PF cancela passaportes de Flávio Bolsonaro e vai comunicar Moraes que senador descumpriu ordem

Investigadores não detectaram registros de saída do senador do país e fizeram o cancelamento dos seus passaportes nos sistemas internos de controle

27 out 2026 - 12h36
(atualizado às 12h45)
Resumo
A Polícia Federal cancelou os passaportes de Flávio Bolsonaro e comunicará ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, o descumprimento do prazo de 24 horas para a entrega dos documentos. A retenção foi ordenada em inquérito que apura lavagem de dinheiro com o advogado Willer Tomaz, havendo risco de fuga. A corporação investiga se o senador deixou o país ilegalmente rumo à Argentina após rumores na imprensa, embora não haja mandado de prisão contra ele nem registros oficiais de saída em sistemas migratórios.

BRASÍLIA - A Polícia Federal vai comunicar ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que o senador e candidato derrotado à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), descumpriu a ordem judicial para entrega dos seus passaportes. Por isso, a PF realizou o cancelamento dos passaportes dele em seu sistema de controle.

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Flávio Bolsonaro foi intimado na segunda-feira, 26, para entregar seus passaportes em um prazo de 24 horas. Esse prazo venceu no final da manhã desta terça-feira, 27, mas ele não compareceu para cumprir a ordem. Apesar do descumprimento, não é possível considerá-lo foragido, porque não há mandado de prisão contra o senador.

Flávio Bolsonaro foi derrotado no segundo turno da eleição presidencial
Flávio Bolsonaro foi derrotado no segundo turno da eleição presidencial
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

A comunicação ocorre em meio a suspeitas de que o senador poderia ter deixado o Brasil pela fronteira com a Argentina.

Os investigadores da PF não identificaram registros da saída de Flávio Bolsonaro do País em seus sistemas migratórios e investigam se o senador adotou algum método ilegal para deixar o Brasil por fora do controle da PF.

A defesa de Flávio Bolsonaro havia sinalizado à PF que a entrega dos passaportes seria feita ainda durante a manhã, mas isso acabou não ocorrendo.

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A ordem para entrega dos passaportes foi dada por Moraes dentro de um inquérito aberto para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro do senador com o advogado Willer Tomaz. Um dos fundamentos foi que a PF encontrou registros de e-mail nos quais Flávio era citado como operador de uma conta no exterior vinculada ao advogado, o que poderia gerar um risco de fuga para uso de recursos no exterior. A PF diz que Tomaz deixou o Brasil e foi para os Estados Unidos após ter entrado na mira de investigações.

A informação de que ele teria deixado o Brasil na noite de terça-feira, 26, rumo à Argentina para seguir viagem aos Estados Unidos, em um voo privado, foi noticiada nesta madrugada pelo site argentino Infobae.

O Estadão questionou os principais aliados de Flávio e sua assessoria de imprensa, ainda sem resposta. Pouco depois das 8h da manhã, membros da campanha negavam que ele tivesse saído do País.

Um deles disse acreditar que tivessem "plantado (a notícia) para tentar cavar a prisão dele". Minutos depois, a equipe deixou de negar a informação e passou a dizer que averiguaria o paradeiro do senador.

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A Direção Nacional de Imigração do governo argentino afirmou não ter registrado qualquer entrada de Flávio Bolsonaro na República Argentina.

"Diante da repercussão na mídia sobre a presença de um avião particular no Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú, as autoridades iniciaram os procedimentos de fiscalização da aeronave e da tripulação. Por fim, constatou-se que a documentação da empresa está regular e não foi apresentado nenhum plano de voo que inclua a família Bolsonaro", diz o órgão.

O site Infobae diz que Flávio viajaria aos Estados Unidos "de Puerto Iguazú, a bordo de um avião Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly S.A". A aeronave deixou Buenos Aires às 22h14 e chegou a Puerto Iguazu às 23h45, segundo o site Flightradar, e não deixou mais a cidade.

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