O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, neste domingo, 27, que não se lembra de ter ganhado uísque de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O presente foi citado pelo advogado Walfrido Warde em mensagens, divulgadas pelo jornal O Globo. No entanto, o candidato à reeleição declarou que, caso tenha ganhado, já consumiu a bebida.
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“Se me deu uísque, já bebi também. Eu não fico contando quem me dá uísque. Eu ganho muita coisa, lembrança. Não sei se deu, mas se deu, já bebi, pode ficar certo”, declarou em entrevista ao Canal Livre, da Band.
Nas conversas, divulgadas pelo jornal O Globo, Warde mencionou tentativas de aproximar Vorcaro de Lula e citou o presente dado pelo banqueiro na reunião que teve com o presidente no Palácio do Planalto. O advogado esteve à frente da defesa do ex-banqueiro.
"Querido, estive com o PR hoje. Ele me perguntou se você estava bem e mais tranquilo. Eu lhe disse que sim. Ele agradeceu mais uma vez o uísque e mandou um abraço. Outros detalhes eu conto pessoalmente", diz uma das mensagens divulgadas pelo jornal, que teria sido enviada por Warde a Vorcaro em janeiro de 2025.
Sobre o encontro com Vorcaro, Lula admitiu tê-lo recebido. Segundo o presidente, o ex-Master foi até o seu gabinete e pediu ajuda, pois estaria sendo “perseguido” politicamente. Conforme já noticiado antes, pelo próprio Palácio do Planalto, o mandatário encontrou-se com o suspeito em 4 de dezembro de 2024.
“Veja, eu atendo centenas de empresários, de todos os níveis, pedindo pelas mais diferentes fontes. Esse cidadão, apareceu junto com outro cidadão chamado Augusto, acho que era sócio dele. Apareceu no meu gabinete, estavam lá duas ou três pessoas, estava inclusive o Galípolo, porque eu chamei para participar da conversa, me dizendo que estava sendo perseguido, que estavam querendo quebrar o banco dele”, afirmou.
Lula relatou ainda ter dito que Vorcaro não sofreria perseguição em seu governo, mas que estivesse fazendo algo errado, pagaria.
“Falei o seguinte: ‘olha, não vai ter perseguição política. você pode estar certo que no meu governo não tem perseguição política. Você está tendo chance de se defender. Nós vamos apurar. Se você estiver errado, você paga o preço, se não estiver errado, você não paga'. Estava errado, pagou, está preso. O que mais eu poderia fazer? O que mais, além de fazer isso?”, questionou o presidente.
Flávio acionou TSE sobre presente
A defesa do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou um pedido ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça para abrir inquérito contra Lula após a divulgação do suposto presente.
Os advogados do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) argumentaram que o presidente deveria ser investigado por corrupção e advocacia administrativa.
"Dessa forma, o recebimento de um presente, por parte do Presidente da República em encontro fora da agenda oficial, de banqueiro que se dizia 'perseguido' e que, agora, é formalmente investigado por inúmeros crimes, é fato que precisa ser apurado e esclarecido. Um presente pode ser gesto de afeto entre amigos, mas jamais entre o Presidente da República e um banqueiro cujos negócios dependiam diretamente da leniência do Estado", escreveu a equipe do advogado Tracy Reinaldet, responsável pela parte criminal da campanha de Flávio.
No entanto, o Palácio do Planalto negou que Lula tenha recebido presente e disse que foi sob sua gestão que o Banco Central liquidou o Master e a Polícia Federal prendeu Vorcaro.
**Com informações do Estadão