A campanha de Lula divulgou nas redes sociais um vídeo atacando Flávio Bolsonaro, com áudios em que o senador pede recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A peça cobra transparência sobre o destino de R$ 61 milhões que seriam para a produção do filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro, sem prestação de contas há cem dias. A ação intensifica a disputa eleitoral logo no início da propaganda, enquanto Flávio minimiza as acusações e afirma que o assunto é página virada.
BRASÍLIA - A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a exibir nas redes sociais um vídeo intitulado "Dark Horse - um filme que o Flávio não quer que você veja", no qual o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Palácio do Planalto, pede dinheiro ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
O horário gratuito de rádio e TV tem início nesta sexta-feira, 28, e vai até 1.º de outubro. Embora os candidatos à Presidência só entrem em cena no sábado, 29, inserções de 30 segundos ao longo da programação terão início na própria sexta.
Ao contrário do que costuma ocorrer em outras eleições, quando o primeiro programa do PT é mais voltado à apresentação do candidato, desta vez a propaganda de Lula conterá ataques a seu principal adversário logo na estreia. O programa do presidente, que disputa o quarto mandato, tem o maior tempo no ranking de todos os concorrentes: 5 minutos e 31 segundos.
O vídeo sobre Dark Horse foi feito para redes sociais e, de acordo com coordenadores da campanha de Lula, ficará, por enquanto, nesse tipo de mídia. A gravação intercala cenas de telejornais que mostram a fraude de R$ 12 bilhões provocada pelo Banco Master com apresentadores falando sobre o dinheiro que Flávio cobrou de Vorcaro.
"Irmão, preferi te mandar o áudio aqui pra você ouvir com calma", diz o senador na mensagem dirigida ao banqueiro. O vídeo também destaca uma imagem do então presidente Jair Bolsonaro furioso, na reunião ministerial de 22 de abril de 2020. "E vou interferir em todos os ministérios, sem exceção", afirma ele.
Na prática, a imagem tem o objetivo de sustentar a narrativa do PT de que, enquanto Bolsonaro interferia em diligências da Polícia Federal para proteger sua família, Lula dá autonomia para investigações envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
O comando da campanha do presidente diz ter produzido o vídeo em "homenagem" ao aniversário de cem dias da falta de explicações sobre o destino do dinheiro pedido por Flávio a Vorcaro.
Em maio, quando o diálogo foi revelado pelo The Intercept Brasil, o senador afirmou que os repasses feitos pelo banqueiro (R$ 61 milhões dos R$ 134 milhões solicitados) foram para financiar a produção do filme Dark Horse, que conta a trajetória política de Bolsonaro. Na ocasião, Flávio prometeu apresentar uma prestação de contas sobre os valores.
"Como durante todo esse período o Brasil não sabe o que foi feito com essa grana, nem tampouco o próprio filme foi lançado, utilizamos dessa ferramenta da sátira como forma de cobrança. O Brasil quer saber: onde foi parar o dinheiro que Flávio Bolsonaro recebeu do Banco Master?", perguntou o secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares.
Além do vídeo, aliados de Lula apareceram nas redes sociais, nesta quinta-feira, 27, segurando um bolo com velas de número cem, para provocar Flávio. O senador disse que o assunto é "página virada".
Na segunda-feira, questionado mais uma vez por jornalistas, Flávio reagiu: "Vocês vão parar no tempo? Não sou eu que tenho que prestar contas. É o Lula".