O PT aprovou resolução afirmando que a postura de Donald Trump, que chamou de fraudulenta a reeleição de Lula sobre Flávio Bolsonaro, exige atenção contra interferências externas. Apesar da tensão, que pode atrasar o aval ao novo embaixador norte-americano, o governo brasileiro manterá o pragmatismo. A legenda também apontou a gravidade do cenário político diante da saída de Flávio Bolsonaro do país logo após a derrota nas urnas.
BRASÍLIA - O PT declarou nesta quinta-feira, 29, que a postura adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre os resultados eleitorais que garantiram o quarto mandato ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva exige "atenção". O partido disse também que o Brasil não aceitará interferências de interesses estrangeiros na democracia.
"A posição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diante do resultado eleitoral e de sua presença em território norte-americano também exige atenção. O Brasil não aceitará que interesses estrangeiros interfiram em sua democracia, nem que disputas políticas sirvam de pretexto para desrespeitar a vontade soberana do povo brasileiro, em eleições amplamente fiscalizadas e reconhecidas por sua lisura", diz resolução aprovada pela direção do PT.
Desde que Lula foi reeleito presidente com mais de 64 milhões dos votos, protagonizando uma virada histórica sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no último domingo, Trump classificou a eleição brasileira como "vergonhosa" e "fraudulenta", sem apresentar provas sobre supostas irregularidades do sistema eleitoral.
O governo deve continuar adotando uma postura pragmática diante dos posicionamentos de Trump, sem fazer ações diretas contra a Casa Branca. A tensão, porém, pode atrasar a concessão do agrément - aval para que um embaixador exerça o ofício no Brasil - de Daniel Perez, indicado pelo governo republicano.
A nota do PT também tratou sobre a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que deixou o Brasil dois dias depois de perder o segundo turno para Lula. Segundo o partido, a ação de Flávio revela a "gravidade do momento político" e destacou que não é a primeira vez que o clã Bolsonaro não reconhece resultados eleitorais, em referência ao tom adotado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após o pleito de 2022.
"A celebração desta conquista não diminui nossa responsabilidade diante dos desafios que permanecem. A fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil apenas dois dias depois do resultado do segundo turno, em meio às denúncias e investigações de corrupção, revela a gravidade do momento político", diz a legenda de Lula.