PF investiga desvio de emendas negociadas entre assessora de Flávio Bolsonaro e condenado por morte de Marielle Franco, diz jornal

Apuração revelou troca de mensagens entre assessora do senador e Robson Calixto, condenado no âmbito do assassinato da vereadora do Rio

21 set 2026 - 14h19
(atualizado às 14h54)
O candidato Flávio Bolsonaro em ato de 7 de Setembro na Av. Paulista, em São Paulo
O candidato Flávio Bolsonaro em ato de 7 de Setembro na Av. Paulista, em São Paulo
Foto: Taba Benedicto/ Estadão / Estadão

A Polícia Federal identificou diálogos em que uma assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, negociou em 2023 emendas parlamentares com um miliciano que, neste ano, acabou condenado por organização criminosa no assassinato da vereadora Marielle Franco. A informação é do Estadão.

Segundo a apuração, a assessora Maria de Fátima Bezerra Castro também teria enviado convite para que Robson Calixto, conhecido como 'Peixe', participasse de um evento em poderia cobrar pessoalmente a liberação dos recursos de Flávio Bolsonaro.

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As informações constam em investigação que apura o desvio de emendas a entidades do Rio de Janeiro ligadas aos irmãos Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, e Domingos Brazão, ex-Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), ambos condenados pela morte da vereadora

Deflagrada em julho passado, a operação da PF que visa a apuração do repasse dos recursos foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e tornou público que uma das suspeitas envolvida emendas de Flávio Bolsonaro, que não foi alvo da ação policial. 

A corporação descobriu que uma das entidades investigadas recebeu R$ 199 mil de emenda destinada pelo senador. A negociação do envio de recursos ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop) se deu entre uma assessora de Flávio e Peixe, que já foi assessor de Domingos Brazão no TCE fluminense e é acusado de integrar a organização criminosa envolvida no caso Marielle. 

Ainda em março, o jornal O Globo publicou as suspeitas iniciais sobre os repasses. A partir das informações colhidas no caso Marielle, a PF aprofundou a investigação e identificou indícios de desvios de recurso de emenda parlamentar de Flávio Bolsonaro ao Ifop a pedido de Calixto. 

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Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e que integra as investigações também apontou que parte dos valores destinados ao Ifop foram usados no pagamento de um escritório de advocacia pertencente aos donos do próprio instituto. 

O Estadão também divulgou conversas entre Calixto e Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora parlamentar de Flávio, extraídas do celular de Calixto após o cumprimento de um mandado de busca e apreensão por suspeita de envolvimento na morte de Marielle.

Peixe acabou preso preventivamente dois meses depois e, em julho passado, foi alvo de novo mandado de prisão. No telefone dele, o contato da assessora do senador estava salvo como 'Fafá Flávio Bolsonaro'. 

Nos diálogos, a assessora aconselhou Calixto a se encontrar pessoalmente com Flávio Bolsonaro para solicitar a liberação dos recursos, além de aparecer pedindo, como forma de 'vantagem indevida', quatro ingressos para o desfile das escolas campeãs no Sambódromo do Carnaval do Rio de Janeiro. 

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Calixto, então, pediu os ingressos a um empresário do Rio de Janeiro, que fez o repasse. 

Entre outubro e novembro de 2023, houve também cobranças de Calixto para liberação das emendas. O Portal da Transparências registrou o pagamento de R$ 199 mil em emenda de Flávio Bolsonaro ao Ifop, repasse feito em 29 de novembro de 2023. Em 2024, Peixe também pediu novos repasses à instituição, mas não há registro de pagamentos. 

A assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que os recursos foram destinados dentro da legislação vigente: “A emenda foi destinada dentro da legislação vigente e dos critérios técnicos do Ministério do Esporte. A entidade executora apresentou notas fiscais dos materiais adquiridos e devolveu os valores não utilizados. A responsabilidade pela execução dos recursos é da entidade beneficiária, não do parlamentar. Eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle, como determina a lei”.

À reportagem, Flávio não comentou os diálogos entre Maria de Fátima e Robson Calixto. Não houve retorno da assessora ou de Calixto, enquanto a defesa de Domingos Brazão disse não ter atuado nesse caso, e a de Chiquinho Brazão afirmou não ter conhecimento da investigação. 

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Fonte: Portal Terra
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