O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, negou que o governo americano tenha organizado a fuga de Flávio Bolsonaro para Miami após a derrota eleitoral. Contudo, confirmou que Donald Trump autorizou uma permissão especial para a entrada do político e de sua família no país. Flávio viajou em um jato particular providenciado por um assessor da Casa Branca e teria apresentado um passaporte diplomático cancelado ao desembarcar em solo americano.
O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, negou neste sábado, 31, que o governo Trump esteve diretamente envolvido na fuga de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado nas eleições presidenciais brasileiras, para Miami. Ele afirmou que havia uma ordem de Donald Trump para que Flávio recebesse uma permissão especial para permanecer em solo americano caso chegasse ao país, mas que a organização da fuga não foi feita a nível estatal.
"Nós não facilitamos nada. Ficamos sabendo que ele tinha chegado aos EUA, ele já tinha um visto anteriormente e o presidente decidiu permitir que ele entrasse no país, o que nós permitimos", afirmou Marco Rubio durante coletiva de imprensa após reunião dos ministros das Relações Exteriores do G-20 em Atlanta.
"Nós não estávamos envolvidos em nenhum arranjo feito para que ele deixasse o Brasil. Pelo menos o governo dos EUA não esteve diretamente envolvido em nenhum dos movimentos que foram feitos. Mas o presidente deixou claro que, se ele chegasse a uma alfândega nos EUA, ele receberia uma permissão para entrar no país, e ele recebeu", disse.
Flávio deixou o Brasil após perder a eleição para o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por 51,79% dos votos válidos contra 48,21%. Na noite de terça-feira, 27, Flávio voou da Argentina para o Equador, onde o avião fez uma parada para reabastecimento, antes de seguir para Miami.
Agentes de imigração dos Estados Unidos permitiram que ele e sua família entrassem no país sob o regime conhecido como "parole", uma autorização temporária geralmente concedida por razões humanitárias, depois que desembarcaram em Miami em um jato particular na manhã de quarta-feira, segundo uma autoridade americana ouvida naquele dia.
Segundo os jornais Wall Street Journal e The New York Times, o jato foi providenciado por Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca. Na tarde de quarta-feira, 28, Trump afirmou que Flávio havia recebido um "passe" para entrar no país.
A Casa Branca e o Departamento de Estado encaminharam ao Departamento de Segurança Interna os questionamentos sobre a autorização de entrada de Flávio e o envolvimento de Trump. O órgão afirmou que o senador e sua família "foram recebidos e inspecionados pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, de acordo com as leis e procedimentos de imigração aplicáveis".
Um registro público do governo americano sugere que Flávio apresentou um passaporte diplomático brasileiro cancelado ao chegar aos Estados Unidos, segundo análise do The New York Times. O documento menciona um número emitido no Brasil que, de acordo com informações públicas, está vinculado ao passaporte diplomático do senador.
O Departamento de Estado informou, por meio de um representante, na terça-feira, que pretendia emitir vistos para Flávio e sua família, permitindo a entrada deles no país. A Casa Branca deu a mesma informação naquele dia, citando uma autoridade do governo.