Motorista de Haddad depõe e mantém versão sobre horários; polícia fala em contradições

Alessandro Caseri disse que PMs teriam descido de viatura, apontado lanternas para seu veículo e dado ordem para que ele 'vazasse'

17 ago 2026 - 19h51
(atualizado às 19h55)

Viatura da PM passa pelo carro do motorista de Fernando Haddad
Viatura da PM passa pelo carro do motorista de Fernando Haddad
Foto: Reprodução / Estadão

Em depoimento prestado nesta segunda-feira, 17, o motorista do candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad manteve a versão de que policiais militares teriam parado na frente do seu carro, apontado uma lanterna para o interior do veículo e dado uma ordem para que ele deixasse o local onde estava estacionado, em frente a um hotel na Vila Mariana, zona sul da capital. Investigadores afirmam que a versão apresentada não bate com os horários que aparecem nas câmeras de segurança analisadas.

A perseguição, como foi classificada pelo candidato, teria ocorrido na noite do último dia 11, após o motorista deixá-lo em casa.

Na manhã do dia seguinte, Haddad disse em conversa com jornalistas que havia sido alvo de "abordagem fora do padrão" feita por PMs e que seu motorista, Alessandro Caseri, teria sido seguido por uma viatura da corporação.

Conforme revelado pelo Estadão, uma câmera de segurança captou o momento em que uma viatura da PM passa por Haddad no momento em que ele entra em casa.

Outra câmera, instalada em frente ao hotel, mostra Alessandro estacionando o carro e permanecendo ali por 20 minutos. Na filmagem, é possível ver que uma viatura da PM emparelha com o veículo e desacelera até sumir do quadro. A Secretaria de Segurança Pública disse que imagens de câmeras de segurança não condizem com versão do candidato.

No depoimento, o motorista corroborou declarações do candidato e afirmou que decidiu ir em direção ao hotel, na rua Joinville, por considerar o local seguro. Naquele momento, diz Alessandro, PMs já haviam apontado lanternas para o interior de seu carro em duas oportunidades em um intervalo de poucos minutos.

A versão dá a entender que a abordagem em frente ao hotel teria ocorrido fora do quadro captado pela câmera. O motorista afirmou que, enquanto a viatura da Força Tática passou por seu veículo, um dos policiais teria dito "olha o carro". Na sequência, a equipe teria estacionado na frente de Alessandro e desembarcado. A equipe teria olhado fixamente para o interior do veículo, e um dos PMs teria dito "vaza". Na gravação, o carro de Alessandro aparece deixando o local por volta das 22h26, de acordo com o horário que aparece no mostrador.

O motorista declarou que, após o ocorrido, enviou uma mensagem a um assessor de Haddad explicando a situação e dizendo que estava se sentindo monitorado.

Como revelado pelo site Metrópoles, ele enviou a mensagem às 22h41. "Não quero deixar vocês preocupados e nem quero esticar esse assunto até o chefe, mas fui seguido por uma viatura da PM".

No depoimento, o motorista disse que deixou o local por volta das 23h09. Para a equipe de investigação, esse seria o principal ponto de contradição com as filmagens, já que outras câmeras de segurança captaram o carro de Alessandro às 22h34 na Avenida 23 de maio e às 22h34 na Radial Leste.

O motorista de Haddad afirmou que não pretende acusar os policiais militares de abuso de poder e que decidiu não registrar boletim de ocorrência sobre o episódio. Ele disse que oportunamente irá apresentar o print das conversas com o assessor do candidato sobre a perseguição. Alessandro ainda solicitou que a polícia verificasse uma outra câmera de segurança, na rua Rua Victor Brecheret, que teria captado a abordagem.

Neste domingo, o governador Tarcísio de Freitas afirmou que as imagens não mostram nada e que teria se tratado de uma falsa comunicação.

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