PT dá guinada na campanha de Lula e aponta 'ligações perigosas' entre Flávio e Mendonça

A portas fechadas, dirigentes do partido afirmam que presidente pode perder para senador se não mudar radicalmente a linha de sua propaganda eleitoral e cobram Edinho

10 set 2026 - 17h41
(atualizado às 18h03)
Resumo
Diante do avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, a cúpula do PT decidiu mudar a estratégia da campanha de Lula a 24 dias da eleição. Para conter o rival e reagir à crise no STF, o partido adotará uma postura mais ofensiva, defendendo mandato fixo para ministros da Corte e o fim das apostas online. Além disso, dirigentes e militantes passarão a atacar o ministro André Mendonça, enquanto Lula buscará focar em propostas para o futuro, tentando evitar a derrota no segundo turno.

BRASÍLIA - A 24 dias das eleições, a cúpula do PT decidiu dar uma guinada política na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defender mandato fixo para integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e partir para o enfrentamento contra o ministro André Mendonça. Em reunião de emergência da Executiva Nacional do partido com coordenadores do Q.G petista, nesta quinta-feira, 10, a avaliação foi a de que Lula corre risco de derrota para o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL, se não houver um "cavalo de pau" na linha da campanha.

Desde o agravamento da crise no STF, pesquisas de intenção de voto indicam que Flávio vem ganhando terreno e a distância entre ele e Lula está cada vez menor. Levantamento da AtlasIntel divulgado nesta quinta-feira, por exemplo, mostra uma simulação de segundo turno bastante apertada: Flávio aparece com 46,4% dos votos e Lula, com 46,2%.

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A portas fechadas, houve duras cobranças de dirigentes ao presidente do PT, Edinho Silva, sobre a desorganização da campanha e apelos para que Lula saia imediatamente da defensiva.

"Não tem mea-culpa porque não há problema em reconhecermos erro na campanha", disse Edinho, após a reunião. "É evidente que tem erro. Em dez dias, o Brasil mudou. Se a realidade muda, a campanha tem de estar alinhada à realidade".

Lula e Flávio: disputa cada vez mais apertada para o Palácio do Planalto.
Lula e Flávio: disputa cada vez mais apertada para o Palácio do Planalto.
Foto: Pedro Kirilos/Wilton Junior/Estadão / Estadão

O presidente do PT afirmou, ainda, que Lula vai apresentar bandeiras para o futuro, e não apenas falar de seu legado. "A gente tem que levantar mais a voz em relação à reforma do Judiciário", observou Edinho, que coordena a campanha do presidente ao quarto mandato.

Sob pressão dos próprios aliados, que reclamam da falta de propostas com apelo popular e da ausência de diálogo com eleitores de centro, o comando do PT vai insistir na defesa de mandatos para ministros do Supremo e integrantes de tribunais superiores. Hoje, todos eles têm mandatos vitalícios.

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Até agora, o PT resistia a direcionar a artilharia contra André Mendonça com receio de que, fazendo isso, Lula fosse ainda mais associado ao ministro do STF Alexandre de Moraes. Além disso, Mendonça é evangélico, segmento no qual Lula enfrenta cada vez mais resistências.

Os dois ministros vivem, porém, um duelo de "vida ou morte", que desgasta cada vez mais a campanha do PT. A crise atingiu o ápice depois que o Estadão revelou trocas de mensagens entre Moraes e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, investigado e preso por fraude bilionária contra o sistema bancário.

Após a divulgação das primeiras conversas, Mendonça abriu o sigilo do relatório pedido por ele à Polícia Federal, tendo Moraes como alvo. A partir daí, houve uma sequência de "canetadas" em decisões judiciais, com ataques e contra-ataques dos dois lados, até que o presidente do STF, Edson Fachin, anunciou uma série de decisões para pôr um freio de arrumação na crise.

Com o crescimento de Flávio nas pesquisas, porém, a cúpula do PT foi pressionada a partir para a ofensiva. "Haverá uma radicalização política na campanha do presidente Lula", afirmou a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), que participou da reunião da Executiva Nacional do partido. "Vamos mostrar quem é Flávio Bolsonaro e o risco que o País corre com a volta desse povo ao poder".

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Os ataques a Mendonça, no entanto, serão "terceirizados" para dirigentes e militantes do PT. A ideia é que Lula aborde novas propostas para um eventual quarto mandato e aponte para o futuro. Uma dessas bandeiras deverá ser o fim das apostas online, conhecidas como bets. O governo tem pesquisas mostrando que, muitas vezes, o endividamento das famílias é provocado por apostas digitais em jogos de azar.

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