro", que será divulgado neste sábado pelo 8.º Congresso do PT. A primeira versão do texto defendia a reforma do sistema financeiro para prevenir riscos, "especialmente à luz das lições deixadas pelo caso Master", mas o trecho foi suprimido.

Nos bastidores, dirigentes do PT disseram ao Estadão que o governo não vê sentido em citar o escândalo do Master em um documento que sinaliza o compromisso de Lula para o quarto mandato. As 15 referências a Bolsonaro contidas no manifesto também foram retiradas e trocadas por "governo anterior". Lula quer a comparação com o antecessor, mas sem citar o nome dele.

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Congresso do PT debate documento que suprimiu referência ao Banco Master
Congresso do PT debate documento que suprimiu referência ao Banco Master
Foto: JFDIORIO/ESTADÃO / Estadão

Desde que as irregularidades do banco de Daniel Vorcaro vieram a público, a ordem no Planalto e na cúpula do PT foi colar o escândalo a Bolsonaro e ao Centrão - daí o carimbo "Bolsomaster" -, destacando que as investigações da Polícia Federal ocorreram na gestão Lula. O documento também não faz referência aos desvios do INSS.

Como mostrou o Estadão, o presidente já havia solicitado à cúpula do PT que o partido deixasse para discutir as propostas polêmicas depois das eleições, com o objetivo de não prejudicar sua campanha.

Na primeira versão do manifesto havia um trecho no qual o PT defendia a reforma do sistema financeiro, "de modo a enfrentar o rentismo e ampliar a regulação, supervisão e transparência do mercado financeiro, fortalecendo os instrumentos de controle público e prevenindo riscos, especialmente à luz das lições deixadas pelo caso Master, germinado com aval do Governo Bolsonaro e desmascarado pelo Governo Lula". Esse trecho foi retirado.

No documento original, o PT defendia seis reformas, incluindo a do sistema financeiro. Na versão final, porém, ficaram apenas cinco: 1) reforma política e eleitoral; 2) reforma tributária; 3) reforma tecnológica; 4) reforma do Poder Judiciário e 5) reforma administrativa.

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O PT abriu o seu 8.º Congresso nesta sexta-feira, em Brasília, para discutir diretrizes do programa de governo de Lula ao quarto mandato e tática eleitoral. O vice-presidente Geraldo Alckmin participou da abertura do encontro e foi chamado de "companheiro". Lula não compareceu porque se submeteu a um procedimento médico, em São Paulo, mas estará no encerramento do encontro.

Um dos trechos do documento, que falava sobre a atuação do governo durante a pandemia da Covid-19, foi adaptado para não mencionar o sobrenome do ex-presidente. Ficou escrito da seguinte forma: "A atuação de Lula é oposta a do governo anterior, que diante da pandemia permitiu que o País chegasse à marca de 700 mil mortos, e foi considerada a pior gestão do mundo durante a Covid-19". A única mudança foi a retirada do sobrenome Bolsonaro.

O partido manteve outros pontos no manifesto. A linha de três eixos centrais do projeto nacional de desenvolvimento - reconstrução do papel do Estado como indutor do desenvolvimento (marca da esquerda), retomada do crescimento econômico com distribuição de renda (marca dos governos petistas) e transição produtiva, tecnológica e ambiental (adotada com mais ênfase a partir da campanha de 2022) - foi mantida.

Outro ponto preservado é a defesa de uma "permanente transição geracional" no próprio partido, com limite no número de mandatos (no máximo dois no mesmo cargo e três no total de participação na mesma instância). A versão final também fala em garantir "no mínimo 50% de mulheres nos espaços de deliberação". A proposta de programa não falava nem em garantir a renovação interna no partido, nem na equidade de gênero nos postos de decisão da legenda.

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