Mesários relatam falta de comunicação sobre a prorrogação da votação até as 19h, determinada pelo ministro Cristiano Zanin a pedido da chapa de Lula. Em diversas regiões, seções fecharam às 17h e não puderam reabrir devido à impossibilidade técnica após a emissão do boletim de urna. O aviso tardio e a falta de orientação da Justiça Eleitoral causaram confusão, impedindo eleitores de votar e levando ao encerramento definitivo dos trabalhos em colégios eleitorais antes do novo prazo estipulado.
Mesários de diferentes regiões do País afirmam que não foram comunicados a tempo sobre a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin que determinou a prorrogação do horário de votação do segundo turno até as 19h deste domingo, 25. Após a impressão do boletim de urna com a contagem dos votos, o equipamento não pode mais ser reaberto. Com isso, apesar da prorrogação, diversos colégios eleitorais não permitiram a votação após 17h.
"Ninguém falou nada. Encerramos às 17h. Avisaram pelo WhatsApp logo em seguida", afirma o mesário Lucas Correia, de Santos. Ele afirma que, em sua seção, a urna foi entregue à Justiça Eleitoral quase meia hora após a decisão de Zanin. Apesar disso, segundo Lucas, "absolutamente ninguém parecia saber".
A prorrogação da votação até as 19h foi determinada por Cristiano Zanin atendendo a pedido da chapa presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, que alegou ter havido dificuldades por parte de eleitores para chegar aos locais de votação.
Em Salvador e em São Paulo, houve relatos de falta de frota de ônibus. A chapa de Flávio Bolsonaro também solicitou a prorrogação da votação, mas apenas em Estados da região Sul onde ocorreram chuvas. O pedido da oposição foi direcionado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que até o fim do horário previsto para a votação, 17h, não se manifestou.
O mesário Érison Martins, que atuou em São Paulo, afirmou que os próprios representantes da Justiça Eleitoral não sabiam o que fazer.
"Quando eu estava imprimindo os boletins de urna, em torno de 17h07, uma colega nossa mesária viu na internet, no noticiário, que tinha saído a decisão do ministro Zanin", afirmou. "Elas me perguntaram, 'o que a gente faz?' Eu sou o presidente da seção, eu falei exatamente isso, não tem como voltar atrás. Uma vez que eu encerro a votação, a urna está fechada. Tecnicamente não é possível reabrir".
O mesário afirma que, quando ele e outros voluntários estavam indo embora, uma funcionária da Justiça Eleitoral pediu que eles voltassem para as seções. "Ela falou: 'Volta que a gente vai ver o que faz'. A gente ficou esperando um tempo. Quando foi umas 17h40, as pessoas começaram a descer com as urnas de novo e aí ficou um caos lá embaixo. Aí conseguimos devolver a urna e sair".
O diretor de uma escola no Cambuci, na região central de São Paulo, diz que os colégios da região receberam o comunicado sobre a decisão da prorrogação às 17h10, quando a maioria das seções já tinha sido fechada. "Não tínhamos fila às 17h, então encerramos as seções. Quando soubemos da decisão judicial, ligamos para o cartório eleitoral para saber o que fazer, mas nem eles sabiam", conta o diretor.
Em outras seções da capital, mesários relataram também confusão e desencontro de informações. Mesmo com o pedido de prorrogação protocolado no meio da tarde, os presidentes das seções ordenaram às 17h que as urnas fossem encerradas, segundo uma mesária de uma escola do Lauzane Paulista, na zona norte de São Paulo.
Entre as 17h40 e as 18h, os funcionários das seções foram informados de que as urnas já encerradas não seriam reativadas e os mesários foram dispensados. "Apareceu uma pessoa para votar depois das 17h na minha escola, mas os policiais militares que ficam na porta informaram que ela não poderia votar", diz o diretor da escola do Cambuci.
Ele conta que, pela experiência de outras eleições, a única possibilidade de retomar a votação nos locais com urnas já fechadas seria usar urna eletrônica reserva ou cédulas de papel, mas que essa possibilidade não foi dada pelo cartório eleitoral para as escolas da região.