Por que o Brasil é sempre o primeiro a falar na Assembleia Geral da ONU? Entenda

Representante do País discursa primeiro que os Estados Unidos, anfitrião do encontro, desde 1955

22 set 2026 - 04h58
Lula durante o discurso na Assembleia Geral da ONU em 2025
Lula durante o discurso na Assembleia Geral da ONU em 2025
Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abrirá o debate geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira, 22,  em Nova York, nos Estados Unidos, às 9h (10h horário de Brasília). O tradicional discurso de abertura é sempre feito pelo Brasil, antes mesmo do anfitrião. Mas, afinal, por que isso acontece?

Primeiro é preciso esclarecer que o orador brasileiro, nos últimos 4 anos representado por Lula, faz a abertura do evento desde 1955. Isso só não aconteceu nos anos de 1983 e 1984, na 38ª e 39ª edição, respectivamente, Brasil e EUA inverteram as posições.

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Depois do Brasil, é a vez dos Estados Unidos, que tem como orador o presidente Donald Trump, desde o ano passado. Só então que os demais membros fazem seus discursos. 

O País integrou o primeiro grupo de 51 países fundadores da ONU. Hoje, são 193 nações, mas a "regra" continua, apesar de não haver documentos ou normas da entidade com essa previsão. 

Após os dois primeiros, a ordem dos palestrantes se torna um pouco mais política. Depende do nível de representação — a importância do orador enviado por aquele país. Isso significa que se um país enviar um Chefe de Estado, é provável que ele fale antes do que uma nação que opta por um representante de nível inferior, como Ministro das Relações Exteriores.

Montagem com fotos de Lula e Donald Trump na Assembleia Geral da ONU em 2025
Foto: Montagem: Ricardo Stuckert/PR e Michael M. Santiago/GettyImages

Por que o Brasil fala primeiro?

Há algumas teorias que explicam o protagonismo do Brasil no 'parlamento mundial' da ONU. Uma das hipóteses é que seria um prêmio de consolação pelo fato de o Brasil ter ficado de fora do Conselho de Segurança da Organização, composto por Estados Unidos, Rússia, França, China e Reino Unido desde a fundação da ONU, em 1945.

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Outra teoria difundida é a de que o Brasil tem essa atribuição pela sua participação na solução pacífica da criação do Estado de Israel, ainda nos primórdios da ONU. No entanto, a explicação mais difundida foi dada por Desmond Parker, chefe de protocolo da ONU, em entrevista à rádio norte-americana NPR em 2010.

“Em tempos muito antigos, quando ninguém queria falar primeiro, o Brasil sempre se oferecia para falar primeiro. E assim ganhou o direito de falar primeiro na Assembleia Geral”, declarou.

Independentemente da teoria, ter a palavra inicial na reunião é uma grande oportunidade para apresentar à comunidade internacional as prioridades da política externa do Brasil. A reportagem entrou em contato com a assessoria da Presidência e questionou sobre qual questão Lula irá abordar no encontro, mas não teve retorno. 

Veja a ordem dos discursos nesta terça-feira:

  • Primeiro lugar: Brasil é o primeiro a discursar desde 1955;
  • Segundo lugar: Os Estados Unidos. O país é o segundo por sediar a sede da ONU em Nova York;
  • Os demais países: Para todos os outros Estados-Membros, a ordem de fala baseia-se no nível de representação, na preferência e em outros critérios, como o equilíbrio geográfico;
Fonte: Portal Terra
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