O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, criticou a proposta de Flávio Bolsonaro de envolver os Estados Unidos na transição de governo no Brasil. Mercadante alertou para os riscos à soberania nacional ao compartilhar dados estratégicos de defesa, diplomacia e finanças com outra nação. Ele classificou a medida como uma ameaça de "neocolonialismo", afirmando que o país perderia a autonomia sobre recursos essenciais e que o Brasil deve manter sua altivez e independência diante de imposições externas.
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou que não tem como dar certo a ideia de incluir os Estados Unidos no processo de transição de governo como propõe o candidato Flávio Bolsonaro (PL).
"Você tem acesso a todas as informações, da defesa, de minerais críticos, da diplomacia, das finanças, do Banco Central, do PIX. Como é que você vai abrir essas informações para outro país? Aí o cara faz um tarifaço de 50% e o pessoal põe o 'chapéuzinho' do MAGA, vai com a bandeira americana e sai batendo palma na rua. Isso não tem como dar certo", disse durante a 5ª edição da J.Safra Investment Conference, em São Paulo (SP).
O presidente disse que ainda há o risco de o Brasil entrar em um processo de neocolonialismo, em que pode perder a autonomia sobre seus recursos estratégicos.
"Nós não podemos vender nenhuma empresa, nem podemos definir o que nós vamos explorar antes de consultar se os americanos têm interesse. Nós vivemos 400 anos como colônia. Nós estamos indo para um neocolonialismo digital e um neocolonialismo na região", completou.
Ele concluiu ainda que o País é grande demais para aceitar a imposição de outra nação. Segundo ele, é preciso defender e falar do Brasil para o mundo "com altivez, autonomia e interdependência".