O Ministério Público Eleitoral, por meio da Procuradoria Regional Eleitoral em Rondônia, ingressou com representação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o senador Marcos Rogério (PL-RO) por suposta propaganda eleitoral antecipada. A peça que provocou a denúncia é um vídeo divulgado nas redes sociais em que Bolsonaro aparece escrevendo o número "222" na camisa do parlamentar durante a motociata realizada dia 29 de julho na capital federal.
De acordo com o MP, o algarismo "222? é uma referência ao usado pelo Partido Liberal nas urnas. A infração está no fato de a publicação ser feita antes do período liberado para a campanha eleitoral de 2026, que começa em 16 de agosto do ano do pleito. Procurados pelo Estadão, o ex-presidente e o senador não responderam até a publicação deste texto.
Segundo o órgão, a gravação pode conceder "vantagem indevida" ao senador em 2026, o que "compromete a igualdade entre os pré-candidatos" e divulga o candidato antes do prazo legal.
Entre os pedidos do MP Eleitoral, está a remoção do vídeo das redes sociais de Jair Bolsonaro, de Marcos Rogério, de três jornais de Rondônia que divulgaram a gravação e também dos perfis dos veículos no Facebook. O órgão ainda pede para que o ex-presidente e o senador sejam multados.
De acordo com o Ministério Público, "a gravação, que dura apenas 22 segundos, foi planejada com o objetivo de promover publicamente o pré-candidato e criar associação com seu número eleitoral, o que configura pedido antecipado de voto".
A ação, apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO), ficará sob relatoria do juiz Ricardo Beckerath da Silva Leitão.
Marco Rogério, que é presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado, também é alvo de uma representação formal no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa. O senador enfrenta a ação por ter cortado o microfone da ministra Marina Silva enquanto ela discursava em uma audiência.
Na ocasião, a ministra do Meio Ambiente deixou a reunião após uma série de discussões com parlamentares da oposição. O tema em debate neste dia era a criação de unidades de conservação na Margem Equatorial.