Em jantar com empresários, o presidente Lula defendeu a responsabilidade fiscal como obrigatória para proteger os mais pobres e exaltou os resultados econômicos de suas gestões. Ele cobrou soberania nacional sobre as terras raras contra a subserviência externa, pediu a manutenção da reforma tributária e criticou o Banco Central independente. O petista também atacou o escândalo do Banco Master e ameaçou aplicar a lei de reciprocidade comercial caso os Estados Unidos adotem tarifas contra o Brasil.
O atual presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse na noite desta sexta-feira, 25, que não é respeitoso um país que não sabe tomar conta de suas próprias contas públicas. Ele reforçou que não é recomendável fazer dívidas que não se pode assumir e disse que foi com esse pensamento que tocou a economia nos últimos anos.
"Estabilidade fiscal é uma coisa obrigatória. Não é nem competência do governo, é obrigatório isso. Ele sabe que quanto mais as contas estiverem desajustadas, quem vai pagar o preço é o povo pobre", afirmou.
As declarações foram feitas durante jantar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com grandes empresários e executivos em São Paulo, organizado por Esfera, Prerrogativas e Parlatório.
Lula disse também que acha "engraçado" quando alguns setores da sociedade pedem a ele responsabilidade fiscal. "Se esquece que nós pegamos esse País com 2,8% de déficit e entregamos um superávit de 0,1%." Ele disse que esse superávit pode ser "pouco" mas é a demonstração de que o Brasil encontrou um caminho para trazer responsabilidade fiscal de volta ao País.
Ainda falando sobre economia, Lula lembrou que o PIB brasileiro só cresceu acima de 3% durante os mandatos petistas no início do século e depois que ele voltou à presidência em 2022. Ele também disse que "o povo sabe" que, antes dos governos petistas, não houve políticas de inclusão social no Brasil.
Ele também lembrou que o governo teve que investir R$ 47 bilhões para impedir que o preço da gasolina subisse por conta da guerra no Oriente Médio entre Irã e Israel.
Terras raras
O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que quer a presença de empresas estrangeiras na área de terras raras, mas disse que elas devem seguir as regras brasileiras: "Quero empresas estrangeiras, mas elas têm que agir sob nosso comando", disse.
O presidente citou uma frase do escritor uruguaio Eduardo Galeano sobre a exploração de ouro no Brasil na era colonial: "O ouro brasileiro deixou buracos no Brasil, templos em Portugal e fábricas na Inglaterra". Segundo Lula, caso o Brasil não se posicione da maneira correta, o mesmo deve acontecer com a exploração das terras raras e minerais críticos. "O que vai acontecer com nossas riquezas? Dependendo de quem vocês elejam, vão entregar tudo", disse.
E ainda especificou: "Vocês vão votar em um brasileiro ou em alguém que vai beijar a bandeira americana todo dia?", questionou. Segundo o presidente, nessas eleições, a decisão é entre "fortalecer a democracia ou escolher a barbárie".
Reforma tributária
O atual presidente e candidato à reeleição disse que, antes de que se faça qualquer mudança na atual reforma tributária é preciso ao menos "experimentar" essa reforma em funcionamento.
Lula disse que foi difícil aprovar uma reforma como essa com minoria no Congresso e que agora "já tem gente que quer mudar outra vez", em referência ao seu principal adversário na disputa pelo Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro, que tem criticado a medida.
O petista também disse que é preciso garantir estabilidade jurídica e política no País, coisas que hoje ainda são bastante incertas. Lula também disse que é preciso impedir que agências reguladoras sejam "cooptadas". "Nós não somos eleitos para ver as nossas agências serem cooptadas e os empresários mandarem e determinados políticos nas agências", afirmou.
Caso Master
Lula se referiu ao escândalo do Master como um "mar de lama" e disse, sem apresentar provas, que o ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro, corrompeu poderosos não com dinheiro e sim com "orgia". "Essa é a verdade, a gente vai ficar com frescura para falar as coisas, eu tenho de ter coragem para falar", disse o candidato à reeleição.
Ainda em relação ao Master, Lula disse que não imaginou que estaria vivo para ver "tanta podridão".
O petista também voltou a pontuar que a Justiça não pode ser seletiva e que não pode haver pessoas na República com as quais "não se pode mexer". "Errou, pagou", disse.
Taxas de juros
Na mesma ocasião, Lula disse que foram eles mesmos, os empresários, que lutaram para que o Banco Central fosse independente no País.
"Vocês foram brigar pelo Banco Central independente. Não fui eu. E mesmo quando era independente, eu tinha controle. Quantas vezes vocês foram atrás do Banco Central para diminuir a taxa de juros. O Fernando Henrique trocou de presidente do BC quatro vezes. Eu não troquei o Meirelles e todos queriam que eu trocasse", disse Lula.
Tarifaço
O presidente declarou que o Brasil pode usar a lei de reciprocidade contra os Estados Unidos. A legislação foi aprovada em resposta ao tarifaço americano contra o Brasil.
"Os Estados Unidos têm de tomar cuidado porque podemos usar a lei da reciprocidade", disse Lula em jantar com empresários em São Paulo, organizado pelos grupos, Esfera, Prerrogativas e Parlatório. "Enquanto eu for presidente, quem manda aqui chama-se povo brasileiro", complementou.
Para Lula, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, "está apostando que será dono da América Latina". Segundo o petista, essa é uma aposta mais do secretário de Estado americano, Marco Rubio, do que do chefe da Casa Branca.